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Pesca Profissional Artesanal: um tipo de pesca caracterizada principalmente pela mão de obra familiar, com embarcações de pequeno porte, como canoas ou jangadas, ou ainda sem embarcações, como na captura de moluscos perto da costa. Sua área de atuação está nas proximidades da costa, nos rios, reservatórios, lagos/lagoas, estuários e açudes. Lei Federal 11.959 de 29/06/2009.

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Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte conclui formação de aquaviários em Maxaranguape (RN)  marinha.mil.br
Antes mesmo de começar o evento, as pessoas já se aglomeravam para conseguir um novo companheiro. Cãozinho ganhou novo lar
Estudo faz parte da dissertação de mestrado do técnico-administrativo e engenheiro florestal da Ufac Harley Araújo da Silva. Pesquisadores avaliaram
'Tião' ainda possui algumas sequelas causadas pelo incêndio e o objetivo é reinseri-lo de volta à natureza. Novo recinto com
Desfile com peças tingidas de forma natural vai ocorrer no próximo dia 30, em Rio Branco. Roupas foram tingidas com
Fêmea Paty seria reintroduzida na natureza em 2021, quando profissionais do ICMBio perceberam que ela estava prenhe e adiaram soltura.
Objetivo é gerar renda às comunidades tradicionais da floresta e, ao mesmo tempo, manter os serviços ecossistêmicos prestados pelo bioma.
O Brasil não está diante de uma eleição polarizada como outras, dizem a historiadora Heloisa Starling e o cientista político
Inscrições para curso de Pescador Profissional Especializado abertas  Prefeitura de São João da Barra
Em razão dos feriados prolongados, o novo episódio do Ilustríssima Conversa vai ao ar em 23 de abril. Até lá,

Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte conclui formação de aquaviários em Maxaranguape (RN)  marinha.mil.br


Antes mesmo de começar o evento, as pessoas já se aglomeravam para conseguir um novo companheiro. Cãozinho ganhou novo lar em feira de adoção
Davi Valle/Secom-MT
Em menos de uma hora, os 30 animais disponibilizados em feira de adoção em Cuiabá nesta quinta-feira (28), tiveram um novo tutor. A segunda edição do evento foi realizada na Praça Alencastro, no centro da capital.
Antes mesmo da abertura, as pessoas já se aglomeravam no local da feira para garantir seu novo gato ou cachorro. O evento foi promovido pela Diretoria de Bem-Estar Animal, da Prefeitura de Cuiabá.
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Animais ganham novos tutores em menos de uma hora em feira de adoção
Davi Valle/Divulgação
Os novos tutores receberam orientações sobre os cuidados domésticos e de saúde, recomendados aos cães e gatos.
A Prefeitura de Cuiabá disse que ficou surpresa com o tamanho da procura pelos animais. Segundo o município, o evento mostrou ser um sucesso desde a primeira edição.
A Diretoria de Bem-Estar Animal afirmou que a feira ajuda o município a expandir os atendimentos e acolher outros bichinhos em situação de vulnerabilidade.
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As atividades da diretoria seguem vigentes durante todo ano, sem interrupções, por meio de agendamentos pelo telefone 0800 647 7755.
O horário de funcionamento é de segunda-feira à sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h.


Estudo faz parte da dissertação de mestrado do técnico-administrativo e engenheiro florestal da Ufac Harley Araújo da Silva. Pesquisadores avaliaram 138 árvores plantadas no parque e como elas se desenvolveram e regeneraram ao longo dos anos. Árvore jatobá plantada em 1980 foi analisada no estudo
Arquivo pessoal
O técnico-administrativo Harley Araújo da Silva publicou um artigo falando sobre a regeneração natural de árvores plantadas há 35 anos no Parque Zoobotânico (PZ) da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco. A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado do técnico, que é engenheiro florestal e trabalha no PZ desde 2014.
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No estudo, Silva analisou 138 árvores plantadas no parque há quase quatro décadas, a evolução das espécies ao longo dos anos, o atual estado de sobrevivência e a regeneração natural dessas árvores. A ideia era identificar as espécies que se reproduziram ou se regeneraram para serem recomendadas em áreas degradadas ou alteradas.
O artigo científico ‘Sobrevivência e regeneração natural de essências florestais cultivadas em áreas alteradas 35 anos após o plantio’ foi publicado em janeiro deste ano na Revista Floresta. O material produzido teve a participação também do professor do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza Thiago Augusto Cunha da Cunha e da professora do Parque Zoobotânico Verônica Telma da Rocha Passos.
Parque Zoobotânico tem renegeração natural de ipê que foi plantado em 1980
Arquivo pessoal
“O interessante para uma área é plantar uma espécie no intuito de recompor e que essa espécie se perpetue através da frutificação. Fomos atrás de indivíduos regenerantes das espécies porque quando essa árvore, que vai até um ciclo de vida, morrer vai ter um ciclo de vida regenerante que vai substituir. Então, vão perpetuar essa espécie na área no decorrer do ano. O objetivo do artigo foi fazer esse link também, da questão da restauração, não adianta só fazer plantio se essas espécies não conseguem se reproduzir e colonizar a área. Nosso objetivo é enriquecê-la”, destacou.
Das 138 espécies plantadas no início do experimento e analisadas pelo técnico, 19 se regeneraram, 32 têm indícios de frutificação e em pelo menos 59 foram encontrados indivíduos ainda vivos. Na área há plantio de cedro, ipê, amarelão, jatobá, copaíba e outros.
O técnico acrescentou que no Parque Zoobotânico da Ufac há experimentos em áreas abertas e em capoeiras, que são áreas onde já existiam alguma floresta. A área escolhido por ele para o estudo foi a área aberta onde as espécies foram plantadas ao sol.
“Fiz minha dissertação avaliando as espécies que foram plantadas a pleno sol. A intenção era pensando também nessa questão do Código Florestal, que precisamos recompor áreas de passivo. Então, a intenção era saber que depois de 35 anos quais espécies se desenvolveram melhor. Desenvolvemos essa questão da sobrevivência e também da regeneração natural”, complementou.
Estudo descobriu também frutos e sementes de cetro de rosa de árvores plantadas em parque
Arquivo pessoal
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‘Tião’ ainda possui algumas sequelas causadas pelo incêndio e o objetivo é reinseri-lo de volta à natureza. Novo recinto com lago natural vai auxiliar nessa nova fase. Dia da Anta: Tião passa por reabilitação após sequelas de queimaduras
O ‘Tião’ – uma anta sobrevivente do maior incêndio no Pantanal há dois anos -, ainda passa por reabilitação após ter as quatro patas queimadas pelo fogo. Desde que foi resgatado, ainda filhote, o animal iniciou um tratamento para conseguir voltar a viver na natureza.
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A anta e outro filhote foram resgatadas com no dia 12 de setembro de 2020 após as mães delas morrerem no incêndio. Tião e Jabuticaba estavam com desidratação e desnutrição severa quando foram encontrados e ainda passam por reabilitação.
Tião passa por reabilitação após o incêndio do Pantanal em 2020
Reprodução/Ampara Silvestre
Após dois anos de tratamento, os animais continuam com algumas sequelas.
Tião possui algumas sequelas nas patinhas causadas pelo fogo
Reprodução/Ampara Silvestre
Segundo o veterinário da anta e técnico da ONG Ampara Silvestre Jorge Salomão, Tião está respondendo bem ao tratamento, mas perdeu massa óssea em uma das patas, o que dificulta a volta para o habitat natural.
“Ele ainda está em processo de avaliação, mas demos um passo importante que foi trocá-lo para um recinto maior. Isso vai auxiliar na recuperação dele. Tião ainda tem algumas alterações nos cascos e outras lesões causados pelo incêndio”, contou.
O animal foi transferido para outro recinto maior com o objetivo de auxiliar na reabilitação
Reprodução/Ampara Silvestre
No dia 18 deste mês, Tião foi transferido para um recinto que possui um lago maior e natural, no Parque Sesc Baía das Pedras, em Poconé, a 103 km de Cuiabá.
“O objetivo é de introduzi-lo na natureza. As patas foram muito prejudicadas e um lago maior e natural vai fortalecer a musculatura, além dele poder mergulhar e nadar”, contou.
Atualmente, o Tião está bem e é tratado diariamente por voluntários. Segundo o veterinário, ainda não há uma previsão para a anta retornar ao habitat natural.
“Agora que transferimos ele para um recinto grande, vai auxiliar no processo. Ainda estamos otimistas com a possibilidade de reintrodução, mas temos ainda pelo menos de seis meses a um ano de avaliação para podermos decidir e concluir se vai ser possível reintroduzir ou não”, disse.
Dia da Anta
Tião queimou as quatro patas no incêndio do Pantanal
Reprodução/Ampara Silvestre
Em 27 de abril é comemorado o Dia Internacional da Anta, o maior mamífero terrestre do Brasil. Elas têm um grande papel ecológico porque auxiliam na dispersão de sementes.
Em relação à alimentação, as antas ingerem entre oito e nove quilos de vegetais diariamente.
São animais muito inteligentes e de importância notável, mas que, enfrentam ameaças e correm risco de extinção.
A espécie é considerada vulnerável à ação de animais menores, como cães que acabam indo para a mata. Normalmente, os cachorros seguem o instinto natural, de brincar, correr e cercar o animal silvestre e as antas podem acabar se ferindo. Também há o risco de possíveis ataques desses animais.
Maior incêndio da história
Queimadas destroem fauna e flora no Pantanal
Mayke Toscano/Secom-MT
Em 2020, o Pantanal foi atingido pela maior tragédia de sua história. Incêndios destruíram cerca de 4 milhões de hectares. 26% do bioma – uma área maior que a Bélgica – foi consumida pelo fogo. Cerca de 4,6 bilhões de animais foram afetados e ao menos 10 milhões morreram.
Em Mato Grosso, quase 2,2 milhões de hectares foram destruídos e, em Mato Grosso do Sul, 1,7 milhão de hectares, virou cinzas.
Estudo feito por pesquisadores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que os incêndios no bioma afetaram pelo menos 65 milhões de animais vertebrados nativos e 4 bilhões de invertebrados.


Desfile com peças tingidas de forma natural vai ocorrer no próximo dia 30, em Rio Branco. Roupas foram tingidas com insumos regionais em fevereiro
Hannah Lydia/arquivo pessoal
Utilizando açafrão, folhas de crajiru, urucum e até café para o tingimento, a bióloga Denise Arruda organiza um desfile de moda com peças reutilizadas e tingidas de forma natural. O evento de Moda Sustentável Hibrida: Tingimento Natural com insumos Acreanos e técnicas de upcycling vai ocorrer no sábado (30), em Rio Branco.
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No desfile serão apresentadas mais de 15 peças reutilizadas. As roupas foram desenhadas e produzidas em fevereiro por pessoas sorteadas para participarem do projeto gratuito e pioneiro de moda ecológica. O grupo aprendeu sobre desenhos, cortes, costura e tingimentos com insumos regionais.
O evento é financiado pela Lei Aldir Blanc e gerenciado pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).
“Não demos curso, mas viveram essas experiências junto com a gente. Contratei uma pessoa para fazer o tingimento porque tinha fogo e ela já tem experiência com isso. Mas, os participantes escolheram tudo, vivenciaram tudo, desenharam”, relembrou Denise.
A bióloga contou que o evento será aberto ao público para dar visibilidade e estimular a produção de moda voltada à sustentabilidade. Ela destacou que esse é o primeiro desfile de tingimento natural no estado.
Participantes de projeto aprenderam sobre moda sustentável durante aulas
Hannah Lydia/arquivo pessoal
“Têm pesquisas com algodão cru, por exemplo, mas a roupa pronta não há registro. Nossas roupas são reutilizadas, não fizemos aquisições de tecido, pegamos roupas brancas ou claras de bazar, velhas ou aquelas guardadas há muito tempo e transformamos as peças”, explicou.
As peças serão avaliadas por cinco jurados, que vão analisar exclusivamente a criatividade. O primeiro lugar vai levar R$1 mil, o segundo R$ 500 e o terceiro R$ 300. Entre os jurados está uma pesquisadora de tingimento e também a empresária Manu Paim, que tem uma marca de roupas sustentáveis.
As peças não serão vendidas. “É para conscientização, quero que as pessoas vejam que, a partir dali, tudo é possível, que tenhamos uma moda mais limpa, menos agressiva e pensando na questão ambiental e que na passarela também pode”, concluiu.
Projeto de moda sustentável utilizou insumos naturais em tingimento de roupas
Hannah Lydia/arquivo pessoal
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Fêmea Paty seria reintroduzida na natureza em 2021, quando profissionais do ICMBio perceberam que ela estava prenhe e adiaram soltura. Filhote também do sexo feminino nasceu nesta terça-feira. Filhote de peixe-boi nasce em cativeiro pela 1ª vez em Porto de Pedras
Técnicos e profissionais do ICMBio comemoraram, nesta terça-feira (26), o nascimento de uma filhote de peixe-boi em cativeiro na cidade de Porto de Pedras, Litoral Norte de Alagoas. De acordo com o Instituto, é a primeira vez no mundo que o nascimento de um filhote dessa espécie é registrado em cativeiro.
“Apesar de machos e fêmeas terem ficarem juntos desde 1994, nunca tinha ocorrido uma gravidez e um nascimento de filhote em cativeiro. Geralmente as fêmeas reproduzem depois que são soltas, cinco, seis, sete anos depois. Mas dentro do recinto é a primeira vez e, até onde eu sei, é a primeira vez no mundo”, explicou a médica veterinária do ICMBio, Fernanda Attademo.
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O nascimento aconteceu no recinto de aclimatação da APA Costa dos Corais, que é um local onde os animais permanecem em adaptação às condições ambientais – como corrente marinhas, temperatura da água e movimentos de oscilações da maré – antes de serem reintroduzidos no seu habitat natural. É a última etapa antes da soltura.
A mãe é a fêmea adulta chamada de Paty, resgatada em 2014 ainda filhote, na Praia de Pratagy, em Maceió. O resgate foi feito pelas equipes do ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos aquáticos (CMA), APA Costa dos Corais, em parceria com o Instituto Biota de Conservação.
Os técnicos relataram que Paty teve sérios problemas de saúde no início da reabilitação, sendo tratada pela equipe de médicos veterinários. Ela conseguiu se recuperar em cativeiro e foi dado início ao processo de readaptação e soltura na natureza. Para isso, ela foi transferida para Porto de Pedras em 2019, onde permaneceu no recinto de aclimatação.
Foi nessa última fase antes da soltura que Paty dividiu o espaço com o macho Raimundo, que também aguardava soltura. As equipes então perceberam que Paty poderia estar prenhe e decidiram suspender a soltura dela, prevista para 2021, bem como qualquer manejo clínico. Somente o peixe-boi macho foi reintroduzido na natureza.
Desde então, a fêmea passou a ser monitorada em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Com o nascimento do filhote, os técnicos do ICMBio acreditam que podem desenvolver novas pesquisas sobre a reprodução da espécie, comportamento e saúde, além da sensibilização ambiental da população em relação ao peixe-marinho, espécie ameaçada de extinção no Brasil.
Peixe-boi nasce em recinto de aclimatação em Porto de Pedras, Alagoas
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Objetivo é gerar renda às comunidades tradicionais da floresta e, ao mesmo tempo, manter os serviços ecossistêmicos prestados pelo bioma. Mas ainda há desafios a serem superados, como implantar e atualizar políticas públicas; biólogo diz que pensar em uma bioeconomia bem estruturada pode ser a solução. Cadeias produtivas bem estruturadas dos ingredientes amazônicos podem ajudar a manter a floresta em pé.
Marcelo Ferri
A captura do jacaré na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, em Rondônia, não é inimiga da natureza. A ideia é fazer o controle populacional. Para isso, o abate é feito por mãos treinadas. O processo de manejo resulta em um produto fresco e ideal para consumo. Em paralelo, une ciência, capacitação, conservação da floresta e geração de renda para as famílias em um trabalho só.
Segundo Cristiano Andrey do Vale, chefe substituto do Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Cuniã-Jacundá, o esforço começou a ser pensado em 2004 em conjunto entre o instituto e a comunidade, sendo colocado em prática 7 anos mais tarde. Os extrativistas optaram pelo manejo comercial de duas espécies nativas de jacaré: açu e jacaretinga.
Manejo do jacaré na resex Lago do Cuniã, em Rondônia, se transforma em um produto fresco e pronto para ser consumido.
ICMBio Cuniã-Jacundá/Divulgação
“O jacaré foi um recurso passivo de uso. Tiveram de 2004, até hoje, muitas reuniões com as comunidades. Tiveram capacitações, apoios de entidades governamentais e não governamentais para construção do frigorífico, realização de intercâmbio e compra de equipamentos”, explicou Cristiano.
A implementação do manejo do jacaré na resex, atualmente ancorado por instrução normativa do ICMBio, ilustra como uma cadeia de produtos da sociobiodiversidade bem estruturada pode dar bons frutos. Engloba geração de renda, infraestrutura e uso equilibrado dos recursos oferecidos pela Amazônia. A iniciativa ainda inibe o avanço do desmatamento e de outros crimes ambientais. Também ajuda a manter vivo o modo de produção que carrega a ancestralidade das comunidades tradicionais da floresta.
“Cada povo tem o seu conhecimento sobre a floresta, sobre o uso desses produtos. Nós temos a maior sociobiodiversidade, uma diversidade étnica, cultural, capaz de conhecer esses ingredientes, saber o uso deles e colocar o Brasil em um lugar de destaque nesse cenário”, resumiu Patrícia Gomes, gestora de projetos do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
Manejo do Jacaré na resex Lago do Cuniã, em Rondônia.
ICMBio Cuniã-Jacundá/Divulgação
Mas o que são produtos da sociobiodiversidade?
Primeiro, é preciso entender a definição de sociobiodiversidade. Trata-se da união de bens e serviços formados pela conexão entre a diversidade biológica da floresta e a prática de atividades sustentáveis.
“É a economia da vida. A maneira como as pessoas lidam com os produtos oriundos de uma determinada região. É a maneira que se tem de fazer a sua reprodução social, de gerar a sua economia, a sua riqueza e todos os benefícios que pode trazer para a qualidade de vida dessas pessoas”, explicou o biólogo Marcelo Lucian Ferronato, coordenador do Programa Floresta e Agricultura na Ação Ecológica Guaporé-Ecoporé.
Série sobre sociobiodiversidade na Amazônia
O Ministério do Meio Ambiente define os produtos da sociobiodiversidade como “bens e serviços (produtos finais, matérias-primas ou benefícios) gerados a partir de recursos da sociobiodiversidade, voltados à formação de cadeias produtivas de interesse dos povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares”.
A variedade existente é enorme. Tanto que o ICMBio criou em 2019 o “Catálogo de Produtos da Sociobiodiversidade do Brasil”, guia com os principais ingredientes de 60 unidades de conservação do país. Na lista constam itens como açaí, óleos vegetais, madeira de manejo comunitário, frutas, polpas e, inclusive, o jacaré. Estima-se que o número de produtos originários da natureza ultrapasse a marca de 200.
“[O catálogo] foi um esforço feito no sentido de identificar associações que trabalham com produtos da sociobiodiversidade, de conectar com algum acordo de mercado dentro desses elos de comercialização. E o intuito é ser retroalimentado”, explicou João da Mata, coordenador de Produção e Uso Sustentável do ICMBio.
Açaí compõe a lista de produtos da sociobiodiversidade.
Joilson Arruda / arquivo pessoal
Estratégias x desafios
Para então impulsionar cadeias produtivas com os componentes amazônicos, o governo federal criou há 13 anos um plano com instruções estratégicas de gestão aos estados e municípios. Mas conforme João da Mata, é usado hoje como referência a novas táticas de administração, pois não há um orçamento para montar políticas públicas mais eficazes.
Por vezes, populações inteiras necessitam de políticas focadas nos potenciais das áreas em que vivem. Isso pode demandar investimentos em infraestruturas para agregar valor e ampliar a variedade de produtos, bem como envolver a comunidade no processo de geração de renda e preservação ambiental.
“Não tem, por exemplo, um programa orçamentário que preveja a implementação do plano nacional da sociobiodiversidade. O plano sempre foi utilizado no escopo de construção de desenvolvimento de outras estratégias de gestão”, complementou João da Mata, coordenador de Produção e Uso Sustentável do ICMBio.
Série sobre sociobiodiversidade na Amazônia
Por meio da Política de Garantia dos Preços Mínimos (PGPM), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) auxilia extrativistas e agricultores familiares a conquistarem uma renda justa com os produtos manejados.
Com foco na relação legítima de valores, os ministérios da Agricultura e Economia decidem os preços mínimos a partir de estudos sobre custos de produção. Mas apesar do aval de uma política com um preço base, o superintendente de Estudos Agroalimentares e da Sociobiodiversidade da Conab, Marisson Marinho, lista três desafios a serem superados pelo Executivo e para quem vive na mata fazendo a extração.
“É preciso conhecimento, a retirada da informalidade e as questões fiscais, a isenção de nota fiscal avulsa, a possibilidade de fazer romaneios para não ficar emitindo nota semana a semana. Tem que ajustar essa questão fiscal para que esse público que recebe o mínimo do mínimo possa receber um pouquinho mais pelo seu produto”, detalhou.
Falta de políticas públicas mais eficazes prejudica implementação de cadeias produtivas de sucesso na Amazõnia.
Armando Júnior
Ainda há muitos obstáculos para estruturar cadeias produtivas de sucesso, mas segundo a coordenadora de Articulação e Apoio ao Extrativismo do Ministério da Agricultura, Tarcila Portugal, é possível sim enfrentá-los. “Temos poucas informações, poucos dados estatísticos reais sobre produção, beneficiamento, comercialização dos produtos. Esses dados são muito importantes para que possamos formular políticas públicas ou adequar as já existentes”, concluiu.
Mareilde Freire, uma das fundadoras da Saboaria Rondônia, cobra por políticas voltadas aos pequenos produtores. Com a premissa de colher, produzir e preservar, a associação, com sede em Ouro Preto do Oeste (RO), confecciona produtos de higiene orgânicos com base nas palmeiras de babaçu e buriti.
A união dessas atividades foi a forma que o grupo de mulheres encontrou para, ao mesmo tempo, conservar os serviços ecossistêmicos da Amazônia vivos e gerar renda. O trabalho também envolve valorizar outras iniciativas locais, como a cafeicultura e a apicultura.
“A gente agrega valor econômico a essas duas palmeiras, fazendo com que as mulheres da comunidade onde estão inseridas participem desse momento. Mas é preciso que o poder público comece a ter um olhar diferenciado. Estou falando do pequeno, daquele que está dando os primeiros passos”, explicou a produtora rural.
Mulheres da Saboaria Rondônia confeccionam produtos de higiene orgânicos com as palmeiras de babaçu e buriti.
Saboaria Rondônia/Divulgação
Mira na expansão de mercado e bioeconomia
Enquanto políticas públicas mais eficazes continuam em falta, empresas e iniciativas nacionais e internacionais tentam reduzir esse gargalo com projetos, planos de gestão e negócios, como é o caso do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).
“É assessorar o desenvolvimento de um produto que tenha um valor competitivo, que possa concorrer com outras atividades legais e, ao mesmo tempo, tenha um custo de produção viável. E para isso a gente busca não só assistência técnica de gestão, mas também conectar com o mercado que pague esse valor’, disse André Vianna, coordenador do Projeto Manejo Florestal do Idesam.
Com foco em óleos vegetais, Idesam atua na Amazônia para ajudar no fomento de cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
Idesam/Divulgação
Além do grupo ajudar há mais de 15 anos povos tradicionais no desafio de elevar o modo de produção a outro patamar, ainda conecta quem maneja com quem consome. Financiado com recursos do Fundo Amazônia, o aplicativo Cidades Florestais do Idesam funciona como um rastreador ao possibilitar o acesso a informações sobre quem, onde e como manejou. “As empresas precisam considerar os aspectos de meio ambiente, de impacto social, questões de governança”, acrescentou André.
A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) também investe no potencial dos produtos amazônicos e em quem maneja. Alinhada ao governo federal brasileiro, tem ao menos 10 projetos na Amazônia Legal e já chegou a injetar R$ 17 milhões em soluções para desenvolver a economia da região.
“A USAID tenta apoiar atores que já têm presença no sistema. Estamos falando de produtos, estamos falando de mercado que é feito por pessoas, por processos”, explicou Catherine Hamlin, diretora do Escritório de Meio Ambiente da USAID/Brasil.
Para escalar a produção de pequenas empresas no mercado, a startup do Matheus Pedroso e da Kaline Rossi, chamada Amazônia HUB, vende na internet produtos compostos por ingredientes advindos de 13 empreendimentos focados no impacto socioambiental positivo do Pará, Amazonas, Amapá e Acre. “É oferecer para os nossos clientes produtos que agregam para a Amazônia, para a Floresta e que são únicos. Que ali dá o seu valor tanto na parte produtiva, quanto na questão da qualidade”, explicou Matheus.
E a indústria de pães do Pedro Wickbold atua para expandir a ideia de que a floresta preservada tem mais valor. Em parceria com a rede de negócios sustentáveis Origens Brasil, aproxima extrativistas e consumidores por meio de produtos como a castanha, por exemplo. “A gente compra uma castanha e transforma em pão. Um consumidor hoje no Sul, no Sudeste do Brasil que compra esse pão está contribuindo, eu não sei se indiretamente, talvez diretamente para manutenção da floresta em pé”, detalhou Pedro.
Série sobre sociobiodiversidade na Amazônia
Mesmo com o apoio de iniciativas e empresas, o potencial dos ingredientes sociobiodiversos ainda é pouco aproveitado. De acordo com o biólogo e diretor do projeto Amazônia 4.0, Ismael Nobre, uma das soluções para equilibrar valorização, mercado e preservação da floresta é pensar em uma bioeconomia estruturada, o que selaria os laços culturais carregados pelos produtos da sociobiodiversidade.
“Por um olhar científico sobre o bioma amazônico, da importância dos serviços ecossistêmicos à manutenção do clima no planeta, precisamos de um modelo que mantenha a floresta. Mantenha ou recupere parte da floresta que já perdemos, já demonstra mudanças nesses padrões ecológicos e hídricos. O Brasil poderia pensar em fazer um melhor uso desse ambiente em função das suas vocações. E uma grande vocação da Amazônia é a bioeconomia. É a economia dos produtos da floresta”, finalizou.
VÍDEOS mais vistos do g1

O Brasil não está diante de uma eleição polarizada como outras, dizem a historiadora Heloisa Starling e o cientista político Miguel Lago, mas tem à frente uma disputa inédita que vai definir o futuro da democracia no país.

Em “Linguagem da Destruição“, livro em coautoria com Newton Bignotto, os pesquisadores convergem na interpretação do bolsonarismo como uma nova linguagem e como uma força que corrói a democracia de dentro para fora, com o potencial de permitir a emergência de formas totalitárias.

Na conversa com Eduardo Sombini, os autores discutiram as características da língua que Bolsonaro fala —talhada para virar memes e desacreditar o conhecimento— e a dificuldade das instituições responderem ao que ele diz.

Lago diz que a maior força do discurso do presidente é a ideia de eliminar as construções coletivas que limitam o poder dos mais fortes. Starling, por sua vez, sustenta que Bolsonaro está ligado a uma utopia reacionária com raízes na linha dura do regime militar, anticomunista e ainda mais autoritária que os generais, e na herança do nazismo e do integralismo no Brasil.

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Inscrições para curso de Pescador Profissional Especializado abertas  Prefeitura de São João da Barra

Em razão dos feriados prolongados, o novo episódio do Ilustríssima Conversa vai ao ar em 23 de abril.

Até lá, sugerimos revisitar a conversa com o professor de filosofia Newton Bignotto, de setembro de 2020, que dialoga muito com o próximo episódio.

Na entrevista, Bignotto falou sobre a história das ideias sobre a democracia no Brasil e a degradação das nossas instituições nos últimos anos, dando bastante destaque às disputas ferrenhas entre diferentes grupos por suas demandas, que enfraquecem a construção de uma esfera pública democrática no país.

Ouça aqui: ‘Guerra de facções’ ameaça a República no Brasil, avalia professor

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