31/12/2025 Às vésperas da chegada de 2026, cresce a esperança de que o novo ano traga consigo paz, saúde, equilíbrio...

Favorecido por onda de queda de preços entre commodities e derivados de petróleo no atacado, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,55% em agosto, ante recuo de 0,38% em julho, menor taxa desde novembro de 2021 (-0,58%).
Para André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) responsável pelo indicador, o resultado indica que a família dos Índices Gerais de Preços (IGPs) está a entrar em ciclo de taxas menores, que pode durar até fim do ano.
“Creio que podemos ter IGPs em torno de 8% ao final de 2022 [a taxa anual], e antes a minha previsão era entre 9% e 10%”, acrescentou ele. Em 2021, os IGPs fecharam na faixa de 17%. Até agosto, o IGP-DI acumula alta de 8,67% em 12 meses.
Mas embora tenha classificado o cenário inflacionário atual como benéfico, Braz faz alerta: não há garantia nenhuma de que esse bom comportamento do indicador, em baixa, prosseguirá em 2023.
Ao comentar sobre a evolução do indicador na passagem de julho para agosto, o técnico explicou que ocorreram quedas de preço expressivas em produtos de peso na formação da inflação atacadista, representada dentro do IGP-DI pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI).
Com peso de 60% no total do indicador, a deflação no IPA-DI praticamente dobrou, passando de 0,32% para 0,63%, no período. Isso porque, em agosto, foram apurados recuos em óleo diesel (-5,62%); minério de ferro (-3,80%); gasolina automotiva (-8,83%); bovinos (-3,35%) e soja em grão (-1,30%).
Sobre as quedas de preço em commodities, como soja e minério, Braz lembrou que as cotações desse tipo de produto têm oscilado para baixo, devido a mudanças no cenário econômico internacional.
Grandes economias, como a chinesa e a europeia, têm dado sinais de desaceleração de ritmo lembrou ele – sendo que não está descartado que ocorra o mesmo na atividade nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, deixaram combustíveis menos caros, no mercado doméstico brasileiro, decisões de queda de preço em derivados de petróleo, pela Petrobras, bem como limite de teto em cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo – estabelecido em meados deste ano.
Para o especialista, como esses fatores não devem mudar de um mês para o outro, a tendência é de que continuem a influenciar os próximos resultados do IGP-DI e dos IGPs – e, assim a reduzir as taxas mensais desses indicadores inflacionários.
Outro aspecto mencionado por ele é que o fato de que, com redução em itens usados em elaboração de produtos, no atacado, isso na prática tem reduzido custo de produção em mercadorias consumidas no varejo. O economista não descartou continuidade de repasse, desses recuos de preço no atacado, junto ao item vendido ao consumidor, até o fim do ano.
Na passagem de julho para agosto, o Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IPC-DI) continuou em queda, e passou de baixa de 1,19% para recuo de 0,57%. “Creio que podemos terminar com o IPC na faixa de 6% em 2022 [a taxa anual]”, acrescentou Braz. O IPC-DI acumula alta de 6,62% em 12 meses até agosto.
No entanto, ele ponderou que, se o cenário é de taxas inflacionárias baixas até fim de 2022, o mesmo não se sabe para 2023. Ele comentou que não se sabe exatamente qual será quadro fiscal para o próximo ano, mas comentou que há possibilidade de continuidade de juros elevados, para conter inflação – o que sempre diminui ritmo de atividade. E isso também vale para cenário externo, notou ele.
“Como o mundo opera em inflação mais alta, os estímulos são para controlar a inflação [elevando juros no exterior] e efeito colateral disso é crescer menos. Isso pode provocar uma ‘mini recessão’”, comentou ele em relação à economia internacional, mas com impactos negativos para o Brasil.
Outro ponto levantado por ele é a recente crise de energia na Europa. Com término de fornecimento de gás russo ao continente europeu, determinado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, em guerra com a Ucrânia, a Europa vive hoje crise em preços de produtos energéticos – e não se sabe como isso vai afetar os preços nesse campo no Brasil, no longo prazo.
Assim, no entendimento do técnico, ainda há muitas incertezas para 2023, para se mensurar exatamente qual será quadro inflacionário para ano que vem, notou ele.
“A inflação não vai sair do radar e, sim, oferece uma trégua nesse momento, que vai sustentar taxas mais baixas até fim do ano – mas não necessariamente esse quadro permanecerá ano que vem”, resumiu ele.
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Salário é de R$ 2.603,94. Inscrições devem ser feitas pela internet até 3 de outubro. Viaturas da GCM de Araras
Prefeitura de Araras
A Prefeitura de Araras (SP) está com concurso público abertos para 60 vagas de guardas civis municipais, além da formação de cadastro reserva. As inscrições devem ser feitas pela internet até 3 de outubro.
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Ao todo, são 48 vagas para homens e 12 para mulheres. O salário é de R$ 2.603,94 para jornada semanal de 40 horas, com adicional de risco de vida que corresponde a 30% do valor dos vencimentos.
A taxa de inscrição do concurso é de R$ 110 e as inscrições devem ser feitas no site da Associação Brasileira de Concursos Públicos (ABCP). A validade do concurso é de dois anos, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. Para mais informações acesse o edital.
Requisitos básicos:
Ensino médio completo;
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categorias A e B ou superior;
Idade mínima de 18 anos e máxima de 45;
Estatura mínima de 1,65m para homens e 1,55m para mulheres;
Não possuir sinais artificiais como tatuagem em partes do corpo que sejam visíveis durante o uso de uniformes da instituição.
A prova objetiva terá duração máxima de 3h30, os candidatos também precisarão passar pelo Teste de Aptidão Física (TAF) e por avaliação psicológica para analisar se atendem as exigências para atuação no cargo e se possuem condições para adquirir porte de arma de fogo.
Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara.

Deloitte, KPMG e PwC planejam manter as duas áreas sob o mesmo teto e esperam explorar o foco da EY em sua reestruturação para roubar clientes e funcionários Os líderes da Ernst & Young (EY) deram o pontapé inicial em um plano para separar seus negócios de consultoria e auditoria, em um movimento radical que gerará lucros inesperados para os sócios da empresa e poderá derrubar o modelo de negócios das empresas de contabilidade. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Lightspeed Venture Partners liderou a rodada de financiamento para a Community Labs, que também incluiu Arweave, Bain Capital Crypto e Blockchain Capital, entre outros Em vez de assar pão de fermentação natural ou usar o Zoom durante as profundezas da pandemia, Tate Berenbaum passou a maior parte do tempo escrevendo códigos de criptografia em seu porão. Lá, o estudante do ensino médio construiu ferramentas de desenvolvimento para o Arweave, uma plataforma semelhante a blockchain conhecida pelo armazenamento permanente de dados. Na época, ele não sabia que os resultados desse trabalho representariam uma mudança em sua vida.
Agora com 19 anos, Berenbaum captou US$ 30 milhões para a Community Labs, uma startup de software e estúdio de venture capital dedicado a apoiar projetos de criptoativos na Arweave. Berenbaum disse em uma entrevista que se mudou para Nova York e trancou a matrícula de seu primeiro ano na Universidade da Virgínia enquanto constrói a empresa.
Questionado sobre a faculdade, Berenbaum disse: “No momento, não tenho planos de voltar”.
A Lightspeed Venture Partners liderou a rodada de financiamento para a Community Labs, que também incluiu Arweave, Bain Capital Crypto e Blockchain Capital, entre outros investidores. Berenbaum se recusou a divulgar o valuation da startup.
Fundada este ano, a Community Labs atualmente tem oito funcionários localizados em todo o mundo, incluindo o conselheiro e cofundador de Berenbaum, Leo Lucisano, de 38 anos. Berenbaum disse que a equipe está dedicada a trazer mais versatilidade à Arweave.
Arweave é frequentemente a plataforma de escolha para armazenamento de dados descentralizado. Por exemplo, o Arweave está sendo usado para arquivar registros digitais da guerra na Ucrânia, como tweets e vídeos que documentam o conflito.
Mas, além de expandir os recursos de armazenamento de dados da Arweave, a Berenbaum está procurando outros propósitos para a Arweave que permitiriam que ela funcionasse de maneira mais semelhante a blockchains como Ethereum e Solana.
“Pode ser usado para casos de uso financeiro”, disse Berenbaum, observando que já construiu um serviço chamado Verto, uma exchange descentralizada para negociação de tokens, na Arweave. Ele disse que a Community Labs também está interessado em melhorar os aplicativos voltados para o consumidor para o Arweave, como armazenamento de token não fungível (NFT).
A Arweave está bem posicionada para ser um “elemento crítico” da infraestrutura web3, de acordo com Will Leas, consultor da Lightspeed e parceiro de negócios da Lightspeed Faction, focada em startups relacionadas a blockchain. Ele disse que a empresa escolheu apoiar a startup de Berenbaum em parte porque o adolescente é um “líder de pensamento” na comunidade Arweave.
Samuel Harrison, consultor sênior da Lightspeed e fundador e sócio-gerente da Lightspeed Faction, disse em uma entrevista que sua equipe ainda está interessada em apoiar projetos como da Community Labs, apesar do início do inverno cripto.
“Realmente não tentamos aumentar ou arredondar nossa atividade de investimento com base no ciclo”, disse Harrison.

Rainha Elizabeth II foi a mais longeva e duradora monarca britânica, deixando a vitoriana Vitória em um distante segundo lugar Por ter sido a Inglaterra meu primeiro posto, a rainha Elizabeth II, de certo modo, passou a fazer parte do meu universo. Conhecê-la em pessoa foi por ocasião de sua visita de Estado ao Brasil em 1977 quando, jovem secretário, cuidava da imprensa na embaixada em Londres. Muitos e muitos anos depois, em janeiro de 1994, a revi quando da minha apresentação de credenciais junto a Corte de Saint James. Em cerimônia simples, mas com tradicional pompa e circunstância, conversamos sobre assuntos de Estado e depois, com minha mulher, Maria Ignez, trocamos lembranças e falamos do Brasil. Perguntou-me que diferenças eu via na Inglaterra ao retornar, 25 anos depois. Respondi sem hesitar que a comida havia melhorado e a CUT desaparecido. Ela sorriu e disse: “You are right”.
Em diversas outras ocasiões estivemos com ela, em especial durante a visita de Estado do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1997, quando, além de sermos recebidos em almoço e também para o grande banquete em homenagem ao nosso presidente e dona Ruth no Palácio de Buckingham, onde o protocolo exigia casaca, condecorações, vestidos longos e a rainha usou o conhecido colar e tiara de águas marinhas — um presente em nome do governo brasileiro oferecido por Assis Chateaubriand quando de sua coroação. Por ocasião da visita de Estado, a rainha e inúmeros de seus familiares também estiveram na residência da embaixada para um jantar oferecido a ela pelo presidente FHC. Na ocasião, contou à dona Ruth e a minha mulher, que quando ganhou o colar de águas marinhas, por ser tão grande, resolveu usar parte das pedras para fazer a tiara. A víamos também nos encontros anuais nos jardins do Palácio de Buckingham e nas recepções quando circulava entre centenas de convidados com simpatia e simplicidade, sempre com uma palavra amável para todos desde os cidadãos mais simples até os representantes diplomáticos de mais de 180 países.
A rainha Elizabeth II foi a mais longeva e duradora monarca britânica, deixando a vitoriana Vitória em um distante segundo lugar. Foi coroada com 25 anos em 1953 e um símbolo da unidade da Commonwealth, que chegou a contar com 53 países, hoje reduzidos a 13, antigas colônias onde o sol nunca se punha, e do Reino Unido (Escócia, Irlanda do Norte, Gales e Inglaterra). Manteve reuniões semanais com 15 primeiros-ministros britânicos, de Churchill a Boris Johnson e, durante seu reinado, procurou reforçar as “relações especiais”, que Londres se vangloria de ter com os EUA com 14 presidentes americanos.
Nem tudo foi tranquilo desde seus precoces anos já com o peso das responsabilidades. Antes de suceder a George VI, acompanhou como membro do Serviço Territorial Auxiliar, sua mãe, a rainha Mary, durante a Segunda Grande Guerra, quando Londres foi bombardeada.
Rainha Elizabeth II
Ainda vivíamos em Londres quando viveu um momento familiar e politicamente delicado que foram os dias que sucederam à morte da princesa Diana, já separada de seu filho Charles. Desaprovando o comportamento da ex-nora, Elizabeth inicialmente recusou ceder o avião real para trazer o corpo de Diana de Paris para ser enterrada em Londres. Por fim, convencida pelo filho, acabou cedendo, mas manteve uma atitude dura ao não autorizar que a bandeira da presença real do Palácio de Buckingham fosse colocada a meio mastro em sinal de luto. O prestígio da monarquia nesse momento caiu a seu nível mais baixo. Irritada pelo comportamento da princesa talvez não tenha avaliado a imagem que tinha seu povo sobre Diana. O então primeiro-ministro Tony Blair soube convencê-la a mudar de atitude em relação à princesa, muito popular entre a população. A partir dai, gradualmente a monarquia britânica foi recuperando seu prestígio e a imagem da rainha Elizabeth, como sempre, presente em meio a seus súditos. No ano passado, no enterro de seu marido, o príncipe Phillip, seu comportamento discreto e digno chamou a atenção da opinião pública mundial. Manteve até o final de sua vida uma atitude pesarosa em relação a decisão de seu neto, Harry, de afastar-se da família real, quando, inclusive apegou-se à Meghan convidando-a para acompanhá-la em diversas ocasiões no início do casamento.
Com seu inconfundível chapéu, sua bolsa sempre no braço, roupas com cores gritantes para não ser perdida de vista pelos seguranças, como marcas registradas, Elizabeth II deixou seu reino de maneira discreta, como sempre se comportou ao longo desses 95 anos.
Símbolo da unidade nacional, Elizabeth II acumulava os títulos de chefe de Estado do Reino Unido, chefe das Forças Armadas britânicas, chefe da Commonwealth (Comunidade Britânica) e chefe da Igreja da Inglaterra. Todos os anos, em uma cerimônia majestosa, Elizabeth II, com sua coroa e vestida de branco, sentava-se ao trono e inaugurava a sessão do Parlamento britânico. Tradicionalmente, ela se limita a ler um discurso preparado pelo primeiro-ministro, chefe do governo. Pela continuidade que representou durante todos os anos de seu reinado, pela sua discrição e simpatia, foi uma grande figura nacional, a qual os britânicos têm muito orgulho de mostrar ao mundo. Deixou um legado de serviço público exemplar e ganhou um lugar de realce na história do Reino Unido.
*Rubens Barbosa foi embaixador em Londres (1994-1999) e embaixador em Washington (1999-2004)
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- Rainha Elizabeth II, a monarca britânica mais longeva da história, morre aos 96 anos Globo.com
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- Viagem da rainha Elizabeth ao Rio teve encontro com Pelé, show da Mangueira e cerimônia de início da obra da Ponte Rio-Niterói Globo
- Em visita a Salvador, Rainha Elizabeth se queimou com o calor e jantou com Jorge Amado Jornal Correio
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Pacheco alfinetou o chefe do Executivo e disse ter enxergado “desdobramentos” de “cunho político-eleitoral”, por parte de Bolsonaro, no festejos de 7 de Setembro O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), lamentou nesta quinta-feira a decisão do presidente Jair Bolsonaro de faltar à solenidade, realizada no Parlamento hoje, em comemoração ao Bicentenário da Independência da República, que contou com a presença de chefes de Estado estrangeiros e de ex-presidentes. Pacheco também aproveitou para alfinetar o chefe do Executivo e disse ter enxergado “desdobramentos” de “cunho político-eleitoral”, por parte de Bolsonaro, no festejos de 7 de Setembro, o que, na sua avaliação, não deveria acontecer.
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“A opção de não vir precisa ser indagada a ele [Bolsonaro], a motivação. Obviamente faz falta a presidência da República presente em uma sessão solene do Bicentenário da Independência, em especial quando há a contraparte presente, que é o presidente de Portugal”, disse. “Eu não sei a motivação [dele]. Até o momento do início da sessão, nós acreditávamos na confirmação da presença do presidente Bolsonaro. Como não sei a motivação da ausência, não vou fazer um juízo de valor em relação a isso”, afirmou.
Questionado se a ausência de Bolsonaro poderia ser uma retaliação ao fato de que tanto ele, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, deixaram de ir ao desfile cívico-militar do 7 de Setembro ontem, isolando Bolsonaro, Pacheco argumentou que deixou de ir ao evento por estar em dúvida justamente se o desfile seria usado eleitoralmente.
“Eu considero que há dois momentos no 7 de Setembro de ontem: o desfile cívico, que é a solenidade em que se celebra o Bicentenário da Independência, o 7 de Setembro, e depois os desdobramentos que tem um cunho naturalmente político, eleitoral, em torno do presidente da República”, explicou. “Como não havia uma clareza da minha parte, do que era um momento e o que era outro, se eles se misturariam, a minha preferência foi não participar do evento porque de fato não vou externar nem um tipo de manifestação de cunho político eleitoral. Então foi essa a motivação que não me fez não comparecer”, complementou.
Rodrigo Pacheco (à esq.) e Arthur Lira (à dir.) em solenidade pelo Bicentenário da Independência no Congresso
Pedro França/Agência Senado
Em seguida, Pacheco deixou claro que, na sua avaliação, houve uma “mistura” entre um evento que deveria ser do Estado brasileiro, mas acabou ganhando conotação política. “Eu considero que o desdobramento, pelo que vi na imprensa, o desdobramento nas manifestações para os seus apoiadores que estavam às ruas, logicamente que têm um cunho político eleitoral por parte do presidente. Essa é a avaliação que faço”, defendeu.
Pacheco foi ainda mais enfático ao defender que não deveria haver uma conotação política num evento relacionado ao Bicentenário da República. “Obviamente que, como estamos num processo eleitoral, as manifestações do presidente, que é candidato à reeleição, e de outros candidatos, acabam se misturando entre o que é o dever cívico, da liturgia do cargo, com o aspecto político-eleitoral”, disse.
Para o presidente do Congresso, a data da Independência do Brasil não pertence a um partido ou grupo político. “Essa divisão tem que ficar muito clara para que as coisas não se misturem porque esta data não pertence a um só grupo político, partido ou candidato, pertence a toda coletividade, todos os brasileiros. Essa clareza do que é a comemoração cívica e o que é manifestação eleitoral é importante que todos tenham clareza”, ponderou.
Segundo Pacheco, por conta justamente desses aspectos, ele achou “melhor” não ir à Esplanada dos Ministérios. “Eu não estava lá [7 de Setembro], não sei o que exatamente se misturou ali. O que eu falo é que, da minha parte não havia clareza de como seria. Na dúvida, foi melhor não ter participado e concentramos esforços nesta sessão solene do Congresso, que igualmente celebrou o Bicentenário”, disse.
Além disso, o presidente do Congresso defendeu que o Executivo tem o dever de reconhecer a importância do Bicentenário por seu aspecto histórico e não político.
“Precisamos valorizar primeiro a independência do Brasil que é o mais importante. Este [7 de Setembro] é especial porque celebra o Bicentenário da Independência. Deve ser um compromisso de todos, inclusive do Executivo, de poder reconhecer a importância dessa data”, acrescentou.
Por fim, Pacheco negou que tenha ficado com “receio” ou “medo” de que sua presença no 7 de Setembro poderia significar qualquer endosso em relação aos discursos políticos de Bolsonaro. “Não falei que tive medo de ir, nem receio [de ir ao 7 de Setembro]. Eu disse de maneira geral que é muito importante ter clareza, nesse momento eleitoral, que temos candidatos que ocupam cargos, governador, deputado federal, senador. Temos que ter clareza que é nosso dever funcional, o que é da liturgia do cargo, de celebração de uma data dessa, e o que é movimento político”, afirmou.
O presidente do Congresso foi questionado, então, se considerou um ataque de Bolsonaro ao Parlamento a afirmação de que o “povo conhece o Legislativo que tem”. Sobre isso, o senador mineiro destacou que foi o Congresso quem aprovou o aumento de R$ 200 no valor do Auxílio Brasil.
“Não consigo interpretar isso [como um ataque]. As pessoas conhecem a Câmara, conhecem o Senado, o STF, as pessoas sabem, inclusive, que foi a Câmara e o Senado que aumentaram de R$ 400 para R$ 600 o Auxílio Brasil, as pessoas sabem que nós pudemos proporcionais uma série de auxílios a pessoas mais carentes, sabem que foi o Congresso que se mobilizou em torno de vacinas contra a Covid. Talvez as pessoas não consigam ligar o nome à pessoa, mas sabem que se teve auxílio emergencial, se o Banco Central é autônomo, se tivemos reformas importantes, tudo isso nasceu no Congresso Nacional”, defendeu.
Pacheco ainda deu a entender que não foi de bom tom que o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, tenha ficado separado de Bolsonaro por aliados políticos durante o 7 de Setembro. Isso porque uma das pessoas presentes ao lado do chefe do Executivo foi o empresário Luciano Hang, antigo apoiador do governo.
“Poderia, em tese, ser interpretado [essa mistura], mas é direito das pessoas participarem, aquelas que são convidadas pelo presidente da República, no evento cívico e no político. Obviamente que não é adequado colocar ninguém entre dois presidentes da República. O correto é que fiquem lado a lado, é o comentário que me permito fazer”, concluiu.

