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Pesca Profissional Artesanal: um tipo de pesca caracterizada principalmente pela mão de obra familiar, com embarcações de pequeno porte, como canoas ou jangadas, ou ainda sem embarcações, como na captura de moluscos perto da costa. Sua área de atuação está nas proximidades da costa, nos rios, reservatórios, lagos/lagoas, estuários e açudes. Lei Federal 11.959 de 29/06/2009.

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Desde 2010, o Ministério da Agricultura tem um programa que visa incentivar produtores a adotarem práticas sustentáveis. Para especialistas, tecnologias
Força-tarefa coordenada pelo Mapa tem feito monitoramento nas áreas de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima desde julho deste ano.
Estamos testemunhando efeitos devastadores sobre as vidas de bilhões de pessoas causados pela elevação da temperatura média global, mas também
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Entre janeiro e os primeiros dias de novembro, mais de 14 mil focos de incêndio já foram registrados pelo Instituto
O entrevistado desta edição do Ilustríssima Conversa é o jornalista Lucas Ferraz, que lança o livro "Injustiçados" (Companhia das Letras).
Delegacia da Capitania dos Portos abre inscrições para Cursos de Pescador Profissional nível 2  Prefeitura de Caraguatatuba
Julgamento ocorreu quatro anos após crime que chocou a cidade. As duas crianças foram mortas a golpes de facas Reprodução/TV


Desde 2010, o Ministério da Agricultura tem um programa que visa incentivar produtores a adotarem práticas sustentáveis. Para especialistas, tecnologias e metas são boas e ambiciosas, mas governo precisa investir mais se quiser fazer transição para a agricultura de baixo carbono. No Brasil, depois do desmatamento, a agropecuária é a atividade que mais emite dióxido de carbono (CO2) à atmosfera, além de ser a principal emissora de metano, dois gases de efeito estufa que, em excesso, provocam aumento da temperatura global.
Por causa disso, tem sido cada vez maior a pressão de líderes globais para que o Brasil mude o seu modo de produzir. Mas o que o setor no país tem feito para isso?
Faz 11 anos que o Ministério da Agricultura tem um programa que visa incentivar produtores rurais a adotarem práticas sustentáveis, o chamado Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, mais conhecido como Plano ABC.
Ambientalistas e institutos que acompanham o programa desde o início avaliam que as tecnologias previstas são eficientes em reduzir emissões de poluentes, mas ressaltam que, para fazer uma transição para a agricultura de baixo carbono, o governo terá que investir mais.
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A primeira fase do ABC vigorou entre 2010 e 2020 e incluiu técnicas como plantio direto; recuperação de pastagens degradadas; tratamento de dejetos animais; sistemas de integração; florestas plantadas e bioinsumos.
O estímulo para que agricultores adotem essas práticas é feito por meio do crédito público.
Outras tecnologias como sistemas irrigados e terminação intensiva na pecuária foram inclusas na segunda fase do plano, cujas metas foram anunciadas em 18 de outubro, às vésperas da 26ª Conferência das Nações Unidas (COP26) sobre as mudanças climáticas, que termina nesta sexta-feira (12) em Glasgow, na Escócia.
A nova etapa, chamada de ABC+, irá vigorar de 2021 a 2030. E, a cada dois anos, as metas e as tecnologias poderão ser revistas. Confira abaixo o que está previsto até agora:
CO2eq é uma medida que compara emissões de diferentes gases de efeito estufa baseado no potencial de aquecimento global.
Arte/g1
Ao longo da COP26, o governo federal tem apresentado o ABC+ como uma das principais contribuições do agro para o clima.
A meta é fazer com que a agropecuária reduza a emissão de carbono equivalente (CO2eq) em 1,1 bilhão de toneladas até 2030, a partir da adoção de práticas sustentáveis em mais de 72 milhões de hectares de terras agriculturáveis.
O CO2 equivalente é uma medida usada para comparar as emissões de diferentes gases de efeito estufa baseado no potencial de aquecimento global.
Leia também: 5 pontos centrais para o Brasil na COP26
Mais ambicioso
Especialistas ouvidos pelo g1 consideram a meta atual mais ambiciosa e avaliam que o programa está mais robusto e detalhado do que o anterior, com tecnologias mais avançadas.
Por outro lado, analisam que, para que as metas sejam atingidas, o governo terá que aumentar os recursos do programa. O pouco crédito direcionado para esta política é, inclusive, um dos principais gargalos do plano desde a sua criação, segundo especialistas ouvidos.
O ABC é financiado via Plano Safra, que é a principal fonte pública de custeio das atividades do campo. E, atualmente, os recursos reservados para a agricultura de baixo carbono representam apenas 2% (R$ 5 bilhões) do total do Safra 2021/22 (R$ 251,2 bilhões).
ABC entre 2010 e 2020
O plano ABC de 2010 a 2020 previa uma redução de 133,9 milhões de toneladas a 162,9 milhões de toneladas da emissão de CO2eq. Ao final do período, as iniciativas levaram a uma mitigação maior, de 170 milhões de toneladas, em mais de 50 milhões de hectares, segundo dados do Ministério da Agricultura.
Isso ocorreu porque os resultados de cinco dos seis objetivos do plano foram maiores do que o previsto. Por outro lado, a meta de plantar floresta ficou abaixo do esperado.
As metas e os resultados alcançados foram os seguintes:
Recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas: foram recuperados 26 milhões de hectares;
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em 4 milhões de hectares: foram alcançados 11 milhões de hectares;
Plantio Direto em 8 milhões de hectares: foi implementado em 12 milhões de hectares;
Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) em 5,5 milhões de hectares: atingiu 11 milhões de hectares;
Expansão do plantio de florestas em 3,0 milhões de hectares: entre 1,5 milhão e 2 milhões de hectares;
Tratamento de dejetos animais de 4,4 milhões de m³: atingiu 30 milhões de m³.
O que foi investido
Os investimentos previstos para alcançar as metas da primeira década do plano eram de R$ 197 bilhões. Desse total, o governo disponibilizou R$ 32 bilhões para a linha ABC do Plano Safra, dos quais os produtores contrataram R$ 21 bilhões, afirma o Ministério.
O órgão diz ainda que os produtores acabam contratando outras linhas de crédito, que não são específicas do ABC, para implementar ações de agricultura de baixo carbono em suas propriedades, mas não detalha qual tem sido o montante.
O Ministério afirma também que não tem dados do que foi investido pela iniciativa privada.
Dificuldade em monitorar metas
Sistema de ILPF em propriedade rural de Ipameri (GO)
Fabiano Bastos/Divulgação
Um dos problemas da primeira etapa do ABC foi a dificuldade em acompanhar o andamento do programa. Tanto é que foi somente em janeiro deste ano que o Ministério da Agricultura lançou um sistema oficial de monitoramento.
O Sistema Integrado de Informações (SIN-ABC) é hoje formado por uma comissão do ministério, pelo Banco Central do Brasil (BC) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que, dentre outras atribuições, faz o monitoramento via satélite.
“O plano foi monitorado, principalmente, do ponto de vista dos recursos que foram utilizados, mas saber quem aplicou, onde aplicou, como é que foi feito, isso não foi monitorado”, diz Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa, que foi um dos idealizadores do ABC.
“Isso foi exaustivamente discutido ao longo da década passada, muitas reuniões, muitos trabalhos foram feitos mostrando a importância de se criar um monitoramento do plano”, reforça Assad, que também integra a equipe do Observatório do plano ABC, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Público e privado
A diretora-executiva do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Marina Piatto, que acompanha o plano desde o início, acrescenta que um monitoramento adequado poderia ter mostrado a porcentagem das metas que foram atingidas com recurso público e o quanto foi viabilizado pela iniciativa privada.
“É importante dizer que apenas uma parte das metas do plano ABC foi atingida com dinheiro público. Outra parte foi feita pela iniciativa privada, com o dinheiro próprio dos agricultores”, reforça Assad.
A diretora do Imaflora afirma ainda que um melhor monitoramento poderia ter verificado os diferentes níveis de qualidade das recuperações das pastagens degradadas, por exemplo.
Por outro lado, ela diz que o atual sistema de monitoramento deve melhorar o acompanhamento das ações no campo.
“Desta vez, o governo descreveu de forma mais detalhada como será o monitoramento e, agora, com os bancos de dados integrados do Banco Central, do Ministério e Embrapa, acredito que vamos conseguir saber se o plano está sendo executado ou não. As metas estão enormes, é bastante coisa para monitorar”, diz.
Mais recursos para o ABC
Técnica do plantio direto em uma lavoura de mandioca.
Reprodução/RPC
O ambientalista João Paulo Capobianco, que foi secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, durante o governo Lula, entre 2003 e 2008, diz que os recursos do ABC sempre representaram menos de 5% do Plano Safra, o que, para ele, indica que a agricultura de baixo carbono ainda não é uma prioridade do Brasil.
“O que está reservado para o ABC representa 2% do Plano Safra. Então isso indica que você está colocando 98% do dinheiro na agricultura tradicional. Isso não é uma forma de utilizar a política pública para se fazer a transição que tanto se deseja para a agricultura de baixo carbono”, diz.
“O crédito público é uma forma de conseguir induzir essas mudanças em larga escala. E as ações previstas no plano têm uma importância estratégica enorme. Quando ele foi lançado lá atrás foi muito comemorado por nós. Mas quando a gente vê o que de fato foi e o que está sendo investido, vemos que ele não é prioritário”, acrescenta Capobianco, que é vice presidente do Conselho Diretor do Instituto Democracia & Sustentabilidade (IDS).
O valor atual previsto para o ABC de R$ 5 bilhões é duas vezes maior do que o disponibilizado no Plano Safra passado. Mesmo assim, o governo terá que desembolsar mais para alcançar as metas de redução de emissão, diz Assad, da Embrapa.
“É preciso ampliar muito mais para atingir a meta de 72 milhões de hectares que irão adotar as práticas do ABC. Não será com R$ 5 bilhões que vamos conseguir, é preciso incentivar muito mais… esses 5 bilhões foram somente liberados agora, mas desde o início do ABC era pra ter sido liberado R$ 5 bilhões por ano”, afirma.
Durante uma coletiva de imprensa na COP26 na segunda (8), o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Fernando Camargo, prometeu aumentar os recursos para o plano.
“Tenho certeza de que o Plano Safra do ano que vem será absolutamente verde. Vai ter muito recurso para boas práticas agropecuárias e vamos nos organizar para fazer com que esse recurso não falte lá na ponta”, disse Camargo.
Já na avaliação do ambientalista Raoni Rajão, pesquisador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais (LAGESA) da UFMG e membro do Observatório do Código Florestal, o ideal seria “fazer com que todo o crédito rural” pudesse ser concedido exigindo dos produtores “alguma prática de produção sustentável”.
Avanços no novo plano
Terminação intensiva consiste em dieta que intensifica a digestão e o crescimento do gado, fazendo com que ele fique pronto para o abate mais cedo
Divulgação
Por outro lado, Rajão avalia que houve avanços no novo Plano ABC. Segundo ele, a inclusão da tecnologia da terminação intensiva na pecuária é uma boa notícia.
Essa técnica consiste em fornecer ao gado uma dieta que intensifica a sua digestão e o seu crescimento, fazendo com que ele fique pronto para o abate mais cedo, reduzindo o seu ciclo de vida e, portanto, a emissão do gás metano, explica Marina, do Imaflora.
O metano é produzido justamente no processo digestivo dos bois. Após eles comerem o capim, degradam a matéria orgânica dentro do estômago e acabam gerando o gás, que é liberado na atmosfera pelo seu arroto.
“Com a técnica, portanto, é possível emitir menos metano por quilo de carne produzida”, diz Rajão.
Assistência técnica
Para Marina, do Imaflora, outro avanço foi o governo ter detalhado como vai funcionar a assistência técnica no campo. Esse serviço é feito, geralmente, por meio de unidades estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).
A assistência é importante não só para que os agricultores consigam implementar as técnicas de baixo carbono, como também para montar projetos, que são exigidos na hora de contratar o crédito. A dificuldade de apresentar projetos foi, inclusive, outra dificuldade observada no plano anterior.
No ABC+, o governo prevê fortalecer a ATER e capacitar técnicos para atuarem em diferentes necessidades do ABC.
Sistemas agloflorestais
Já para Assad, outro ganho do plano foi ter fortalecido as práticas de sistemas agloflorestais, que consistem em produzir diferentes espécies agrícolas e florestais em uma mesma área.
“Quando se trata de sistemas agloflorestais, aí sim estamos falando em pequeno agricultor, em atingir mais de 4 milhões de agricultores brasileiros. E nós estamos falando em um sistema altamente eficiente em remoção de carbono. Isso é interessante. Vamos ver agora como vai funcionar e como é que o dinheiro vai chegar lá”, conclui Assad.


Força-tarefa coordenada pelo Mapa tem feito monitoramento nas áreas de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima desde julho deste ano. Mais de 500 árvores foram cortadas devido à praga que atinge plantio de cacau e cupuaçu no interior do AC
Erisney Mesquita/Secom
Desde que começaram os trabalhos contra os focos de monilíase, uma praga que atinge plantações de cacau e cupuaçu em Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, mais de 580 árvores já foram cortadas no interior do Acre. A informação é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que coordena as ações na região.
Após a identificação da praga pela primeira vez no Brasil no município de Cruzeiro do Sul em julho deste ano, equipes Mapa e do Instituto de Defesa e Agropecuária do Acre (Idaf-AC) iniciaram o trabalho de fiscalização e orientação a produtores desses frutos. No dia 5 de agosto, o Mapa declarou o estado do Acre como “área sob quarentena”.
A monilíase do cacaueiro é uma doença que causa danos diretos, porque o ataque do fungo é exatamente no fruto, que é a parte comercial, tanto do cacau quanto do cupuaçu. O fungo não causa danos à saúde humana, segundo estudos, mas traz graves riscos econômicos.
Conforme o Mapa, inicialmente, foram feitas visitas em casas de Cruzeiro do Sul que tinham pés de cacau e cupuaçu, sendo que em duas casas foram identificadas plantas com monilíase. Na cidade, foram cortadas cerca de 80 árvores infectadas.
Em agosto, as equipes percorreram bairros de Mâncio Lima, ao longo da rodovia AC-105, onde foram identificadas muitas plantas com sintomas da praga. Por este motivo, a região foi considerada “foco principal” e passou por medidas fitossanitárias, como:
aplicação de produto detergente nas plantas para limpeza dos esporos,
poda ou corte das plantas hospedeiras,
coleta e enterro de todos os frutos.
Conforme o Mapa, foram visitadas mais de 300 propriedades na região de Mâncio Lima, com apoio da população para a aplicação das medidas, sendo que mais de 500 plantas foram cortadas.
O órgão informou que as equipes da força-tarefa trabalham inicialmente com a abordagem educativa junto aos moradores, repassando informações sobre os riscos econômicos para os estados produtores de cacau, bem como a responsabilidade do Acre na prevenção e controle da doença.
“Destacamos que a melhor forma de erradicar esta praga é a eliminação das plantas hospedeiras. Esta praga produz esporos microscópicos em grande intensidade, cuja aparência remete a um ‘pó de cor creme ou branca’, com extrema facilidade de serem espalhados pelo vento a grandes distâncias. Se não houver plantas hospedeiras o fungo não conseguirá sobreviver na região e com isso o foco vai diminuir até ser eliminado totalmente. Esta ação tem grandes chances de sucesso pelo fato da praga estar restrita à área urbana dos dois municípios”, informou o Mapa em nota.
Em Cruzeiro do Sul, MS e Idaf fazem barreira no aeroporto para evitar entrada da moliníase
Barreiras sanitárias
O Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul passou a ter uma barreira sanitária com inspeção de bagagens para evitar a saída da praga que atinge plantações de cacau e cupuaçu. A fiscalização é feita por equipes do Idaf e do Mapa.
À Rede Amazônica Acre, o coordenador de Educação Sanitária Vegetal do Idaf, Samuel Almeida, explicou que a ideia é impedir que o fungo se dissemine para outros municípios acreanos e estado da federação.
“Todos aqueles que forem se deslocar saindo de Cruzeiro do Sul vão passar por uma inspeção de bagagem para saber se estão levando fruto de cacau e cupuaçu e outras espécies nativas que também são hospedeiros da monilíase. Os frutos de cacau e cupuaçu estão impedidos de serem transportados porque mesmo com a aparência saudável podem estar infectados pela monilíase”, destacou.
Também em agosto, relatório das equipes do Idaf e do Mapa apontaram que, possivelmente, o fungo pode ter chegado ao estado pelo Peru. A suspeita é de que pessoas que carregavam material contaminado trouxeram o fungo para o Acre.
Praga que atinge plantio de cacau e cupuaçu é monitorada no AC
Mapa/Divulgação
O Idaf e o Mapa também montaram uma barreira de inspeção, semelhante a que tem no aeroporto, na BR-364, na região do Rio Liberdade, para evitar a saída dos frutos nos veículos.
O representante do Mapa e coordenador da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Marcelo Maziero, destacou a importância de não deixar a praga chegar a grandes produções dos frutos em outros estados.
“Uma vez chegando nas regiões produtoras, como o Sul da Bahia, Pará e até mesmo Rondônia, que são grande exportadores do cacau, isso vai ser prejudicial e uma vez a praga aparecendo nesses locais certamente o pessoal fecha a importação do produto. Para o país isso é bem penoso. Barrando as exportações geral desemprego, falta de renda para o produtor. É bem prejudicial”, complementou.
Descoberta
Um morador de Cruzeiro do Sul percebeu a doença nas frutas e acionou o Idaf no dia 21 de junho. No dia seguinte, um servidor do instituto esteve no local para verificação e foram enviadas amostras para análise.
O laudo oficial do laboratório com a confirmação da praga foi emitido no último dia 7 de julho. Após a descoberta do foco, equipe do governo federal foi mobilizada para fazer o trabalho de monitoramento no estado.
Equipes monitoram quatro propriedades de Mâncio Lima e duas de Cruzeiro do Sul
Erisney Mesquita/Secom
Até então, o fungo já havia sido encontrado em todos os países produtores de cacau da América Latina, exceto o Brasil. Para evitar a proliferação do fungo, os moradores estão recebendo visita das equipes e orientações.
Entre as orientações estão, no caso de suspeita, manter a área isolada, e passar um produto na planta para matar a praga. Já na área onde não há suspeita, as equipes mostram como é a doença para que a pessoa fique alerta e, por fim, orientam que a área seja mantida limpa.
Os produtores acreanos começaram a ser alertados sobre a praga em 2018. O Idaf fez campanhas de alerta e orientações. Na época, a engenheira agrônoma do Idaf, Lidiane Amorim, explicou que o “Acre era considerado como alto risco para a entrada dessa doença, porque faz fronteira com esses países”.
Em 2019, servidores do instituto visitaram comunidades rurais de Cruzeiro do Sul para orientar os produtores sobre a monilíase. Na oportunidade, foram cadastrados mais de 2 mil propriedades produtoras de cupuaçu e cacau.
Reveja os telejornais do Acre


Estamos testemunhando efeitos devastadores sobre as vidas de bilhões de pessoas causados pela elevação da temperatura média global, mas também há sinais de esperança para o nosso futuro. Conheça alguns deles. Boas notícias
Getty via BBC
“Nemonte Nenquimo é uma de minhas heroínas”, diz a física de partículas Vandana Singh sobre a líder indígena waorani.
“Nas minhas aulas sobre mudanças climáticas, ensino o que ela fez. Acho que é uma história fantástica sobre o clima”, agrega a presidente do Departamento de Física e Ciências da Terra da Framingham State University, nos Estados Unidos.
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Crise climática impulsiona energia nuclear na COP26
Nenquimo liderou uma campanha indígena que levou a uma decisão do Tribunal Constitucional do Equador para proteger 500 mil hectares da Floresta Amazônica contra a extração de petróleo.
Jovens de várias partes do mundo protestam em Glasgow na COP-26
“Acho que nunca foi tão relevante dar notícias positivas e gerar um sentimento de esperança”, diz Vanessa Pérez-Cirera, vice-diretora de Clima Global e Prática de Energia do Fundo Mundial para a Natureza.
“A esperança é que, sem deixar o sentido de urgência, seja possível acelerar as soluções que nos permitam manter o a meta de 1,5ºC viva. Estamos justamente no momento em que podemos fazer isso”.
A economista ambiental especializada em política climática e transição energética se refere ao apelo feito pelo Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para limitar o aumento da temperatura global a um máximo de 1,5ºC.
Enquanto o mundo discute o tema na conferência climática COP26, na Escócia, confira aqui alguns aspectos positivos da luta contra um problema que já está causando efeitos devastadores na vida de milhões de pessoas.
1. Comunidades locais estão protegendo a natureza com resultados extraordinários
Nemonte Nenquimo, no centro, em uma manifestação de 2019 em frente ao palácio presidencial em Quito
Getty Images via BBC
Vandana Singh é membro da Climate Imagination Fellowship, um projeto da Arizona State University, nos Estados Unidos, que busca histórias positivas sobre o futuro para impulsionar ações no presente.
A primeira coisa que ela me alerta é sobre o uso do termo “positivo” no contexto das mudanças climáticas.
“Quero usar essa palavra sob a ótica das pessoas que já estão lutando, que já foram atingidas pelo apocalipse, sejam elas os indígenas, os pobres do Sul global, os negros ou as muitas mulheres que foram desproporcionalmente afetadas pelas mudanças climáticas”, explica.
“Eles estão em situação pior em comparação com a maioria de nós. E, no entanto, acho que a esperança vem não apenas porque já existem tecnologias alternativas, mas por causa dessas mesmas comunidades.”
As mudanças climáticas, ressalta a autora, não é o único problema socioambiental que temos: a perda da biodiversidade é outro e, a ela, soma-se uma enorme desigualdade social.
“Quando olhamos para o problema climático sob uma perspectiva mais ampla e olhamos para as outras crises e como elas se relacionam, percebemos que elas têm as mesmas raízes”, diz.
Ela diz que a “economia social globalizada é um sistema que basicamente destrói o resto da natureza, pois a considera, assim como um grande número de pessoas, descartável e menos importante”.
“Mas, se lutarmos contra essas crises, estaremos resolvendo muitos outros problemas que afligem a humanidade. E, para mim, isso é o positivo: é um projeto de felicidade verdadeira para todos.”
“A maior fonte de positividade é a energia das pessoas.”
Menino com um cartaz que pede ‘mudança no sistema em vez de mudança climática’
EPA via BBC
Singh fala com entusiasmo dessa “energia” que encontrou em diferentes continentes.
Ela conta o caso de uma mulher chamada Parvati, que vive em um dos Estados mais pobres e vulneráveis ​​ao clima da Índia.
“Há 20 anos, ela e um grupo de mulheres da aldeia viram que o lençol freático [o acúmulo de água subterrânea em profundidades relativamente rasas] em sua área fora reduzido pelo desmatamento, impulsionado pelo modelo de desenvolvimento adotado na Índia”, afirma.
“Decidiram que iriam proteger sua floresta e começaram a monitorá-la. Acordavam muito cedo e a patrulhavam(…). Sem educação formal, eles sabiam por experiência que uma floresta saudável é uma floresta biodiversa.”
Foto (de arquivo) de uma mulher em floresta na Índia
Getty Images via BBC
Duas décadas depois, um amigo de Singh os visitou e encontrou árvores com troncos grossos, animais que haviam voltado a prosperar ali e um lençol freático aumentado.
A história de Parvati, assim como outras — não é uma exceção, frisa ela — ajudam-na a olhar para o futuro com otimismo.
“Parvati lidou com muitos problemas, não apenas as mudanças climáticas, e (estando fora) da estrutura de poder. E olha o que ela está fazendo!”
Então, “se ela pode ser positiva nessas circunstâncias, eu tenho que encontrar um caminho. Não se trata de negar a realidade, mas de aceitar o quão difícil é reconhecer que estamos nessa situação horrível e a única saída é avançar coletivamente para apoiarmos uns aos outros.”
“Essas comunidades têm o direito de escolher o seu próprio caminho, são inteligentes, criativas, apaixonadas. É isso que me faz me manter positiva sobre o problema do clima”.
O antropólogo David Bray, professor do Departamento de Terra e Meio Ambiente da Florida International University, nos Estados Unidos, estudou as florestas comunitárias mexicanas e as considera “o melhor modelo de manejo local sustentável do mundo”.
“Minha pesquisa de mais de 30 anos mostrou que quando as comunidades indígenas e locais controlam suas florestas para a produção comercial de madeira, tanto os humanos quanto a terra se beneficiam”, escreveu ele em um artigo publicado no site acadêmico The Conversation.
David Bray estudou as florestas comunitárias mexicanas e as considera ‘o melhor modelo de manejo local sustentável do mundo’
Getty Images via BBC
O especialista explica que o sistema permite que a floresta e sua biodiversidade sejam conservadas, mas também “mitiga as mudanças climáticas, porque, enquanto essas comunidades fazem suas colheitas, as florestas também coletam carbono, e ele é armazenado em produtos de construção e móveis, onde será mantido por décadas. “
Para Pérez-Cirera, o reconhecimento do “grande” papel que os povos indígenas têm desempenhado na proteção da natureza é uma “notícia muito boa”.
“Percebemos que a natureza é uma grande aliada não só para resolver a crise climática, mas também para perseguir os objetivos do desenvolvimento sustentável.”
Embora acredite ter havido uma “dignificação” das comunidades locais que zelam pelo “patrimônio natural do qual todos dependemos”, ainda há muito por fazer, especialmente no que diz respeito aos seus direitos.
Singh reflete sobre o sofrimento de muitos indígenas, em alguns casos “ameaçados pela mineração e derramamentos de petróleo” e, em outros, abalados pela violência e assassinatos.
“E veja o que eles alcançaram. Eles são um testemunho do espírito humano com o qual devemos aprender” e pelo qual sentir “esperança”.
2. O tema nunca esteve tão em alta entre governos e empresas
Em setembro, líderes de 9 países mediterrâneos se reuniram para discutir as mudanças climáticas
EPA via BBC
“O clima nunca esteve tão em alta na agenda política. Se pensarmos no Acordo de Paris [assinado em abril de 2016 e que estabeleceu medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa] (a questão) agora está ainda maior”, diz Pérez-Cirera.
“Ter o primeiro-ministro chinês e o presidente dos Estados Unidos falando sobre o clima como uma de suas três prioridades políticas em nível nacional é algo que nunca vimos antes.”
Isso significa que o clima não se limita mais às agendas de organizações ambientais ou de alguns países, mas está se tornando um tema de interesse econômico global, e “isso é definitivamente uma boa notícia”.
Segundo o especialista, muitas empresas já começaram a reagir e estão percebendo que virão regulamentações governamentais mais rígidas. “Mas também que há demandas cada vez mais importantes dos consumidores.”
Existem empresas em diferentes partes do mundo que “estão estabelecendo metas alinhadas com a ciência, com [a meta de manter o aquecimento global abaixo de] 1,5ºC”.
Em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que mais da metade dos setores que compõem a economia mundial se comprometeram a reduzir suas emissões pela metade na próxima década.
Em abril, o presidente Joe Biden participou de uma cúpula virtual de líderes mundiais para discutir o clima
EPA via BBC
“Em cada um desses setores, pelo menos 20% das principais empresas por receita estão alinhando em torno de metas setoriais específicas para 2030, em linha com a obtenção de emissões líquidas zero até 2050, e que incluem metas como 60% de geração renovável no setor de energia e 5% de combustível com emissão zero no setor de transporte marítimo”.
Raúl Salazar, chefe regional para as Américas e o Caribe do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres, também vê motivos para otimismo.
“Do nosso ponto de vista, vemos que existe um compromisso importante dos níveis governamental e comunitário para avançar na redução do risco de desastres e ameaças de origem climática.”
“Há uma consciência muito clara de que se não forem tomadas medidas objetivas para lidar com as mudanças climáticas nos próximos dez anos, eventos climáticos extremos serão esmagadores, especialmente para os países em desenvolvimento.”
3. Temos muito mais informações — e isso nos ajuda a prevenir desastres
Estudo das mudanças climáticas tem levado ao desenvolvimento de novas ferramentas de pesquisa e modelos de análise
Reuters via BBC
O estudo das mudanças climáticas tem levado ao desenvolvimento de novas ferramentas de pesquisa e modelos de análise.
“Temos mais dados e, quanto mais informações (acumulamos) ao longo do tempo, melhor podemos entender o que está acontecendo, bem como a direção e magnitude da mudança”, diz Erika Podest, cientista do Grupo de Ciclo e Ecossistemas de Carbono na Divisão de Ciências da Terra do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a agência espacial americana.
A Nasa possui uma frota de satélites para monitorar o planeta, assim como outras agências espaciais, como a europeia e a japonesa.
E um grupo de cientistas está usando a Estação Espacial Internacional para estudar o clima da Terra.
“Se conseguirmos entender como as coisas eram antes e qual foi a trajetória, podemos prever melhor como será o futuro e nos preparar, porque parte de todo esse processo de compreensão dos impactos das mudanças climáticas é tentar mitigar e se adaptar.”
Por exemplo, detectar a vulnerabilidade de áreas onde você deseja construir pode salvar vidas e reduzir perdas econômicas.
Na América Latina e no Caribe, diz Salazar, a coleta sistemática de informações sobre danos e perdas causados ​​por desastres nos permitiu tomar melhores decisões para o futuro.
“Em alguns casos, foram medidas concretas de preparação para emergências”, embora existam lacunas importantes entre os países quando se trata de coleta de dados.
Imagem de satélite do furacão Dean
Getty via BBC
“Se você me perguntar se estamos melhorando, acho que sim. As tendências regionais mostram que houve redução da mortalidade por efeito das ameaças de origem climática (furacões, inundações, deslizamentos) e geológica (terremotos, tsunamis)”.
A análise dos dados de eventos de grande e pequena escala levou a uma estimativa de que nove entre dez desastres ocorridos na região nos últimos 40 anos foram de origem climática.
“Isso nos diz claramente que eles podem ser evitados e previstos com sistemas melhores, por exemplo, monitoramento meteorológico, alerta precoce”, argumenta.
“Nesse sentido, serão originadas uma maior quantidade de medidas governamentais para prevenir a perda de vidas.”
O conhecimento dos dados também lhes permite desenvolver modelos probabilísticos “que ajudem os governos a quantificar a possibilidade de perdas no futuro e, portanto, enumerar as medidas ou dotações orçamentárias para a prevenção de desastres”.
4. Fontes alternativas de energia hoje são acessíveis
Pérez-Cirera diz que um dos fortes argumentos contra a energia eólica e solar no passado eram os custos envolvidos nessas tecnologias
Reuters via BBC
Pérez-Cirera explica que um dos fortes argumentos contra a energia eólica e solar no passado eram os custos dessas tecnologias. Isso mudou.
“Pensando nos custos de mercado, a energia solar, por exemplo, é muito competitiva. Alcançou preços mínimos impressionantes, o que, com as políticas adequadas, a torna uma alternativa perfeitamente viável.”
Outro argumento utilizado é que nem sempre há sol ou vento.
“Alguns políticos que tinham relações com a indústria do petróleo disseram que a energia renovável não era confiável. No entanto, já existem sistemas de armazenamento de energia disponíveis.”
‘As energias renováveis ​​já não são um sonho distante, estão mesmo disponíveis’, diz Podest
Reuters via BBC
“Se você tem meses com muito vento, pode armazenar essa energia e usá-la em outro momento. Antes, as baterias de armazenamento eram muito caras, agora, são muito acessíveis.”
As energias renováveis ​​”já não são um sonho distante, estão mesmo disponíveis”.
Podest menciona outras formas, como geotérmica e marés, e o avanço dos carros elétricos. E diz que, se desenvolvidas de forma responsável, podem ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2).
5. Estamos mais conscientes do problema e dispostos a agir
Jovens em protesto que pede medidas contra as mudanças climáticas
Reuters via BBC
“O planeta está esquentando, e já estamos vendo os impactos das mudanças climáticas”, diz Podest.
À medida que a situação piora, veremos eventos extremos com mais frequência: ondas de calor, ondas de frio, furacões mais intensos.
“Mas dá tempo de mudar ou pelo menos parar e começar a reverter os danos que causamos ao meio ambiente”, afirma.
E esclarece que, “quanto mais rápido agirmos, melhores serão as chances de preservar nosso planeta de forma habitável”.
Para a especialista, “nunca é tarde demais”. “Muitas pessoas podem pensar: ‘Para quê? É melhor eu aproveitar todos os confortos da minha vida porque não há nada que possa ser feito’. Mas todos nós podemos fazer alguma coisa.”
Segundo ela, as ações mais importantes no nível individual dizem respeito a minimizar o consumo de combustíveis fósseis, o uso de carros convencionais, recursos como eletricidade ou água. “Ser mais consciente de nosso impacto sobre o meio ambiente.”
Na América Latina, diz Pérez-Cirera, temos grandes possibilidades de escolher alimentos altamente nutritivos que deixam uma pequena pegada de carbono.
Se queremos um futuro próspero e mais justo, temos que nos voltar para ver a natureza, ressalta.
“A ciência nos diz que a janela do tempo está se fechando, mas também nos diz que é possível. E o que indica o nível de preocupação da sociedade também é um farol de esperança”.
Assim, a consciência individual e coletiva sobre as mudanças climáticas cresce.
“É muito importante que não caiamos em um sentimento de desesperança, mas sim de empoderamento”.
“Pensar que como consumidores temos poder, como eleitores temos poder, como indivíduos podemos fazer algo e que algo não é marginal, mas poderoso”.


Artesão César Farias, que é ourives, usa sementes da Amazônia e sobras de madeira para criar biojoias. Artesão usa ouro, prata e aço cirúrgico para fazer joias da Amazônia
Cesar Farias/Arquivo pessoal
A paixão pelo meio ambiente e pela sustentabilidade, mesmo antes de o assunto se tomar uma preocupação mundial, fez com que o artesão Cícero César de Farias França, de 57 anos, unisse duas paixões: a ourivesaria e as riquezas da floresta.
Ele, que se intitula um autodidata, e é mais conhecido por Cesar Farias, usa sementes da floresta e restos de madeira para esculpir peças que viram biojoias rústicas e, ao mesmo tempo, delicadas que agradam a todos os gostos.
Farias conta que herdou a profissão do pai, que foi o pioneiro no Acre na profissão de ourives. Ele fala que o pai começou a trabalhar com joias quando chegou ao estado, em 1942.
“Meu, pai José Farias, veio do Ceará trazendo ourivesaria na mala. De lá para cá, conheceu a Deusa e se casou. As alianças ele mesmo confeccionou em Tarauacá (AC). Depois veio para Rio Branco com uma penca de menino para criar, nessa época eu ainda não tinha nascido, pois sou o mais novo. A casa de joias dele foi a primeira daqui”, diz.
O artesão fala que é o único dos filhos que seguiu os passos do pai e que, inclusive, nasceu dentro de uma ourivesaria. Ele diz que começou a trabalhar ainda em 1984 e, de lá pra cá, foi percebendo que podia dar vida às peças usando matéria-prima tirada da natureza.
“Trabalho com ouro, prata e também com aço cirúrgico, nasci dentro de uma ourivesaria, meu pai passou esse ofício para a minha mãe também e ela criou os todos os filhos trabalhando com ourivesaria. Agora, nesse momento, estou trabalhando com madeira, sou pioneiro nesse trabalho de associar metais nobres às sementes da floresta.”
Farias é um conhecido artista de Rio Branco, famoso por seu trabalho como cantor, repentista e artesão. Ele lembra começou a criar as biojoias na época em que servia o Exército.
“Eu era da Infantaria de Selva e passava boa parte do tempo na mata, então, colhia sementes para fazer artesanato e me distrair. Comecei a desenvolver esse trabalho em uma época que ainda não existia esse conceito de biojoias. Quem fazia anéis, colares e pulseiras com sementes eram apenas os índios”, acrescenta.
Cesar Farias diz que usa madeiras da região e agrega ouro, prata e aço cirúrgico para fazer peças
Cesar Farias/Arquivo pessoal
Matéria-prima da natureza
Dentre as sementes que o artesão usa estão a jarina, tucumã e o murumuru. Já as madeiras que ele reutiliza são o roxinho, muiricatiara, paxiúba, aroeira e a sucupira. O autoditada fala que a criatividade e as escolhas para criar as peças, que ele chama de “joias sustentáveis”, vêm do que seu conhecimento e estudos que fez com produtos regionais.
“A matéria-prima da floresta é o que eu vou achando bacana e que eu sei que tem dureza e que vai ficar bonito.”
Farias conta ainda que já ganhou alguns prêmios com a produção de biojoias e que já formou muitos artesãos passando seu conhecimento.
“Já rodei esse mundo todo, agora que eu estou mais parado. Bem antes de a ecologia virar moda eu já vinha falando da sustentabilidade, bem atrás, sou pioneiro nessa área. No Acre, quem trabalha com esse tipo de artesanato ou aprendeu comigo ou aprendeu com quem aprendeu comigo.”
Joia feita com sementes de tucumã, prata nobre e ouro 18k
Cesar Farias/Arquivo pessoal
Produção e vendas
Para produzir as peças com sementes da Amazônia, madeiras, ouro e prata, ele diz que a matéria-prima sustentável precisa ser resistente por causa do processo de produção.
“Trabalho muito com semente e agora eu estou em uma fase de madeira, estou trabalhando com a  muiracatiara, é chamada de madeira do tigre por ter coloração e lembrar a pelagem dos tigres. A muiracatiara tem uma grande resistência. O roxinho é uma madeira muito dura, que ninguém gosta de trabalhar por causa da dureza, mas a dureza é o grande lance, para a ourivesaria é bom por causa da resistência”, explica.
Ele fala ainda que os preços são acessíveis, mas depende da peça, tamanho, tipo de produto usado e produção.
“Os preços variam, um par e brinco, por exemplo, é na média de R$ 50, um colar é R$ 80, mas já fiz peça de R$ 2 mil, R$ 3 mil, com rouxinho associado a pedras preciosas, pois também sou lapidador, já trabalhei dois anos com lapidação de pedras em Goiás. Dependendo da peça eu fico uns dois, três dias trabalhando, mas tem peça simples que a gente faz até umas cinco por dia.”
César finaliza dizendo que a originalidade é o segredo de seu trabalho.
“São exclusivas, uma peça nunca sai completamente igual à outra. Há ainda a opção de a pessoas pensarem junto comigo, o que eu acho bom. Meu trabalho é diferente do que a pessoa compra na vitrine, no meu a alma da pessoa vai junto.”
Em média, joias da floresta custam de R$ 50 um brinco, já o colar é no valor de R$ 80. Dependendo da peça pode variar ainda de R$ 2 mil a R$ 3 mil,
Cesar Farias/Arquivo pessoal
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Mineradoras devem pagar pensão a pescador até que peixes voltem ao Rio Doce  ConJur

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Entre janeiro e os primeiros dias de novembro, mais de 14 mil focos de incêndio já foram registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), no estado. Queimadas registradas em Humaitá, no interior do Amazonas.
Raolin Magalhães/Rede Amazônica
O ano de 2021 já é o terceiro ano com o pior índice de queimadas registradas no Amazonas, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe). Entre janeiro e os primeiros dias de novembro, mais de 14 mil focos de incêndio já foram registrados pelo órgão no estado.
De acordo com os dados divulgados pelo Inpe, de janeiro até o dia 3 de novembro de 2021, já foram registrados 14.617 focos de incêndio. Desde 1998, quando o órgão começou a registrar as queimadas, só dois anos tiveram números maiores. 2005, com 15.644 focos e 2020 com 16.729, em todo o ano.
O mês de outubro de 2021 teve o maior número de queimadas no Amazonas nos últimos cinco anos. Foram 1.773 focos registrados pelo Inpe. A última vez que o mês havia tido números tão altos foi em 2016, quando foram registrados 1.913 focos.
Durante o ano, outubro é o terceiro mês com maior número de queimadas, segundo o levantamento feito pelo órgão. Os meses que registraram maiores índices foram agosto, com 8.588 e setembro, com 2.799 focos de queimadas registradas no Amazonas.
O g1 entrou em contato com o Governo do Amazonas para saber quais medidas estão sendo tomadas para combater o avanço de queimadas no estado e aguarda resposta.
Agosto registrou recorde histórico
Em agosto de 2021, os registros de queimadas no Amazonas atingiram um recorde histórico para o mês, pelo terceiro ano consecutivo. Nos primeiros 26 dias do mês, foram registrados 8.172 focos de incêndios.
No ano passado, agosto registrou 8.030 focos de incêndios ao longo do ano. Em 2019, foram 6.668 registros pelo Inpe.
Vista aérea de área queimada na Amazônia, perto de Apuí, no Amazonas, no dia 11 de agosto.
Ueslei Marcelino/Reuters
Na ocasião, o pesquisador do Programa de Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, informou em entrevista ao g1 que as queimadas no Amazonas começam a ganhar força no mês de julho. Historicamente, os meses com maior ocorrência de queimadas no Amazonas são agosto, setembro e outubro.
“O fogo aí nessa região não tem como começar sozinho. Então são todos atos ilícitos ou de novos desmatamentos ou de queima de áreas já desmatadas no passado, ou de renovação de pastagens, as vezes acidentes, entre outras razões”, informou Setzer na época.
Veja os vídeos mais assistidos do Amazonas

O entrevistado desta edição do Ilustríssima Conversa é o jornalista Lucas Ferraz, que lança o livro “Injustiçados” (Companhia das Letras).

A obra aborda um tema ainda tabu e relegado a um limbo histórico em pesquisas sobre a ditadura militar no Brasil: os justiçamentos que ocorreram dentro dos grupos de luta armada durante a ditadura, ou seja, a execução sumária de guerrilheiros considerados traidores.

O foco do livros são as histórias de quatro militantes de esquerda executados por seus colegas de luta armada: Márcio Leite de Toledo, Carlos Alberto Maciel Cardoso, Francisco Jacques de Alvarenga (os três ligados à ALN, Ação Libertadora Nacional) ​ e Salatiel Teixeira Rolim (do PCBR,  Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).

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Delegacia da Capitania dos Portos abre inscrições para Cursos de Pescador Profissional nível 2  Prefeitura de Caraguatatuba


Julgamento ocorreu quatro anos após crime que chocou a cidade. As duas crianças foram mortas a golpes de facas
Reprodução/TV Verdes Mares
Um homem acusado de ter assassinado duas crianças de 8 e 10 anos foi condenado pelo Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (20), a 50 anos de prisão pelo crime. O duplo homicídio foi cometido a facadas, na cidade de Viçosa do Ceará, em julho de 2017, por Iranildo Antônio de Araújo. Ele já cumpria pena na Penitenciária Industrial e Regional de Sobral (Pirs).
O julgamento começou às 8h30 desta quarta-feira e só foi finalizado em torno de 19h, com a leitura da sentença pela juíza Josilene de Carvalho Sousa. Iranildo foi condenado a 25 anos de prisão por cada um dos homicídios. O júri considerou que ele cometeu extrema violência e crueldade no crime.
A juíza negou que o agora condenado impusesse recurso em liberdade, com medidas alternativas à prisão, por isso manteve a prisão preventiva, decretada quando da sua prisão.
Ele também é suspeito de ter matado o comparsa Francisco Rogério Soares Pereira, dentro da prisão. Rogério era investigado, assim como Iranildo, pelo duplo homicídio das crianças. Durante o interrogatório, o homem afirmou que é inocente e não quis falar sobre a morte do comparsa. A defesa afirmou que não havia provas técnicas para garantir a punibilidade dele.
Caso
Pai de crianças assassinadas em Viçosa do Ceará lamenta violência
As duas crianças, uma de 8 e outra de 10 anos, foram mortas a golpes de faca em Viçosa do Ceará, no interior do estado, no dia 16 de julho de 2017. Elas foram encontradas em um beco próximo à casa onde moravam, no distrito de Inharim, zona rural de Viçosa do Ceará.
A polícia capturou os dois homens e um adolescente, suspeitos de terem matado os irmãos. Um dos homens teria confessado o crime, de acordo com a Polícia Civil, e afirmou que estava sob efeito de drogas e não lembrava do que tinha acontecido.
Um dos acusados chegou a sofrer ameaça de linchamento pela população de Viçosa do Ceará, enquanto era transferido do Fórum Municipal para outra unidade. Durante a condução, quando o homem foi colocado no interior do carro policial, houve tumulto, e a polícia disparou tiros de bala de borracha para conter a população, que tentou se aproximar do homem preso.
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