31/12/2025 Às vésperas da chegada de 2026, cresce a esperança de que o novo ano traga consigo paz, saúde, equilíbrio...

Cacau e açúcar também recuaram na sessão; café e suco de laranja fecharam em alta O algodão recuou na bolsa de Nova York pelo segundo dia consecutivo, aparentemente ignorando a piora das lavouras americanas na última semana. Hoje (23/8), os contratos da pluma para dezembro, os mais negociados, caíram 1,67%, a US$ 1,1223 por libra-peso.
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Nas últimas semanas, as cotações têm refletido o peso de um mercado avesso ao risco. A inflação em alta no mundo pode reduzir a compra de produtos não-essenciais, como roupas feitas de algodão. O recuo recente do petróleo para patamares inferiores a US$ 100 por barril também pressiona os preços da pluma ao tornar os tecidos sintéticos mais baratos.
Ontem, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que apenas 31% das lavouras americanas estavam em condições boas ou excelentes no último domingo; uma semana antes, elas eram 34% do total. No principal Estado produtor do país, o Texas, somente 11% das plantações eram boas ou excelente, o pior quadro em mais de uma década.
De acordo com o Zaner Group, há previsão de chuvas acima do normal no Texas e em todo o cinturão de algodão nos próximos dias. “Mas provavelmente é tarde demais para salvar a safra. Estamos chegando a um ponto do desenvolvimento em que o mercado já se preocupa com danos causados por chuva em excesso”, disse a consultoria.
Lavoura de algodão em Campo Verde (MT)
Fernanda Pressinott / Valor
Cacau
O cacau também encerrou o dia em queda, pressionado pela aversão ao risco. Os papéis para dezembro, os de maior liquidez, recuaram 1,6%, a US$ 2.318 por tonelada.
No Reino Unido, a empresa de serviços financeiros Hargreaves Lansdown disse que o aumento da inflação pode colocar milhões de pessoas em dificuldade financeira. Segundo projeção do Citigroup, a inflação de 12 meses britânica pode chegar a 18,6% em janeiro do ano que vem.
O Zaner Group lembra, por outro lado, que o mercado vê um cenário de oferta ainda restrita na safra 2022/23. Isso pode oferecer sustentação aos preços da amêndoa em Nova York.
Açúcar
Os contratos do açúcar demerara para outubro fecharam o pregão de hoje em baixa de 0,28%, a 17,89 centavos de dólar por libra-peso. Os lotes de segunda posição, com vencimento para março do ano que vem, por sua vez, caíram 0,45% a 17,84 centavos de dólar por libra-peso.
O sócio-diretor da Archer Consulting, Arnaldo Corrêa, disse que o mercado continua ajustando os preços do adoçante para acompanhar a queda das cotações de energia. “Recentemente, o petróleo recuou a um patamar inferior ao de antes da guerra na Ucrânia. Isso sinaliza para as usinas que a gasolina pode cair ainda mais, o que faria com que elas aumentassem a produção de açúcar”, afirmou ao Valor.
Outro fator de pressão sobre o açúcar é o cenário macroeconômico ainda desfavorável a investimentos de risco, segundo o especialista. Ele pondera, no entanto, que os preços estão muito próximos dos custos de produção, o que deve segurar as cotaçções acima de 17 centavos de dólar. “Esse quadro pressiona principalmente os países que competem com o Brasil, mas que têm um custo maior, como Índia e Tailândia”, afirma.
Café
O café encerrou em forte alta pelo segundo dia seguido. Os lotes do arábica para dezembro subiram 3,18%, a US$ 2,2825 por libra-peso.
Problemas na safra do Brasil, maior exportador mundial do grão, dão suporte às cotações. Segundo o analista Marcelo Moreira, que colabora com a Archer Consulting, a safra de 2022 no país se consolidará abaixo de 50 milhões de sacas.
“Se a safra fechar com esse número, o Brasil não vai conseguir exportar o que exportou no ano passado [39,20 milhões de sacas]. Neste ano, no pior dos cenários, vamos exportar entre 27 e 30 milhões de sacas”, disse o analista ao Valor.
Se a safra 22/23 brasileira ficar abaixo de 50 milhões de sacas, a relação global entre estoque e uso tende a fechar o ciclo 2022/23 em nível crítico, inferior a 15% — o mercado está acostumado a trabalhar com índices “confortáveis”, entre 18% e 20%. “Só vejo essa situação melhorando se a produção brasileira de 2023/24 for recorde, superior a 74 milhões de toneladas”, disse Moreira.
Suco de laranja
No mercado de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), os contratos mais negociados na bolsa de Nova York, para novembro, avançaram 1,2%, a US$ 1,675 por libra-peso.

Na versão chinesa o supervilão Gru desiste de sua vida de crime e diz que sua maior realização foi ser “pai de suas três filhas”. Os censores da China mudaram o final do filme “Minions: A Origem de Gru” para que o bem triunfe sobre o mal. Esse é o mais recente exemplo de um filme de Hollywood que foi alterado na China para enviar uma mensagem social mais palatável. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Cassado na quinta-feira (18) pela Câmara de Vereadores do Rio por quebra de decoro parlamentar, o ex-PM e youtuber concorre a uma vaga na Câmara Federal A Procuradoria Regional Eleitoral pediu que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) impeça a participação do vereador cassado Gabriel Monteiro (PL) no horário eleitoral gratuito e não permita que ele tenha acesso a recursos do partido. Cassado na quinta-feira (18) pela Câmara de Vereadores do Rio por quebra de decoro parlamentar, o ex-PM e youtuber concorre a uma vaga na Câmara Federal.
Monteiro é aposta do partido do presidente Jair Bolsonaro e do governador Cláudio Castro como puxador de votos nessas eleições. Como ele foi cassado após o prazo para registro de candidatura, no dia 15 de agosto, apresentou ‘ficha limpa’ à Justiça Eleitoral. O MP Eleitoral, no entanto, entende que Monteiro está inelegível após a cassação aprovada por 48 votos a 2.
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“Diante da inviável, inválida e natimorta candidatura do aludido candidato, a Procuradoria Regional Eleitoral ante a não formulação de pedido de tutela provisória feita pela parte autoral, considera que se aplica ao presente caso o deferimento do presente pedido de tutela”, diz trecho do documento assinado pela procuradora eleitoral Neide Cardoso de Oliveira.
A federação Rede e PSOL no Rio apresentou uma ação de impugnação da candidatura de Monteiro após a perda de mandato do parlamentar, mas não pediu a tutela provisória. Como o TRE tem até 12 de setembro para analisar a cassação do registro, a procuradoria se antecipou e pediu para Monteiro ser excluído da propaganda eleitoral e do fundo partidário com “urgência” diante da “manifesta” e “insuperável” inelegibilidade do candidato.
As denúncias contra o vereador cassado envolvem assédio sexual, estupro e produção de vídeos forjados para a internet. Na esfera criminal, os processos a que ele responde ainda não foram julgados. Sem uma perspectiva otimista, o PL estuda nomes para substituir o youtuber na disputa à casa federal. O partido tem que indicar o novo nome até 20 dias antes do 1º turno.
O suplente de Monteiro, Matheus Gabriel Silva, toma posse às quatro da tarde. Mais conhecido como Matheus Floriano, ele é filho do ex-deputado federal Francisco Floriano (União Brasil), pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus, e já foi vereador entre 2019 e 2020.
Vereador cassado Gabriel Monteiro (PL)
Renan Olaz/CMRJ

Do potencial nacional de geração de créditos de carbono, de 400 milhões de toneladas, a Shell pretende ser responsável por negociar 120 milhões de toneladas A aquisição da Carbonext pela Shell visa criação de uma unidade de negócios com projetos baseados na natureza, afirmou o presidente da companhia no Brasil, Cristiano Pinto da Costa. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Valorização das commodities nos mercados globais contribuiu para um novo dia positivo para os ativos locais As taxas dos juros futuros recuaram ao longo de toda a estrutura a termo da curva e encerraram a sessão regular desta terça-feira em queda firme. A valorização das commodities nos mercados globais contribuiu para um novo dia positivo para os ativos locais, o que ficou refletido na alta do Ibovespa e na baixa firme do dólar.
Além disso, indicadores econômicos dos Estados Unidos abaixo das estimativas deram força às perspectivas de um Federal Reserve (Fed, banco central americano) menos agressivo em seu processo de aperto monetário, ao mesmo tempo que o Tesouro Nacional ofertou menos títulos atrelados à inflação do que os agentes financeiros esperavam.
A somatória dos eventos pôde ser observada no recuo expressivo dos juros futuros. No horário de encerramento da sessão regular, às 16 horas, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 recuava a 13,715%, de 13,73% do ajuste anterior; a do DI para janeiro de 2024 caía a 13,07%, de 13,155% do ajuste da véspera; a do DI para janeiro de 2025 marcava 11,915%, de 12,085% do ajuste anterior; e a do DI para janeiro de 2027 recuava aos 11,635%, de 11,835% de ontem.
CC0 Creative Commons / pixabay
No mesmo horário, o dólar comercial recuava 1,29% no segmento à vista e era negociado a R$ 5,1006. No exterior, o rendimento da T-note de 2 anos caía a 3,293%, de 3,314% do ajuste da véspera, enquanto o juro do título de 10 anos tinha alta a 3,047%, de 3,027%.
O pregão foi marcado pelo bom desempenho de países exportadores de commodities. No horário citado acima, o dólar recuava 2,73% ante o peso chileno; 0,65% ante o dólar australiano; 0,66% ante o dólar canadense; e 1,00% ante a coroa norueguesa. Além disso, o barril do petróleo Brent para outubro subia aproximadamente 4%, negociado novamente aos US$ 100 o barril.
O dia teve início com os juros futuros oscilando em torno dos ajustes, com os agentes financeiros aguardando o edital de leilão semanal de NTN-Bs e LFTs. Após uma sequência de emissões robustas nas últimas semanas, no entanto, o Tesouro desacelerou a oferta e as taxas passaram a se ajustar em baixa.
O dv01 — métrica associada à variação das taxas de juros — total da oferta de NTN-Bs foi de R$ 2,654 milhões, nível bastante inferior aos R$ 8,125 milhões na última terça-feira. O Tesouro vendeu 94,38% do lote de 1,150 milhão NTN-B , com volume financeiro de R$ 4,376 bilhões, e 79,36% do lote de 1,25 milhão de LFT, com volume aproximado de R$ 11,850 bilhões.
Na sequência, indicadores da economia americana reforçaram a perspectiva de desaceleração da atividade e contribuíram para o movimento negativo nos rendimentos dos títulos públicos globais.
O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, que reúne dados do setor industrial e de serviços, caiu a 45 pontos em agosto, de 47,7 em julho, de acordo com dados divulgados pelo S&P Global, na leitura preliminar. Já as vendas de casas novas nos Estados Unidos caíram 12,6% em julho, para uma taxa anualizada de 511 mil unidades, segundo o Departamento do Comércio dos EUA.
Mesmo em meio ao cenário global mais adverso para ativos de risco, as taxas de juros locais seguem atraindo a atenção dos investidores estrangeiros, especialmente devido ao estágio mais avançado do ciclo de aperto monetário no Brasil.
“Nos mercados emergentes, o contraste entre a alta nos preços dos ativos e um cenário de crescimento desafiador permanece. Dito isso, vemos oportunidades seletivas para overweights [alocação acima da média de mercado], em países em que a atividade econômica mais lenta, surpresas negativas da inflação e altas taxas de juros reais proporcionam upsides, como o Brasil”, afirma a equipe de estratégia quantitativa e de derivativos do J.P. Morgan.
“No geral, permanecemos underweight na República Tcheca, Hungria, Chile e Peru, compensados por overweights no Brasil e na Romênia”, concluem os profissionais do banco americano.

Leonardo Reno Romano foi detido em Aparecida após Justiça decretar prisão preventiva. Camaro ficou danificado após colisão com Gol em Rodovia de Aguaí
Agalmo Moro/Correio de Aguaí
Policiais de Aguaí (SP) prenderam um médico que esteve envolvido em um acidente que matou duas pessoas na rodovia Dom Tomás Vaquero (SP-344), em 2013. Leonardo Reno Romano dirigia um Camaro que bateu na traseira de um Gol.
De acordo com o delegado do Setor de Investigações Gerais (SIG), Jorge Mazzi, após receber o comunicado que a prisão preventiva do médico havia sido decretada, foram feitos levantamentos que apontaram que ele estava em Aparecida (SP) e uma equipe de investigadores foi até a cidade prendê-lo.
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O médico, que atualmente tem 39 anos, tinha 30 na época do acidente e trabalhava na Santa Casa de São João da Boa Vista (SP) e fazia plantões em Aguaí. Ele foi considerado foragido até 2016, quando foi julgado um mandado de segurança suspendendo sua prisão. De acordo com Mazzi, a medida cautelar foi descumprida, levando a determinação de novo pedido de prisão preventiva.
O g1 entrou em contato com a defesa de Romano e aguardo o retorno.
Acidente
A batida entre o Camaro e um Gol aconteceu por volta das 6h de 12 de outubro de 2013. Dos três ocupantes do Gol, uma garçonete de 24 anos morreu no local e um chapeiro de 21 anos foi socorrido, mas não resistiu. O motorista, um funcionário público, teve múltiplas faturas.
Segundo informações da Polícia Rodoviária, o motorista do Gol foi fazer a ultrapassagem de um caminhão, quando foi atingido na traseira pelo Camaro e foi arrastado até cair no canteiro central.
Video mostra Camaro após bater na traseira de Gol em Aguaí, SP
Segundo a polícia, na época, havia indícios que o médico teria consumido bebida alcóolica, já que foram encontradas duas latas de cerveja em seu veículo e as testemunhas do acidente sentiram um forte odor de álcool.
Testemunhas também disseram que o motorista do Camaro transitava em alta velocidade. Um vídeo conseguido pela polícia mostrava momentos após o acidente (veja vídeo acima). Um dos integrantes do grupo que fez a filmagem com um celular disse que viu o Camaro passar no local ‘rasgando’.
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“Quero antecipadamente dizer que meu relatório vai ser a favor da vida. Espero que o presidente Rodrigo Pacheco possa pautar a votação o quanto antes”, disse após comandar audiência pública sobre o assunto no Senado O relator do projeto que trata da obrigação dos planos de saúde de cobrirem tratamentos que não estejam previstos pela Agência Nacional de Saúde (ANS) — o chamado rol taxativo — senador Romário (PL-RJ), disse ao Valor, nesta terça-feira, que não pretende fazer qualquer modificação no texto aprovado pela Câmara e apresentará relatório favorável à matéria. A proposta está prevista para ser votada no plenário do Senado na semana que vem.
Apesar de integrar a base aliada do governo Jair Bolsonaro, que é contra o projeto, Romário disse que não poderá atender aos pedidos do Ministério da Saúde, da ANS ou do Palácio do Planalto.
“O rol taxativo mata e vem matando a cada dia, eu sou a favor da vida. Quero antecipadamente dizer que meu relatório vai ser a favor da vida. Espero que o presidente Rodrigo Pacheco possa pautar a votação o quanto antes”, disse após comandar audiência pública sobre o assunto no Senado.
O senador do Rio de Janeiro admitiu que o próprio líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), pediu que ele fizesse alguns ajustes na matéria.
Uma das modificações que poderia atenuar o projeto está no dispositivo que estabelece preceitos para que a cobertura tenha de ser obrigatória por parte das operadoras de saúde.
De acordo com o texto aprovado pelos deputados, as empresas são obrigadas a custear qualquer tipo de tratamento fora da lista de procedimentos sugeridos pela ANS desde que exista comprovação da eficácia, baseada em evidências científicas, ou quando há recomendação por parte da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Os senadores próximos ao setor sugerem, entretanto, que a legislação diga que ambas condições são necessárias e não apenas uma delas. Na prática, significaria trocar o “ou” pelo “e” no artigo em questão.
“Ele [Portinho] tinha me pedido isso, mas isso é uma mudança muito radical. A gente teve oportunidade de falar com entidades, com as pessoas, com usuários desses planos e entendemos que essa modificação de ‘e’ para ‘ou’ mudaria toda a ideia do projeto. Então, vamos deixar isso no texto, não temos intenção de fazer qualquer modificação. Se esse relatoria voltar para a Câmara, a possibilidade de isso não ser analisado este ano é muito grande, não queremos atrapalhar a celeridade desse projeto”, concluiu Romário.
Como mostrou o Valor há algumas semanas, apesar da pressão dos planos de saúde nos bastidores, a base do governo no Congresso vê como improvável qualquer modificação no texto. A proximidade das eleições e a escolha do senador Romário (PL-RJ) como relator, que é contrário à limitação dos procedimentos de saúde, são fatores que devem impedir qualquer afrouxamento do projeto.
Segundo avaliação dos próprios integrantes da base bolsonarista, o momento eleitoral dificulta que os parlamentares embarquem num “meio termo” entre o que propõe a matéria aprovada na Câmara dos Deputados e o que desejam os planos.
Geraldo Magela/Agência Senado

Texto prevê a obrigação para os planos de saúde a cobrirem tratamentos que não estejam previstos pela agência O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello, disse nesta terça-feira (22) que a aprovação do projeto que trata da obrigação dos planos de saúde de cobrirem tratamentos que não estejam previstos pela ANS – o chamado rol taxativo – “desconsidera” o trabalho feito pela agência reguladora e vai “desequilibrar” o setor de saúde suplementar. Para Rebello, 80% das operadoras de saúde não terão condições de arcar com os custos desses novos procedimentos.
“É bom que se diga e traga a verdade aqui porque muito foi falado sobre isso como a anuência da agência baseado nesse texto que foi apresentado quando não houve qualquer tipo de anuência. Houve sim uma manifestação contrária a esse texto. Querer desconsiderar o trabalho que é feito pela ANS, é isso que estamos vendo aqui hoje”, disse durante audiência pública sobre o tema. Segundo o diretor-presidente da ANS, são poucos os planos de saúde de grande porte que poderão custear tratamentos novos que estão fora do rol taxativo atualmente.
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“Qualquer decisão que venha a ser diferente daquilo que a agência já faz hoje em dia vai trazer sim o desequilíbrio no setor de Saúde Suplementar, vai trazer sim uma migração de pessoas desse setor para o SUS. Estamos lidando com um setor que 80% dessas operadoras são operadoras pequenas, que ficam no interior dos estados, que não terão condições de arcar com os custos elevados desses medicamentos e quando ultrapassar para os beneficiários, eles não vão conseguir permanecer nesse setor”, afirmou.
Rebello também argumentou que, apesar de hoje o rol ser taxativo, ele não é estagnado, ou seja, a ANS vem incorporando novas tecnologias aos procedimentos médicos obrigatórios. “A taxatividade do rol não tem nada a ver com relação à lógica do estagnado. A agência vem evoluindo nesse processo, vem trazendo incorporações”, explicou.
Como exemplo, o diretor-presidente disse que apenas três medicamentos que estão fora do rol hoje podem gerar impacto de quase R$ 500 milhões. “E quando trazem dados que a agência menciona que não há qualquer impacto orçamentário, três das tecnologias que fizemos hoje e que não foram incorporadas devem ter impacto no orçamento das operadoras, se fossem incorporadas, de quase R$ 500 milhões. Estou falando de três medicamentos”, concluiu.
Por fim, ele criticou a tramitação célere da matéria no Congresso. “A tramitação dessa ação junto ao STJ, que demorou cinco anos, na Câmara durou pouco mais de 21 dias, ou seja, não houve debate, não houve possibilidade de qualquer tipo de argumento por parte de quem quer que seja”.
Paulo Rebello, presidente da ANS
Silvia Zamboni/Valor

