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Pesca Profissional Artesanal: um tipo de pesca caracterizada principalmente pela mão de obra familiar, com embarcações de pequeno porte, como canoas ou jangadas, ou ainda sem embarcações, como na captura de moluscos perto da costa. Sua área de atuação está nas proximidades da costa, nos rios, reservatórios, lagos/lagoas, estuários e açudes. Lei Federal 11.959 de 29/06/2009.

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Companhias abertas A Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas) terá dois eventos em setembro para discutir questões ESG. Um deles,
Empresas, organizações não governamentais e sociedade se unem para acabar com os resíduos plásticos O cenário é alarmante para a
Rentável e de fácil manuseio, o alumínio chega ao índice de reciclagem 98,7%, que equivale a 33 bilhões de latas
Descarte correto de aparelhos eletrônicos leva à transformação dos equipamentos em matéria-prima para a indústria O descarte correto de eletrônicos
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A indústria automotiva se vale do upcycling, técnica na qual itens inutilizados adquirem funções diferentes daquelas para as quais foram
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Companhias abertas
A Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas) terá dois eventos em setembro para discutir questões ESG. Um deles, de 19 a 26 de setembro sobre “Crédito de carbono como ativo financeiro”. No dia 27/09 realizará o 12º webinar do Fórum ESG Investidor & Empresa, iniciativa conjunta com a bolsa de valores, B3, e Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais), com a representantes de quatro empresas para contar sua jornada de sustentabilidade. Inscrições no site da associação: www.abrasca.org.br/eventos.
Ranking de instituições
O encontro 7° BIS, promovido pela consultoria SIS – Soluções Inclusivas Sustentáveis no dia 12 de setembro, terá como pauta a criação de um ranking de atuação socioambiental e climática de instituições financeiras denominado RASA. Durante o evento, será apresentada a metodologia utilizada para a avaliação, que busca gerar uma competição positiva entre as instituições. Inscrições: e-mail eventos@sis.org.br.
Fórum de Filantropos
No próximo dia 15, será realizado o 11º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, organizado anualmente pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation. Colaboração é o tema desta edição. Mais informações e inscrições em www.idis.org.br.
Estante

Conexão Capitalismo e Meio Ambiente Autor: Marcus Peçanha Editora: Alta Books Páginas: 304 Preço: R$ 79
Para o autor, o setor público depende do setor privado para gerir adequadamente a questão ambiental. No livro, ele mostra porque preservar o meio ambiente poder gerar lucros e levar impactos positivos para as organizações. Nesse sentido, aponta oportunidades de negócios, como concessões de unidades de conservação e créditos de carbono.

O jeito Alice de empreender Autores: Mônica Balestieri Berlitz Editora: Ideal Books Páginas: 240 Preço: R$ 44,90
Aborda os bastidores da criação da comunidade do Facebook Clube da Alice, que nasceu com o objetivo de ajudar negócios comandados por mulheres e que hoje possui mais de 560 mil integrantes. A autora e idealizadora do clube considera que, assim como a personagem de Alice no País das Maravilhas, também tem a curiosidade com uma de suas características.

A Árvore-Mãe – Em busca da sabedoria da floresta
Autores: Suzanne Simard Editora: Zahar Páginas: 408 Preço: R$ 109,90
Diz a apresentação: “Este não é um livro sobre como podemos salvar as árvores. É sobre como as árvores podem nos salvar”. Conta a história da descoberta pela autora, ecologista e pesquisadora, de que as árvores fazem parte de uma rede interdependente, ligadas por um sistema de canais subterrâneos através dos quais trocam nutrientes e se relacionam.

Emergência Climática
Autores: Matthew Shirts Editora: Schwarcz, selo Claro Enigma Páginas: 112 Preço: R$ 49,90
O autor, jornalista com foco em meio-ambiente, explica por meio de uma linguagem descomplicada e o uso de gráficos e fotografias, fatos envolvendo o aquecimento global e a emergência climática. Aponta os desafios de um acordo global para combate ao aquecimento e a importância do Brasil neste panorama e o que esperar do futuro.


Empresas, organizações não governamentais e sociedade se unem para acabar com os resíduos plásticos

O cenário é alarmante para a produção de resíduos, em especial o plástico. De acordo com o estudo The Global Plastics Outlook: Policy Scenarios to 2060 (“A Perspectiva Global do Plástico: Cenários de Políticas para 2060”, em tradução livre), divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em junho deste ano, a quantidade de material plástico produzida pode triplicar até 2060, com 50% dos resíduos descartados em aterros sanitários e menos de um quinto sendo reciclado no mundo. E quem acredita que a projeção está superestimada, basta colocar uma lente sobre a realidade atual para constatar que não.
Das 460 milhões de toneladas de plástico produzidas em 2019 no mundo, 353 milhões viraram resíduo – apenas 9% foram reciclados. Desse montante, 19% foram incinerados, 50% acabaram em aterros controlados e 22% foram abandonados em aterros ilegais. Ainda segundo a OCDE, entre 75 milhões e 199 milhões de toneladas de plástico foram parar nos oceanos.
A problemática do plástico vai em duas direções: seu amplo uso no setor varejista e de serviços e sua longa decomposição – uma garrafa pode demorar mais de 400 anos para se desintegrar. “O problema não é o plástico como material, mas como resíduo”, comenta Beatriz Luz, fundadora da Exchange 4Change Brasil e diretora do Hub de Economia Circular Brasil.
Para ela, a transformação desse cenário exige mudança do ecossistema “Não adianta ter uma embalagem biodegradável se a empresa não tem como destiná-la à compostagem, porque a proposta de valor não será alcançada”, diz. “É melhor que seja 100% reciclável e volte ao início da cadeia por meio de coleta seletiva.”
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico, o índice de reciclagem mecânica do plástico pós-consumo no país foi de 23,1%, no último levantamento feito em 2020. Nas cooperativas de reciclagem, o material ainda tem baixo valor agregado. As recicladoras chegam a pagar R$ 7 pelo quilo do alumínio e cerca de R$ 1 o do plástico pós-consumo, exceção feita ao PET, mais valorizado. Na outra ponta, o Brasil está entre os maiores produtores de lixo plástico do mundo, com cerca de 11,3 milhões de toneladas por ano, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
Todos os elos da cadeia precisam se engajar nessa mudança. Do lado da demanda, diversas companhias já entenderam o recado. No Brasil, a Unilever, por exemplo, aderiu ao Tratado Global do Plástico, que se concentra na reciclagem e redução do uso de plástico virgem. “Nos comprometemos a reduzir pela metade o uso de plástico virgem em nossas embalagens até 2025, o que significa deixar de colocar 100 mil toneladas do produto em circulação”, diz Zita Oliveira, gerente de sustentabilidade para a América Latina. Outra meta é garantir que todas as embalagens sejam totalmente reutilizáveis, recicláveis e compostáveis. A jornada começou há quatro anos. Entre 2018 e 2021, a empresa reduziu o uso de cerca de 18 mil toneladas de plástico virgem em suas embalagens. “Fomos pioneiros na adoção de resina plástica pós-consumo em larga escala, com 100% de uso nas marcas de produtos de limpeza e em boa parte de higiene pessoal.” O material já está presente nas tampas dos cremes de tratamento da TRESemmé e do desodorante Rexona roll-on.
Nós avaliamos quanto de plástico a empresa usa, e retiramos a quantidade equivalente para ser reciclado”
Para Marília Rocca, CEO do Hinode Group, é preciso desconstruir a ideia de que trabalhar com sustentabilidade é caro e isso passa pela mudança de mentalidade das lideranças. “Em 2020, contratamos uma consultoria para nos ajudar a criar uma jornada mais sustentável e adotamos uma calculadora de impacto ambiental”, afirma. “Passamos a ter uma visão multifacetada do negócio, a ter um olhar macro para preparar os lançamentos e redesenhar as linhas, analisando o que recicla e traz melhor rentabilidade nas cooperativas, oferece praticidade no transporte pós-consumo e provoca menos impacto.”
Com a mudança do tipo de plástico nas embalagens, redução do peso e mudança das válvulas, a Hinode registrou uma redução de 23% no peso do portfólio desenhado em 2021, que envolveu 56 itens. O custo do frete caiu 30% e houve um aumento de 36% no volume de carga de pallets de perfumaria e de 27% na de cuidados pessoais. Em 2023 serão redesenhados 83 SKUs de um portfólio de 320 itens.
Assim como a indústria de produtos de higiene e beleza, os segmentos de alimentação e bebidas têm buscado novas soluções, a fim de cumprir as metas. É um desafio grande para uma cadeia com alto consumo e descarte de plástico de uso único. O mercado de água mineral já deu a largada. É uma das novas fronteiras da substituição de embalagens. Só em 2020, o uso de produtos embalados em caixinha cresceu 20%. “No mundo temos 200 marcas no portfólio com esse perfil, no Brasil são quatro, com expectativa de expansão, uma vez que o consumidor brasileiro está bebendo 41% mais água que em 2017”, diz Danilo Zorzan, diretor de marketing da Tetra Pak Brasil. “Nossas embalagens cartonadas são compostas por materiais recicláveis, como papel obtido de florestas certificadas e plástico proveniente da cana-de-açúcar, com baixa pegada de carbono.”
A Ambev há 12 anos vem investindo em mudanças na marca Guaraná Antarctica. “Em 2020, 80% das garrafas eram produzidas a partir de material reciclado e em 2021, 100% foram produzidas com plástico não virgem”, diz Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de Sustentabilidade. “Nas demais linhas de refrigerante, a média chega a 50% e a meta é eliminar a poluição plástica de todas as embalagens até 2025.”
Com a Aceleradora 100+, a companhia está escalando inovações de impacto. Em 2021, investiu na growPack, startup responsável por uma tecnologia regenerativa que possibilita o desenvolvimento de uma solução alternativa ao plástico e, mais recentemente, apostou em uma startup cuja técnica é capaz de separar a tinta do plástico pós-uso, garantindo a produção de uma resina mais pura.
Contudo, para que as empresas cumpram seus objetivos, é preciso estimular a outra ponta, a coleta de materiais já usados. Nessa seara, a Plastic Bank, organização de origem canadense e presente no Brasil desde 2019, trabalha para construir um ecossistema de reciclagem mais eficaz junto a comunidades costeiras vulneráveis. O objetivo é evitar que o plástico caia nos oceanos e, por isso, trabalha em um raio de 20 quilômetro da costa. “Atuamos em oito países, com altos índices de pobreza e de plástico nos oceanos”, diz a country manager, Helena Pavese. Ela conta que são mais de 4,2 mil catadores cadastrados, que já coletaram 3,1 milhões de quilos de plástico. Para isso, percebeu que precisa agregar mais valor ao cuidado com o resíduo.
Começou a haver gargalo de matéria-prima, o que prova que a realidade está mudando e que a economia circular é viável”
“No Brasil, contamos com 82 locais de coleta que trabalham com reciclagem em cinco estados, aos quais oferecemos treinamento, disponibilizamos um aplicativo de gestão de estoque, material de operação, como balanças e bags, além de um bônus de 1 centavo de dólar por quilo adquirido pelo catador, o que aumenta os ganhos em cerca de 40%”, afirma Pavese. Em junho, a organização inaugurou seu centro de coleta e reciclagem na comunidade da Rocinha, no Rio, depois de dois anos de negociação. Desde então, foram coletados mais de 12 mil quilos de plástico, o equivalente a 623 mil garrafas PETs que deixaram de ser lançadas no oceano.
Pavese destaca que depois de coletado, o plástico é reciclado, processado e transformado em matéria-prima sustentável, denominada “plástico social”. Da coleta ao destino final, todos os passos são registrados em uma plataforma blockchain para dar transparência nos números e facilitar verificação nos relatórios. A Plastic Bank também criou um serviço de compensação pelo uso do plástico, que funciona de maneira similar ao mercado de carbono. “Nós avaliamos a pegada plástica da empresa, ou seja, quanto de plástico usa, e com base nesse cálculo, retiramos a quantidade equivalente do meio ambiente para que seja reciclado”, diz Pavese. Um exemplo é o da Wella, fabricante de produtos para cabelos. Para cada embalagem vendida dos produtos da linha We Do, a Plastic Bank retira oito garrafas plásticas do meio ambiente.
Com o mesmo conceito, a eureciclo, certificadora de logística reversa de embalagens do país, criou um mecanismo de oferta e demanda de certificados de reciclagem rastreáveis. O objetivo, segundo Marcos Matos, sócio-fundador, é elevar as taxas de reciclagem e criar valor para todos os agentes da cadeia. “Ao direcionar para reciclagem resíduos equivalentes aos que produzem, em peso e material, as companhias remuneram cooperativas e operadores pelo serviço ambiental prestado e recebem os Certificados de Reciclagem como forma de comprovação legal”, afirma Matos.
Desde que iniciou as operações, em 2017, a eureciclo já compensou mais de 400 mil toneladas de resíduos pós-consumo, com remuneração de mais de R$ 23 milhões para as centrais de triagem. Hoje, são mais de 6 mil empresas certificadas, entre elas a BRF, cuja margarina Qualy, em conjunto com a eureciclo, compensou 4,2 mil toneladas de plástico nos últimos seis meses. “Foi uma das primeiras no país a contribuir com o desenvolvimento da cadeia de reciclagem do polipropileno e a única marca de margarina a compensar 100% de suas embalagens”, diz Matos.
Os benefícios do avanço desse movimento são enormes. Segundo cálculos utilizados pelo mercado para medir o impacto positivo do plástico reciclado pós-consumo, a cada tonelada produzida é possível reduzir 2.000 quilos de gases efeito estufa; 3.020 kilowatt-hora de consumo de energia elétrica; 7.800 litros de água em todo o processo, e 1.000 quilos de plástico na natureza.
“Precisamos parar de enterrar dinheiro nos lixões”, diz Moisés Weber, diretor da Plastiweber, empresa de soluções sustentáveis em plástico. A empresa, que nasceu há 25 anos como fabricante de filmes plásticos para a área agrícola, este ano provou que é possível reciclar embalagens flexíveis, até então descartadas. São produzidas 12.000 toneladas/ano de embalagens recicladas e a estimativa de faturamento em 2022 é de R$ 160 milhões, acima dos R$ 130 milhões registrados no ano passado. “Começamos na reciclagem quando sobrava sucata, de 2019 para cá, começou a haver gargalo de matéria-prima, o que prova que a realidade está começando a mudar e que a economia circular é viável.”


Rentável e de fácil manuseio, o alumínio chega ao índice de reciclagem 98,7%, que equivale a 33 bilhões de latas reaproveitadas Índice de reciclagem de alumínio chegou a 98,7% em 2021, o que equivale a 33 bilhões de latas reaproveitadas
Márcia Foletto/O Globo
Enquanto a indústria do plástico busca caminhos para tornar a embalagem menos problemática ao meio ambiente, a do alumínio tornou-se um case de sucesso envolvendo todos os atores da cadeia, com números vistosos para exibir. No ano passado, por exemplo, o índice de reciclagem de alumínio chegou a 98,7% no Brasil, o que equivale a 33 bilhões de latas reaproveitadas. E a boa performance não vem de hoje. Há 10 anos, essa taxa era de 95%.
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Lata de Alumínio (Abralatas), Cátilo Cândido, destaca que esta é uma cadeia muito bem estruturada, com ganhos para quem coleta, quem transforma e para os fabricantes, formando o ciclo completo da economia circular. “Além do bom valor de revenda em relação a outros materiais, a ‘latinha’ também é de fácil manuseio e não ocupa tanto espaço, o que facilita para as pessoas que reciclam acumularem um volume que compense na hora da revenda”, diz Anne Caroline, catadora de materiais recicláveis e influenciadora digital. Um quilo de alumínio para reciclagem custa em torno de R$ 7 – enquanto o plástico para reciclagem vale R$ 1, em média.
O alumínio é 100% reciclável e pode ser reciclado infinitamente sem perder suas propriedades. De acordo com estudo do International Aluminium Institute (IAI), na média, uma latinha tem 70% conteúdo reciclado, cerca de 34% a mais do que o vidro e a garrafa PET. Outra vantagem é o ciclo de consumo. Do momento da coleta até o retorno à indústria como matéria-prima reciclada são apenas 60 dias. Segundo a Abralatas, 75% do aço extraído está em circulação. Não à toa, o mercado de reciclagem de alumínio movimenta cerca de R$ 5 bilhões no país, e envolve mais de 800 mil pessoas direta e indiretamente, segundo estimativas, e está em franca expansão, em todas as etapas da cadeia.
O Grupo Maeda, com sede em São Paulo, acaba de investir R$ 1 bilhão na criação de uma unidade dedicada ao processamento do material. Com o investimento, vai sair das atuais 3,5 toneladas diárias e chegar a 20 toneladas por dia até 2023, segundo Leonardo Maeda de Carvalho, CEO da companhia. Hoje, diz ele, a empresa beneficia cerca de 800 toneladas de resíduos de plástico, papelão, metais e alumínio por mês, vindos de 54 empresas diferentes. “O alumínio tem margem alta de rentabilidade, alcançando 19% de lucro líquido no atacado.”
Na líder mundial em laminados e reciclagem de alumínio, a Novelis, 76% das chapas produzidas são feitas a partir de alumínio reciclado. “No fim dos anos 1990, a produção de latas de alumínio era de 8 bilhões de unidades, hoje é de 36 bilhões, crescimento que nos levou a sair de uma produção de 30 mil toneladas de chapas por ano para uma meta de 750 mil toneladas em 2024”, afirma Beatriz Sobreira, gerente de Sustentabilidade. A Novelis conta com 14 centros de coleta no Brasil e um caminhão circulante fazendo a coleta com pequenos distribuidores.
No fim de 2021, a companhia concluiu a rodada de investimentos de R$ 750 milhões para expansão dos centros de coleta de São Paulo e Salvador. Com isso ampliou a capacidade de produção de chapas de alumínio para 680 mil toneladas por ano e a de reciclagem para 490 mil. Em 2022 anunciou novos investimentos, que aumentarão a capacidade de laminação até 2024. Entre os clientes estão Ball Corporation, Crown, Ardagh, CanPack e AB InBev.
A indústria brasileira, porém, ainda se vale de alumínio primário, não reciclado. Mesmo essa atividade, intensiva na produção de carbono, já corre atrás para diminuir sua pegada de carbono. A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, é um exemplo de empresa que segue a jornada de descarbonização do material.
A meta da CBA é reduzir 40% as emissões de CO2 da mineração aos produtos fundidos até 2030, em comparação a 2019. Já reduziu 25,4%. “Somos uma empresa de produção de alumínio verticalizada. Isso significa que temos uma cadeia integrada”, diz Leandro Faria, gerente geral de Sustentabilidade da CBA. Desse modo, com a cadeia produtiva terceirizada menor, concentra na sua produção boa parte do desafio de descarbonização.
Segundo Faria, cerca de 19% das emissões vêm da etapa do refino da bauxita, para transformá-la em óxido de alumínio. Outros 72% são emitidas na fundição para alumínio líquido. A empresa investiu para que as caldeiras queimem biomassa ao invés de gás ou óleo. “Só essa substituição resultou em 63% de redução para esta etapa em 12 meses, o que significa passar de 0,5 para 0,2 tonelada de CO2 gerada para cada tonelada de óxido de alumínio produzido”. A média nas Américas é de 1,2 tonelada do gás.
Como resultado das mudanças, hoje são geradas 2,56 toneladas de CO2 equivalente por tonelada de alumínio líquido, abaixo de 2020 (2,66 t de CO2) e bem menor que a média de outras empresas, de 12,8 toneladas de CO2, segundo o IAI. “Trabalhamos em parceria com universidades e startups em busca de tecnologias para diversas formas em nossa operação”, diz Faria.
Para fechar o ciclo, o case de sucesso do alumínio não esqueceu de envolver o consumidor. Com sete marcas de bebidas no portfólio, a Better Drinks foca no público jovem, mais atento às questões de sustentabilidade. No portfólio, que vai de drinks prontos até vinhos em latas, mais de 50% das embalagens são de alumínio, de acordo com o co-fundador Felipe Szpigel. Há três meses, diz ele, a empresa lançou a Mamba Water, água mineral vendida em latas de alumínio. Segundo Szpigel, a cada unidade vendida, um litro de água é doado a programas de acesso à água potável. O primeiro parceiro selecionado foi o Sistema Integrado de Saneamento Rural-SISAR, no Ceará.
A jornada da Vivant, pioneira no lançamento do vinho em lata, já está mais avançada. A marca responde por 60% do mercado de vinho em embalagem de alumínio, que, por sua vez, corresponde a 10% do mercado total da bebida. “Este ano devemos vender em torno de 3 milhões de latas, o equivalente a 1 milhão de litros, movimentando cerca de R$ 40 milhões, a preço de consumidor”, afirma Szpigel. Com presença em 2 mil pontos de venda até dezembro, a Better Drinks quer vender 20 milhões de latas em 2023 e faturar R$ 1 bilhão em cinco anos. A estimativa para este ano é de R$ 100 milhões em receitas.


Descarte correto de aparelhos eletrônicos leva à transformação dos equipamentos em matéria-prima para a indústria

O descarte correto de eletrônicos insere na roda da circularidade produtos como celulares, notebooks, tablets, baterias, carregadores, CPUs, modens e cabos, entre outros. A medida evita que sejam jogados em aterros itens tóxicos como lítio e cobalto e promove o reaproveitamento de materiais como vidro, plástico e borracha
Para o descarte ambientalmente correto, há dois caminhos: empresas que recebem os aparelhos e companhias de logística reversa que retiram os equipamentos em casas ou empresas, levando-os para reciclagem. No primeiro caso estão organizações como a Vivo, que desde 2006, possui um programa de reciclagem. Suas 1,7 mil lojas espalhadas pelo país recebem o material. No segundo caso estão empresas como a GM&C, que também faz a reciclagem, e Reciclo, para citar alguns exemplos.
O passo seguinte rumo à reciclagem é a triagem do material. Aparelhos ou peças que ainda têm condições de uso são reaproveitados ou remontados para a venda. A Vivo explica que os celulares descartados em suas lojas vão para reciclagem – não são reaproveitados, mesmo que ainda tenham condições de uso.
O destino dos aparelhos não reaproveitados é a reciclagem. Nesta etapa, é feita a separação dos materiais que compõe o produto, o que exige tecnologia específica para fazer esse trabalho. Com capacidade para processar 30 mil toneladas por ano, a GM&C faz isso diariamente. O processo consiste em triturar os objetos, e depois separar os materiais os componente com máquinas que utilizam principalmente campo elétrico.
Separados, eles se tornam matéria-prima para a indústria e, assim, completam o ciclo de circularidade. O cobalto, por exemplo, volta a fazer parte de baterias; metais são aproveitados na siderurgia. Os demais podem ou não voltar a se tornar parte de eletrônicos, mas são reutilizados.
A GM&C diz que 100% do material enviado pela Vivo é reciclado. Em 2021, a telefônica destinou 9,2 toneladas de eletrônicos para reciclagem. Para este ano, a meta é 10 t.


Fabricantes tentam driblar desafios para atender um mercado em ascensão
André Mello
Naturais, veganos, livres de componentes animais, sustentáveis. As classificações de produtos também chamados de “verdes” é tão extensa quanto a oferta de itens à disposição do consumidor, em praticamente todos as seções do varejo. Só o mercado de cosméticos naturais no Brasil, estimado em R$ 10 bilhões, em 2020, pela pesquisa Natural Personal Care, realizado pela consultoria Factor Kline, deve chegar a 2025 com receita na casa dos R$ 17 bilhões, de acordo com o mesmo estudo.
Já a Euromonitor Beauty and Personal Care 2020 Brasil, outro levantamento sobre o setor, mostra que, enquanto o mercado de cosméticos tradicionais cresceu em média 5%, os naturais cresceram 10% no mesmo período.
Os bons números sustentam o otimismo com que os fabricantes falam do futuro, mas não minimizam os desafios enfrentados no dia a dia para colocar itens sustentáveis no mercado. “Não há legislação no Brasil que regulamente o que é natural e o que não é. E isso traz problemas muito sérios. Da confusão que causa no consumidor ao greenwashing”, afirma Beatriz Branco, diretora de marketing da marca suíça Weleda.
O greenwashing a que ela se refere, ou maquiagem verdade, em tradução livre, é o termo usado para empresas e produtos que se apresentam como sustentáveis sem serem. O que, para a Weleda, que há mais de 100 anos só trabalha com produtos à base de plantas, é um grande problema. “O conceito mais percebido pelo consumidor brasileiro é o teste em animais. Mas isso não tem nada a ver com o produto ser natural ou não. Nunca testamos em animais, mas não quer dizer que somos veganos”, completa a executiva pedindo ética das companhias para posicionarem seus produtos como eles realmente são.
A disputa pela atenção do consumidor, porém, vai muito além do posicionamento de cada concorrente. Produtos sustentáveis podem custar entre 30% e 40% mais que os tradicionais, e não só por usarem matérias primais mais nobres, mas sobretudo pela pouca disponibilidade desses insumos.
Um exemplo é o silicone, de origem mineral, cuja aplicação vai dos cosméticos a próteses e automóveis. “Como nosso consumo é menor que outros setores, quando há falta na cadeia de distribuição, estamos no fim da fila dos fornecedores”, exemplifica o diretor de pesquisa e desenvolvimento do grupo O Boticário, Gustavo Diemant citando outros exemplos, como óleo de girassol, cujos maiores produtores globais são Rússia e Ucrânia.
Suelma Rosa, líder de reputação e assuntos corporativos no Brasil e América Latina da Unilever não apenas concorda como acrescenta outras dificuldades ao extenso rol de barreiras a transpor. “Quando se pensa em ingredientes, tem-se duas limitações importantes: o custo é alto, a oferta é baixa e há muitos novos entrantes no mercado. Por outro lado, todo o processo de desenvolvimento de novos componentes é extremamente demorado. No caso de pesquisas científicas, pode-se levar até dez anos”, afirma a executiva. Ela acrescenta que uma das estratégias da companhia para ampliar a oferta de produtos sustentáveis tem sido, além de pesquisa e desenvolvimento, a aquisição de marcas já estabelecidas no mercado, a exemplo da compra da brasileira Mãe Terra, de alimentos naturais e orgânicos, em 2017.
No Boticário, diz Diemant, o processo de introdução de novos fornecedores e de matérias-primas não demora menos que 60 dias, com avaliação de itens que consideram se o candidato a novo fornecedor não faz uso de produtos químicos, como solventes, se não tem trabalho escravo na ponta da cadeia, e se o item em questão não provém de desmatamento. “São 90 itens de avaliação e um deles é se há traço animal na matéria-prima”, conta.
Na Natura que, de acordo com a diretora de marketing, Denise Coutinho, usa cerca de 41 ingredientes biológicos em suas fórmulas, há 85 cadeias de fornecimento, envolvendo cerca de 40 comunidades instaladas especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, com mais de 8 mil famílias envolvidas, a matéria-prima é uma questão relativamente resolvida para atender um portfólio onde 93% dos produtos são veganos e 96% são biodegradáveis. “Sempre começamos pela estruturação da cadeia de fornecimento para desenvolver a escala”, explica ela.
De acordo com a executiva, o grande problema na Natura hoje é obter escala com vidro reciclado. Quando a empresa começou em perfumaria, em 2006, nem 20% dos vidros era reciclados. “Hoje estamos entre 30% e 40%. E todos or produtores estão buscando a mesma coisa, não só na área de cosméticos”, completa.
O preço que a indústria paga por embalagens, matérias primas e logística para oferecer produtos mais sustentáveis, inevitavelmente vai parar no ponto-de-venda. “Eu perco no preço porque não tem separação entre o meu produto, que é realmente natural, e os que não são”, lamenta Branco, da Weleda.
Rosa, da Unilever, adiciona à discussão a questão da falta de reconhecimento por parte do consumidor do que é sustentável e o que não é. “E o ponto-de-venda é essencial para ajudar nessa distinção”, pontua.
O Grupo Pão de Açúcar, varejista que trabalha com mais de 1,2 mil produtos orgânicos nas lojas, tem uma estratégia para essas linhas. “Colocamos os produtos verdes de forma agregada, criamos um ambiente saudável e oferecemos uma boa experiência de compra para os clientes”, explica Renata Amaral, gerente de sustentabilidade da empresa (veja matéria abaixo).
Difícil encontrar empresa de grande porte que não esteja ao menos começando sua jornada mais sustentável. No Boticário, diz Diemant, mais de R$ 100 milhões já foram investidos em práticas ESG. O esforço, porém, ainda não se traduz em receita, quando o assunto são as vendas de produtos verdes. Segundo ele, 75% dos consumidores percebem valores sustentáveis por trás dos produtos, mas apenas 30% a 40% optam por comprá-lo. “Quando você coloca um produto ao lado do outro, a opção é pelo mais em conta.”
A pandemia deu impulso ao auto-cuidado e também acentuou a percepção de que o que é natural é melhor para o mundo. Mas enquanto os fabricantes não resolvem os atuais gargalos, a conta continuará em equilíbrio no ponto de venda.

O certificado Recicla+ consiste em um documento que comprova a restituição ao ciclo produtivo da massa equivalente de matéria-prima de embalagens ou de produtos colocados no mercado, e pode ser usado por empresas para cumprir suas metas de logística reversa O decreto nº 11.044/2022 instituiu o Certificado de Crédito de Reciclagem (Recicla+) como instrumento para implementar sistemas de logística reversa. O certificado consiste em documento que comprova a restituição da massa equivalente de matéria-prima de embalagens ou de produtos colocados no mercado. Pode ser usado por empresas para fins de cumprimento de metas relacionadas à logística reversa.
Passados mais de 10 anos da publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010) – que trouxe os conceitos de responsabilidade compartilhada e logística reversa – a implementação dessa última ainda se revela desafiadora à luz de diversos fatores. Pulverização de normas, tratamentos distintos por entes federativos, dificuldades de infraestrutura e operacionais continuam a trazer complexidades que dificultam a implementação da norma.
O sistema de compensação por meio do certificado surge como instrumento facilitador, visando aprimorar a implementação e a operacionalização da logística reversa, o aproveitamento dos resíduos sólidos e sua volta à cadeia produtiva.
Para utilizá-lo com fins de comprovação de atendimento às suas metas, o fabricante, importador, distribuidor e/ou comerciante de produtos ou embalagens deve ser aderente ao modelo coletivo de sistema de logística reversa estruturado e gerenciado por entidade gestora.
As empresas que quiserem utilizar tal sistema de compensação devem buscar as respectivas entidades gestoras cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR+).
Como em todo sistema de compensação, preocupações emergem em relação à solidez do lastro dos certificados, à verificação adequada da constituição desses, à precisão do cruzamento de informações, dentre outras. Para endereçar tais preocupações, a referida norma traz mecanismos de controle e governança.
A emissão do documento deve ser lastreada em certificados de destinação final de resíduos, Manifesto de Transporte de Resíduos (MTRs), e em notas fiscais das operações com produtos ou embalagens destinados à reciclagem ou à recuperação energética.
Um sistema de cruzamento de informações, por sua vez, é usado. De acordo com a norma, a entidade gestora deve implementar um sistema de informações eletrônico (black box), com a captura de dados anônimos das empresas e obtenção, com confidencialidade, da quantidade dos produtos ou de embalagens disponibilizadas no mercado e retornadas ao setor produtivo, de forma integrada com o MTR.
Além disso, os resultados obtidos pelas entidades gestoras, empresas e operadoras de sistemas de logística reversa de produtos ou embalagens deverão ser validados por verificador independente.
Com a publicação do decreto, a expectativa é de que, partindo desta regulamentação em âmbito federal, estados normatizem a prática em nível estadual. Vale citar que determinados Estados já possuíam sistemas de compensação por meio de certificados e possivelmente adequações serão implementadas.
A contemporaneidade da norma certamente gerará dúvidas, como já vem gerando desde a sua publicação no mês de abril de 2022, e um esforço do mercado para compreender e utilizar as oportunidades trazidas por ela. De todo modo, mesmo à luz das incertezas iniciais que permeiam novos regramentos, a criação de um sistema de allowances em tema tão complexo como logística reversa dá um novo tom e ilustra o espírito de modernização e fomento à sua implementação.
Guilherme Mota e Vitor Mülbert são, respectivamente, sócio e advogado da área ambiental do escritório Lefosse.


A indústria automotiva se vale do upcycling, técnica na qual itens inutilizados adquirem funções diferentes daquelas para as quais foram inicialmente pensados, para gerar menos resídulos e gerar renda para comunidades ao redor das fábricas Associação Borda Viva faz bolsas a partir de cintos de segurança, restos de tecido e de couro de carros da Renault
Divulgação/Instituto Renault
Em uma cadeia de produção, por mais que toda a linha de montagem seja concebida com a ideia de que não haja sobras, é natural que algo fique pelo caminho. Mas e se os materiais que necessariamente seriam descartados ganhassem novo uso, gerando renda a comunidades no entorno das fábricas? Este tem sido o compromisso de algumas multinacionais da indústria automotiva, a partir do chamado “upcycling”. O termo é sinônimo de “reutilização para cima”, em uma técnica na qual itens inutilizados adquirem funções diferentes daquelas para as quais foram inicialmente pensados.
Fundado para implementar a estratégia de Responsabilidade Social da Renault do Brasil, o Instituto Renault já reaproveitou mais de 12 toneladas de materiais desde que passou a apoiar, em 2015, dois projetos sociais. Naquele ano, a entidade contratou uma agência especializada para fazer uma espécie de censo do bairro Borda do Campo, na cidade de São José dos Pinhais (PR), onde fica a fábrica. A ideia era mapear as lideranças da comunidade e, a partir delas, pensar em como sanar problemas sensíveis, como a insegurança alimentar de moradores. Foi quando o instituto conheceu duas organizações do bairro: a Amarb (Associação dos Moradores e Amigos da Roseira e Borda do Campo) e a Associação Borda Viva.
Viviane Mansi, da Fundação Toyota: produtos têm design diferenciado
Divulgação/Toyota
“Passamos de uma política de filantropia para uma lógica de desenvolvimento humano. Queríamos um projeto que fosse autossuficiente”, explica Caíque Ferreira, vice-presidente do Instituto Renault e diretor de comunicação da Renault para a América Latina. Nascia, então, a iniciativa que destina produtos como cintos de segurança, restos de tecido e de couro para serem transformados por costureiras em bolsas, mochilas, nécessaires e outros itens e vendidos ao público final – o lucro é direcionado às trabalhadoras. Os produtos variam de R$ 35 a R$ 310.
Além das 75 concessionárias de todo o Brasil, a companhia comercializa as coleções na Boutique Renault, site nacional de produtos oficiais da marca e até no icônico L’Atelier Renault, localizado na Champs-Élysées, em Paris. “Os produtos são, para nós, como peças de carro, tanto é que estão no nosso catálogo”, destaca Ferreira. Segundo ele, a Renault é uma empresa Aterro Zero, o que significa que 100% dos resíduos gerados na produção são corretamente destinados. Mas, no caso dos cintos, por exemplo, apesar de já chegarem à fábrica prontos para serem instalados nos carros, o fornecedor gerava sobras. “De qualquer forma, era um material que ficava sob nossa responsabilidade.”
Valor Econômico
Imagem Valor Econômico
Na Fundação Grupo Volkswagen, a iniciativa de upcycling nasceu em 2009, com o projeto Costurando o Futuro. Por meio dele, costureiras de comunidades do entorno da fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP) têm à mão, além dos cintos de segurança, também tecidos automotivos que seriam descartados. “Este tipo de matéria-prima demanda técnicas diferenciadas e agulhas adequadas. Pela sua tecnologia, que confere boa resistência e durabilidade, os tecidos de bancos são os preferidos das costureiras, já que são capazes de virar desde uma mochila até um jogo americano para mesa de jantar”, conta o diretor de Administração e Relações Institucionais da Fundação Grupo Volkswagen, Vitor Hugo Neia.
A companhia investiu na capacitação das integrantes do projeto para as técnicas mencionadas pelo executivo, em uma parceria com o Instituto Focus Têxtil – 60 pessoas já passaram pelas formações básicas de corte e costura e estão aptas a produzir e vender os itens em eventos organizados nas plantas e unidades de negócio da montadora. Até o momento foram reaproveitadas cerca de 100 toneladas de material têxtil. Em 2019, o faturamento dos produtores nos bazares (suspensos durante a pandemia) foi de R$ 35 mil. Os itens estão à venda também no e-commerce, pelo site do Costurando o Futuro. O próximo passo é lançar uma coleção especial de peças feitas com um tecido listrado, branco e azul, originado do banco da última edição da Kombi, produzida no Brasil e que saiu de linha em 2013.
“Antigamente, a gente olhava para esse tipo de produto [feito com técnicas de reutilização] e parecia artesanato. Hoje, eles têm um design diferenciado, que eu compraria em qualquer lugar”, diz Viviane Mansi, presidente da Fundação Toyota do Brasil e diretora de Sustentabilidade da Toyota. Não é para menos. As costureiras apoiadas pelo Projeto Retornar, ação de upcycling da marca já tinham, no catálogo, itens como estojo, nécessaire e mochila. Mas, no ano passado, veio a ideia de produzir também roupas para animais de estimação. Só dessa nova linha já foram vendidas mais de 200 unidades, disponíveis no site Projeto Retornar. A estimativa de renda gerada para cada costureira é de R$ 900 mensais, em média.
Ainda de acordo com a presidente da Fundação Toyota, a montadora tenta trabalhar com o conceito de zero desperdício, mas há elementos que naturalmente restam, como airbags, tecidos automotivos e uniformes. Além do e-commerce, os produtos também viram brindes nas concessionárias, sendo que mais de 81 mil itens já foram feitos com esta finalidade, a partir de um total de sete toneladas de resíduos reutilizados.
A produção fica com as cooperativas Uni Arte, em Indaiatuba, e ASCA (Associação Social Comunidade de Amor) em Sorocaba, ambas no interior de São Paulo. A parceria tem se fortalecido para além do upcycling, já que algumas das costureiras produzem parte do tecido do Toyota Etios Aibo, versão furgão do hatch. Para Judite Fernanda Simionato, diretora presidente da Uni Arte Costura, a geração de renda para as cooperadas proporciona benefícios intangíveis. “Existe um ciclo grande de movimento financeiro, não necessariamente de valores, mas de importância. Quando a mulher recebe, é para atender a necessidades básicas da casa, dos filhos, mas esta rentabilidade não é uma assistência: é um fruto de seu trabalho.”
Já no caso do BMW Group, o projeto é o Upcycle Element, que surgiu em 2020 como uma iniciativa para reaproveitar uniformes usados, já reutilizou mais de 600 quilos de matéria-prima e gerou R$ 130 mil em renda (revertida integralmente para quem produz) a partir da venda de itens como estojos, nécessaires e bolsas. “Ao longo da criação do conceito, percebemos que havia outros materiais excedentes da produção que também eram descartados e coprocessados, como cintos de segurança, couro dos assentos e peças, fivelas, além de embalagens de tecido, zíperes e fitas de amarração que, pela alta qualidade, poderiam ser reutilizados”, explica Otávio Rodacoswiski, diretor geral da fábrica do BMW em Araquari (SC). É no entorno desta unidade que moram as costureiras participantes.

Apesar das crescentes iniciativas ligadas à reutilização de materiais, parte da indústria automotiva ainda tenta encontrar alternativas para implementar uma economia circular, de fato Apesar das crescentes iniciativas ligadas à reutilização de materiais, parte da indústria automotiva ainda tenta encontrar alternativas para implementar uma economia circular, de fato. Uma delas é o processo de remanufatura, como explica Diego Iritani, fundador e consultor da Upcycle Brasil. “Basicamente, seria como pegar o motor de um caminhão usado e passá-lo por um processo em que volta novo, mas ainda como motor. Por definição, é preciso que tenha a mesma qualidade do motor novo, mas utilizando menos recursos, porque reaproveita muitas partes.” O procedimento ainda tem desafios para se fortalecer no Brasil, tais como barreiras para importação. Mas atuar junto a montadoras para pensar estratégias do tipo é um dos trabalhos da consultoria Upcycle Brasil, spin-off do Centro de Pesquisa e Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP). Fundada em 2017, ela lida com empresas de outros segmentos, como a Renner, com a qual desenvolveu o piloto da linha de jeans reciclado. A ideia é ajudar as companhias a desenvolverem produtos que se originam dentro da própria cadeia produtiva – porém, gerando menos impacto ambiental (e menos custos). A consultoria não divulga receita, mas, em 2021, teve 750% de alta no faturamento na comparação com 2020.
A economia circular na frota está no cerne da OCTA, marketplace que promove o desmonte consciente de veículos gerando boa oferta de peças, carcaças e recicláveis, segundo o CEO Arthur Rufino. “Nosso objetivo é criar um novo mercado no Brasil para desviar o atual consumo de peças em desmanches ilegais para empresas comprometidas com boas práticas”, complementa. A startup o faz por meio da venda ativa de veículos para centros de desmontagem e está desenvolvendo uma frente de venda de peças usadas. A companhia nasceu em setembro de 2021 e, em seis meses de operação, já gerou mais de R$ 2 milhões em transações e reciclou 650 toneladas de metais. Mais de 100 empresas fazem parte da rede da OCTA, o que inclui frotistas e centros de desmontagem veicular (CDVs). A expectativa é de que o número salte para 500 este ano.
Foi pensando em promover o reaproveitamento de peças e componentes de veículos que saem de circulação que a Porto Seguro criou a Renova Ecopeças, que se propõe a reutilizar “quase tudo” de forma segura e sustentável. “Hoje, a depender do estado de conservação do veículo que entra em nossa linha de desmontagem, é possível reaproveitar até 90% das peças retiradas, seja como reúso ou como resíduo para reciclagem”, afirma Daniel Borges, gerente de negócios da empresa.
A motivação para sua criação veio da Lei dos Desmontes, de 2014, que regulamentou a atividade de desmontagem veicular no Estado de São Paulo. Parte das peças vai para o estoque de vendas do site da Renova e outra é armazenada em contêiner específico e destinada a empresas especializadas em reciclagem. De acordo com Borges, itens como isolantes termoacústicos, peças de isopor, feltro e tapeçaria são mais difíceis de reaproveitar, por serem materiais menos nobres ou com baixa procura. O faturamento da Renova passou de R$ 380 mil por mês em 2019 para R$ 2,8 milhões em 2022. No ano passado, mais de 2 mil toneladas de resíduos foram corretamente destinadas.
E quando se fala em destinação ambientalmente responsável na cadeia automotiva, os pneus são sempre citados. Cerca de 13% do volume coletado de pneus convencionais são cortados em lâminas que servem para fabricação de produtos como percintas – que são usadas em assentos de sofás – e solas de calçado. O levantamento é da Reciclanip, uma entidade formada e gerida peça indústria de pneus, cuja operação começa a partir do momento em que o item é descartado em um dos 1.050 pontos de coleta espalhados pelo país, ou quando ocorrem campanhas de coleta em municípios que não têm esses pontos. Os pneus inservíveis coletados são destinados a empresas credenciadas no Cadastro Técnico Federal do Ibama, que os trituram. As fábricas de cimento utilizam outros 57% do volume coletado, já que, pelo alto poder calorífico, os pneus são utilizados como combustível alternativo em substituição a um subproduto do petróleo. O projeto começou em 1999, com o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis implantado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). “Este trabalho que [até então] teve um investimento superior a R$ 1,6 bilhões serve como exemplo para os demais setores que hoje iniciam suas operações de logística reversa”, pontua Klaus Curt Müller, presidente executivo da Anip.


Presença das mulheres no comando de franquias aumenta e os resultados das franqueadas são maiores onde elas lideram Grings, da Piccadilly: primeira mulher a assumir controle da fabricante de calçados em quase 70 anos de existência
Divulgação/Piccadilly
Terceira geração no comando da fabricante de calçados Piccadilly, Cristine Grings é a primeira mulher a presidir a companhia em 67 anos de operação. A chegada ao posto em 2015 foi vista com apreensão não apenas dentro de casa, mas também entre fornecedores e varejistas. A decisão, porém, estava bem embasada. “A indicação foi feita ao conselho pela consultoria especializada em governança familiar que auxiliou em todo o processo”, diz. “Eu tinha consciência de que se tratava não apenas de uma mudança de cadeira, mas de modelo de gestão”.
Em sete anos, a Piccadilly passou por uma transformação cultural. Adotou uma gestão mais humanizada, tornou-se mais aberta ao novo e acelerou a agenda ESG. “Eu acreditava que o que tinha trazido a companhia até os 60 anos não a levaria aos 100; daí a necessidade de adotar um modelo de gestão compartilhado, envolvendo as pessoas na construção do negócio e com ambiente diverso ”, diz.

Hoje, as mulheres respondem por 60% dos 2.000 postos de trabalho da companhia e ocupam 40% dos cargos de liderança. Pela metodologia do Great Place do Work, em 2021, foi certificada como ótimo lugar para se trabalhar, acima da média do mercado. No último ano, a franquia se tornou um negócio relevante e deve chegar a 30 unidades até dezembro, colaborando para a meta de R$ 400 milhões de faturamento, frente aos R$ 250 milhões de 2021. “Nossos números comprovam que ser uma empresa humanizada com olhar ESG faz sentido”, aponta Grings.
Para Renata Rouchou, diretora de expansão da Casa Bauducco, a trajetória feminina no franchising é uma escada da qual apenas metade dos degraus foram percorridos. “Meu primeiro trabalho com franquias foi em 1988. Muita coisa evoluiu nesse período, mas ainda há muito a ser feito”, diz, se referindo à necessidade demostrar “o dobro do trabalho” para se fazer ouvir. “A trilha era individual, agora passou a ser uma discussão coletiva”. Rouchou é a primeira mulher em cargo de direção em 70 anos da companhia, que deve fechar o ano com 130 unidades e receita de R$ 200 milhões. “A mulher trabalha pelo propósito do projeto, é transparente nas relações e traz para a gestão um olhar de colaboração, essencial para franquias”, afirma.
Foi sob a presidência de Cristina Franco que a Associação Brasileira de Franchising (ABF) realizou o primeiro estudo Liderança Feminina no Franchising. Publicado em 2015, o levantamento revelou que apenas 12% das cerca de 3.000 redes em operação na época tinham liderança exclusivamente feminina, percentual que saltou para 16% em 2020.
Ainda segundo a pesquisa, quanto mais nova a franqueadora, maior a presença de mulheres em cargos de decisão. Em companhias com até cinco anos, 40% das funções executivas são desempenhadas por mulheres. Porém, quando o olhar se volta para a rede franqueada, o salto é significativo, chega a 51% o volume de donas do próprio negócio.
A estatística é confirmada pela rede gaúcha Royal Trudel, comandada por Patrícia Bonafé Turmina. Das 56 unidades franqueadas, metade é liderada por mulheres. “Dentro da franqueadora, 70% dos cargos são ocupados por elas”, diz a empresária. “Temos um olhar bastante humano sobre as equipes, que também é alimentado pelos homens que trabalham conosco. Acredito que é o ambiente que transforma”. Com um faturamento estimado de R$ 32 milhões para este ano, a Royal Trudel vê na diversidade o equilíbrio para o bom desempenho. Não por acaso, um gestor trans coordena o treinamento dos franqueados.
“A presença mais forte das mulheres no sistema contribuiu para mexer o caldeirão do franchising de maneira diferente, trazendo para o ambiente de negócios mais competências ligadas à inteligência emocional”, afirma Franco, hoje vice-presidente do Conselho da ABF. “Na prática isso significa a adoção de um olhar mais humanizado, cooperação, compartilhamento e gestão horizontal, comportamentos que as lideranças masculinas começam a buscar”.
Criada em 2008 por Livia Cravo Sodré de Vilar, a LocaX Aluguel de Carros é um exemplo do avanço da liderança feminina em um mercado majoritariamente masculino. Ela assegura que mulher tende a pensar fora da caixa e tem determinação diante de desafio. “Sou advogada de formação e não demorei a perceber que para me fazer ouvir eu precisava saber muito mais do que os que estavam na mesa de negociação”, diz a CEO, que toma um tempo para se preparar para reuniões. “Difícil perder uma negociação”. A receita vale tanto para o comando da franquia, quanto para as ações no Sindicato das Locadoras de Automóveis da Bahia, onde é uma das três mulheres na diretoria. Com sete franquias em operação, a LocaX deve fechar 2022 com 30 unidades e um faturamento de R$ 10 milhões, o dobro de 2021.
Exceção no mercado de tecnologia no qual apenas 20% dos profissionais são mulheres, a Omie, plataforma de gestão na nuvem, que oferece educação e serviços financeiros para contadores, tem 49% dos 1.100 colaboradores diretos mulheres. Elas respondem por 46% dos cargos de liderança. “Justamente para virar esse cenário que trago as minorias para o centro das discussões”, afirma Aurora Suh, diretora de receita (chief revenue officer – CRO) da Omie, responsável pela geração de receita da plataforma de gestão na nuvem, que oferece educação e serviços financeiros para contadores. “Se você não traz a diversidade para dentro do negócio, ele não reflete a realidade da sociedade”.
Para tentar aumentar a equidade de gênero no varejo foi criado há quatro anos o Instituto Mulheres do Varejo. O objetivo é a troca de conhecimento, vagas e networking. O que começou com um grupo de WhatsApp informal, hoje conta com 300 executivas. “O grupo se fortaleceu durante esses anos, fez pesquisas, encontros de networking, conseguiu recolocar mulheres por meio de indicações, criou masterclasses, fez lives com auxílio psicológico, lançou um livro com histórias de 50 executivas contando todos os seus desafios no setor’, conta Sandra Takata, presidente do instituto.


Ainda são poucas as franqueadas com conselho consultivo, grupo que pode acelerar o crescimento Chayo, do Grupo Hope: “Agenda ESG faz parte da cultura desde a criação”
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Com receita estimada de R$ 200 milhões para este ano, 174 mil unidades franqueadas e 2.896 marcas em operação, o franchising brasileiro tem como um dos seus grandes desafios o avanço dos pilares de governança entre as redes, principalmente as de pequeno e médio porte. “Sem a adoção de um modelo de gestão pautado na transparência e orientado para a agenda ESG fica difícil crescer de maneira sustentável”, afirma Altino Cristofoletti Júnior, ex-presidente e membro do conselho da Associação Brasileira de Franchising (ABF). A primeira vez que a entidade trouxe o tema para discussão foi em 2006.
O movimento, porém, passou a ganhar mais força há cinco anos, com a agenda ESG saindo da teoria para a prática em muitas franquias. O período coincidiu com a chegada da nova geração de sucessores à direção das franqueadoras, mais preocupada com os impactos sociais e ambientais provocados pelas marcas e cadeia produtiva. “As mudanças já são perceptíveis, mas ainda morosas”, diz Melitha Prado, da Novoa Prado Advogados, especializada em franchising.
O escritório fez uma sondagem e constatou que menos de 25% das franqueadoras dispõem de conselhos consultivos. “Se levarmos em conta as pequenas redes e microfranquias esse percentual é ainda menor”, reforça Prado. “Muitas ainda não têm conselho de franqueados, prática não obrigatória, mas que contribui para melhoria das estratégias e desenvolvimento da rede”, diz ela.
Um dos primeiros a adotar os pilares da governança corporativa, o Grupo Boticário – responsável pelas marcas O Boticário, Eudora, Quem Disse, Berenice?; BeautyBox, e outras – defende que a agenda ESG faça parte da estratégia da marca em todas as suas frentes. “Quando falamos de ESG estamos falando de negócios mais rentáveis, eficientes e sustentáveis. Daí a necessidade de engajar a cadeia ampliada, fornecedores e franqueados”, afirma Artur Grynbaum, vice-presidente do conselho do Grupo Boticário. “Trouxemos essa agenda para o jeito de fazer nosso negócio”.
Com mais de 4 mil pontos de venda, presença em 1.780 cidades brasileiras e um faturamento de R$ 18 bilhões em 2021 – crescimento de 14% em relação ao ano anterior – o Grupo Boticário está tentando fazer a sua parte. Em 1990 criou a Fundação O Boticário, responsável por duas grandes reservas em dois importantes biomas brasileiros- a Mata Atlântica e o Cerrado; em 2006, lançou o Boti Reclica, um dos maiores programas de reciclagem do varejo e, em 2021, 75% dos produtos lançados contaram com atributos de sustentabilidade.
A visão é compartilhada por Sandra Chayo, sócia-diretora de marketing e estilo do Grupo Hope. “A agenda ESG faz parte da nossa cultura desde a criação da companhia”, diz Chayo. “Metade de tudo o que a Hope produz é feito com tecido biodegradável e fomos a primeira empresa de lingerie a investir em economia circular”.
Preocupada em preservar a cultura e ao mesmo tempo se reinventar, a companhia implantou em 2018 seu primeiro conselho consultivo, que tem entre os conselheiros externos, Tallis Gomes, fundador da Easy Táxi. “Ele nos ajuda a sair da zona de conforto, a ter comportamento de startup mesmo tendo 56 anos de mercado”, diz a sócia. Com um faturamento estimado de R$ 300 milhões este ano, a Hope espera somar 700 franquias até 2025, hoje são 237.
Para José Carlos Semenzato, fundador e presidente do conselho da SMZTO, holding com 12 marcas de franquia no portfólio e vendas da ordem de R$ 4,1 bilhões, a pressão da sociedade, o crescimento dos grupos e a adoção da agenda ESG como fator de análise pelo mercado financeiro tendem a acelerar a adoção dos pilares de governança no franchising brasileiro. “Quanto mais aprimora-se a gestão e os processos, mais a empresa se torna valorizada”.
Sérgio Bocaiuva, CEO da Usaflex – rede com 260 unidades e vendas anuais de R$ 550 milhões – a adoção da governança pela companhia, em 2016, trouxe não só melhoria e transparência na gestão, mas também credibilidade de funding e redução do custo real do dinheiro. “O sistema de franquias ainda precisa amadurecer nesse sentido, daí a necessidade das grandes redes servirem como exemplo”, alerta Bocaiuva.