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Grupo de pesquisadores diz que os rios podem ter cheias, mas não como no início deste ano. Sugestão é fortalecer monitoramento nas cidades do interior do estado. La Ninã antecipa chuvas intensas no Acre e cheias acentuadas devem ser registradas em 2022
Juan Diaz/Arquivo pessoal
É comum no chamado “inverno amazônico”, as chuvas se potencializarem no Acre, porém, este ano essa intensidade foi registrada ainda mais cedo. O g1 consultou professores do grupo de pesquisa em recursos hídricos, meio ambiente e geografia e riscos da Universidade Federal do Acre (Ufac) para saber o motivo desse fenômeno e eles destacam os impactos causados pelos dois fenômenos que o Acre enfrente em um ano: seca severa e cheias dos rios.
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Os estudiosos explicam que o fato de estarmos passando pelo La Niña (“a menina” em espanhol) contribui para esse aumento. A principal característica do fenômeno é o resfriamento da superfície das águas do Oceano Pacífico.
“Eventos como o El Niño e La Niña modificam o padrão climático de diversas regiões do planeta, especialmente do Brasil. Na região Norte, nos anos de La Niña, aumentam-se as chances de potencialização das chuvas. Estamos atravessando, assim como aconteceu no ano passado, um evento de La Niña. Além disso, a ocorrência de uma ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) também influenciou para a antecipação de tais eventos. Com o aumento das chuvas, provoca-se, consequentemente, aumento no volume dos rios”, destaca o grupo.
Seca e cheia dos rios
Os rios também tiveram considerável aumento nos últimos dias. Em Rio Branco, por exemplo, o nível do rio chegou a 8,55 metros na manhã desta sexta-feira (17), sendo que a cota de alerta é de 13,50 metros e a de transbordo 14 metros. Já com relação a chuvas, foram 84,8 milímetros nas últimas 24 horas. A Defesa Civil Municipal de Rio Branco informou que o esperado para todo o mês de dezembro é 262,5 milímetros.
Realidade completamente diferente do registrado em 29 de agosto deste ano, quando o Rio Acre se aproximou da menor cota registrada na história, quando marcou 1,33 metro. O nível do rio chegou a 1,30 metro, menor marcação já registrada desde 1971 – ano em que o manancial começou a ser monitorado – no dia 17 de setembro de 2016.
A prefeitura chegou a decretar estado de emergência nas comunidades rurais, que ficaram desabastecidas. A Coordenação Municipal da Defesa Civil informou que, neste período de seca, foram atendidas, com abastecimento de água potável, 17 comunidades rurais e ainda dois bairros da zona urbana. Ao todo, mais de 8,3 mil pessoas foram atendidas com a operação.
Inmet emitiu mais um aviso de chuvas intensas para sexta e sábado no Acre
Reprodução/Inmet
Chuvas intensas
Em novembro, o cenário no estado começa a mudar e as chuvas começam a ser registradas de forma mais frequente. Nesta sexta, mais uma vez o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas intensas para todo o estado. O aviso vale até às 11h de sábado (18). Durante esse período, pode ocorrer chuva entre 30mm/h e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60 km/h-100 km/h). Há também risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
As regiões Norte e Nordeste tendem a ficar mais chuvosas durante a ocorrência do La Niña, enquanto que as chuvas ficam menos frequentes no Sul. Outra característica do fenômeno no Brasil é deixar as temperaturas mais amenas e o clima mais seco no Sudeste e no Centro-Oeste.
Para o grupo, com base no atual cenário há a possibilidade de o estado registrar cheias acentuadas no ano que vem.
Em dezembro, chuvas se intensificam em todo o Acre
Iryá Rodrigues/g1
“Com o aumento das chuvas e o consequente aumento do volume de água nos rios, há sim perspectiva de cheias nos rios acreanos para os meses de janeiro/fevereiro de 2022. Dada a intensidade do evento La Niña e de outros fatores que interferem no regime hidrológico, a expectativa é que não seja tão intensa quando no início de 2021. Mas deve, sim, causar perturbações de ordem social e econômica”, destaca.
Reforço do monitoramento
Para tentar amenizar os impactos à população, os pesquisadores sugerem que os órgãos públicos usem a estrutura da melhor forma, inclusive, reforçando esse monitoramento nas cidades do interior do estado, que, às vezes, acabam não tendo um monitoramento mais detalhado como ocorre na capital.
“O estado do Acre já dispõe de uma estrutura bastante eficiente de monitoramento de eventos extremos. Porém, com maior concentração em Rio Branco e cidades vizinhas do baixo Acre. Com isso, a criação de um grupo de monitoramento e resposta nos demais municípios pode atenuar os impactos causados pelos eventos extremos (tanto de cheia quanto de seca).”
Porém, além das medidas públicas, é preciso consciência coletiva de quem ocupa esses espaços. Os estudiosos alertam que muitas ações humanas acabam contribuindo para a piora de eventos extremos no nosso estado.
“Desmatamento, ocupação desordenada, ocupação das margens e poluição dos rios e igarapés, desperdício de água etc. Dessa forma, é preciso que haja um planejamento em longo prazo no intuito de envolver governos e a sociedade para o uso racional dos recursos”, pontua.
Tempo Acre, nublado Acre, rio Acre
Juan Diaz/Arquivo pessoal
Eventos extremos
Devido a esses fenômenos, o regime hidrológico da região apresenta bastante variabilidade sazonal. Isso a caracteriza com duas estações bem definidas (seca e chuvosa), explica o grupo de estudiosos. Ou seja, os acreanos saem do chamado “verão amazônico”, que castiga com altas temperaturas e ainda queimadas constantes, para o “inverno amazônico”, quando as chuvas intensas ficam recorrentes e as cheias dos rios atingem grande parte da população.
“A região amazônica possui alta umidade, além das massas equatoriais que entram pelo leste da Amazônia, que tende a aumentar à medida que passa sobre a grande área de floresta, potencializada pela evapotranspiração. Isso influencia na ocorrência de muitas chuvas. Já as secas ocorrem devido à ausência de movimentação tal umidade, provocada por outros fenômenos.”
Os estudiosos destacam ainda que existe um leque de ações que pode ser colocado em prática nas esferas governamentais; uma delas é a apostar em profissionais qualificados e preocupados com a questão ambiental que possam dar melhor direcionamento nas políticas públicas voltadas à gestão e ao manejo racional desses recursos.
“Outras medidas, como ações de infraestrutura em larga escala, a exemplo da construção de reservatórios ou obras de contenção de cheias, podem ser alternativas viáveis. Adicionalmente, a recuperação de nascentes e reconstrução de matas ciliares também podem auxiliar na atenuação dos eventos extremos. Deve-se destacar que quaisquer intervenções precisam de análise técnica e científica, com vistas à viabilidade econômica, social e ambiental”, finaliza.
Instruções durante chuvas intensas
Em caso de rajadas de vento: (não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda)
Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193)
Temperaturas ficam mais amenas durante o fim do ano
Murilo Lima/Rede Amazônica Acre
Notícias do Acre
Pesquisa, publicada nesta quinta-feira (16), contabilizou carcaças de animais e criou um modelo matemático para fazer uma estimativa da destruição provocada pelo fogo no bioma. Extermínio no Pantanal: 17 milhões de animais morreram nas queimadas em 2020, diz estudo
A revista “Nature” publicou nesta quinta-feira (16) um estudo brasileiro realizado por 30 pesquisadores de órgãos públicos, de universidades e de organizações não-governamentais que estima a morte de, ao menos, 17 milhões de animais vertebrados em consequência direta das queimadas no Pantanal no ano passado.
Segundo a pesquisa, divulgada pelo g1 em setembro deste ano, as vítimas mais recorrentes foram as pequenas cobras, principalmente as aquáticas: mais de 9 milhões de mortes.
Queimadas mataram 17 milhões de animais vertebrados no Pantanal em 2020, aponta estudo
Uma sucuri viva entre 9 milhões de cobras mortas: achado traz esperança para pesquisadora no Pantanal
Trabalho pioneiro
Os pesquisadores dizem que o trabalho é pioneiro no uso da “técnica de amostra de distâncias em linhas” para calcular mortes de animais em queimadas.
A metodologia é baseada nos chamados transectos: trilhas em linha reta através de áreas pré-determinadas pelos focos de incêndio no bioma. Cada linha percorrida tinha entre 500m e 3km. Ao todo, o grupo percorreu 114 km de transectos.
Nestes trajetos lineares, as carcaças avistadas eram registradas com datas e coordenadas geográficas, assim como a distância perpendicular de cada uma delas em relação à linha de referência.
Quanto mais longe do transecto, menor a quantidade de animais encontrados. Ao conhecer o comportamento dessa probabilidade, os pesquisadores conseguiram elaborar um modelo matemático para estimar o número de carcaças presentes na área. Isso permitiu a modelagem de estimativas que o grupo considerou confiáveis para o cálculo da densidade de animais mortos.
“O método é diferente, ele se baseia no conhecimento da probabilidade de detectar um animal a diferentes distâncias da linha. É uma estratégia moderna para corrigir o erro de “detectabilidade”, que é a probabilidade de enxergar o animal quando ele está presente na área em que se passa”, explica Walfrido Moraes Tomas, pesquisador da Embrapa Pantanal e coordenador do estudo.
Número subestimado
Os 17 milhões de animais vertebrados são assumidamente uma subestimativa, porque muitos animais que vivem em tocas ou dentro de ocos de árvores podem ter morrido nesses locais sem terem sido avistados. Há também o caso de vertebrados muito pequenos que podem ter sido completamente calcinados pelo fogo intenso.
4,65 bilhões de animais foram afetados com as queimadas no Pantanal, apontam pesquisadores
A busca em campo era feita em até 72 horas após o início de cada foco do incêndio, mas a maioria dos casos foi catalogado entre 24 e 48 horas. A força-tarefa para o trabalho de campo ocorreu entre 1º de agosto e 17 de novembro de 2020 (como noticiou o G1 à época), do norte ao sul do Pantanal.
A estimativa abrange o período entre janeiro e novembro de 2020. No ano passado, o Pantanal foi consumido pela maior tragédia de sua história, com a destruição de cerca de 4 milhões de hectares (26% da área de todo o bioma).
Os animais registrados no levantamento foram divididos em dois grupos, de acordo com o tamanho da carcaça: pequenos vertebrados (menos de 2kg), como anfíbios, pequenos lagartos, cobras, pássaros e roedores; e médios para grandes vertebrados (2kg ou mais), como queixadas, capivaras, mutuns, grandes cobras, tamanduás e primatas.
As serpentes aquáticas representaram 60% das vítimas.
“Esses animais possuem baixa capacidade de locomoção, o que dificulta a fuga durante um incêndio. Durante a estação seca costumam ficar enterradas em áreas de campo inundáveis. Quando o fogo atinge uma área úmida seca é bastante comum ocorrer o incêndio de turfa, que consome a espessa camada de matéria orgânica. Esse tipo de fogo é de difícil combate e detecção, podendo queimar por semanas e atingir os animais que habitam esses ambientes”, explicou a bióloga Gabriela do Valle Alvarenga, pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), participante da pesquisa.
Impacto na biodiversidade
A biodiversidade do Pantanal é composta por mais de 2 mil espécies de plantas, 269 peixes, 131 répteis, 57 anfíbios, 580 aves e pelo menos 174 mamíferos. O número de invertebrados é desconhecido.
Grandes vertebrados como cervos, veados, antas e onças não foram observados a partir dos transectos dada a baixa densidade populacional dessas espécies no Pantanal. Mas foram frequentemente encontrados durante o trabalho de combate aos incêndios, mortos ou feridos perto de estradas.
O estudo alerta que as mudanças climáticas provocadas pelas ações do homem têm influenciado a frequência, a duração e a intensidade das secas na região. O impacto de seguidas queimadas pode ser catastrófico e empobrecer o ecossistema, que já é frágil durante o período sem chuvas. O fogo faz parte da dinâmica natural do Pantanal, mas não nessas proporções.
Diante da possibilidade de novos desastres na região, os pesquisadores esperam com o estudo ajudar a dimensionar os impactos cumulativos causados por incêndios recorrentes no bioma.
“Esses números dão uma ideia do cenário das mudanças climáticas. A probabilidade de ter incêndios como esses é alta. Isso pode acontecer, acontecer, e acontecer, destruindo o ecossistema”, comenta o coordenador Walfrido Moraes Tomas.
Força-tarefa
O trabalho contou com pesquisadores da Embrapa Pantanal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), Universidade do Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação Meio Ambiente do Pantanal, Instituto Smithsonian (dos Estados Unidos), entre outras instituições.
Houve também o apoio logístico e suporte financeiro de ONGs como WWF Brasil, ONG Panthera, Instituto Homem Pantaneiro, Ecologia e Ação (ECOA), Museu Paraense Emílio Goeldi, além da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul e da colaboração de voluntários.
No início dos levantamentos no ano passado, a escassez de verbas impactou o planejamento e as ações no campo, e pesquisadores precisaram trabalhar voluntariamente. Com a repercussão da força-tarefa, chegaram depois recursos de governos estaduais e ONGs.
5 pontos sobre as queimadas no Pantanal

Estudos na área já têm mais de 20 anos e revelam os impactos de queimadas à fauna e flora, e importância de incorporar moradores no planejamento de uso da terra da região. Área de savana em Alter do Chão, com predominância de gramínea
Rodrigo Fadini/Arquivo pessoal
Um estudo que começou a ser feito há mais de 20 anos por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) tem monitorado a biodiversidade da savana amazônica próximo a vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará.
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A pesquisa piloto realizada para integrar os estudos ecológicos, a partir do final da década de 1990 se tornou o embrião para a criação do Sistema RAPELD (protocolo de pesquisas para estudos rápidos (RAP) em pesquisas ecológicas de longa duração (PELD)), que é utilizado no sítio de pesquisa ecológica de longa duração do Oeste do Pará (Pop).
Ao longo dos anos, os pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e do Inpa instalaram e mantiveram plots de monitoramento de pesquisa permanentes em uma mancha de savana amazônica localizada em Alter do Chão. Os “plots” são parcelas permanentes onde os pesquisadores retornam periodicamente para medir a biodiversidade e o que possivelmente a afeta.
As savanas amazônicas são formadas por uma vegetação de porte baixo, com árvores tortuosas e a maior parte de gramíneas, semelhantes às savanas presentes no cerrado brasileiro, mas com menor diversidade de espécies.
Atualmente, as savanas amazônicas constituem um ecossistema ameaçado, cobrindo apenas 6% do bioma Amazônia.
Segundo o estudo realizado na região, ao longo desses anos o foco dessas pesquisas foram três questões ecológicas de longo prazo, que remontam à época dos estudos originais: Quais são as forças ecológicas que mantém a tensão entre as savanas e florestas? Quais são as respostas de curto, médio e longo prazo da fauna ao fogo e outras variáveis ecológicas localmente e globalmente importantes? Quais são as influências naturais da fragmentação florestal natural e das características da paisagem sobre a flora e a fauna?
Loteamento que avançou sobre uma savana próxima à Alter do Chão, no PA
Rodrigo Fadini/Arquivo pessoal
Ao longo de 20 anos, a pesquisa já soma a publicação de 70 artigos científicos e 31 dissertações de mestrado e teses de doutorado.
“Este estudo é importante porque sintetiza os esforços de pesquisa conduzidos por diversos grupos de pesquisadores. Pesquisa que resultou no avanço do conhecimento científico sobre a biodiversidade das savanas, na formação de jovens cientistas e no auxílio à criação de políticas públicas que beneficiam os moradores da região de Alter do Chão”, destaca o pesquisador da Ufopa, Rodrigo Fadini, que integra o PELD Popa.
Resultados
O estudo acaba de ganhar novo destaque com a publicação de mais um trabalho: o artigo Long-term standardized ecological research in na Amazonian savanna: a laboratory under threat (Pesquisa ecológica de longa duração em uma savana amazônica: um laboratório ameaçado, em tradução livre para o Português), publicado em dezembro de 2021 nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, que sintetiza algumas respostas às três principais questões elaboradas pelos pesquisadores anos atrás.
De acordo com as conclusões publicadas, o fogo e o solo são importantes para a manutenção da tensão entre a floresta e a savana.
A textura do solo mais argilosa e a maior concentração de potássio nos solos das florestas do que das savanas beneficia a formação e manutenção de uma estrutura mais arbórea. O solo interage com o fogo, que só adentra às florestas em anos de estiagem prolongada.
O estudo aponta que o fogo parece não afetar populações de roedores e de lagartos que habitam as savanas da região. Esses animais desenvolvem estratégias comportamentais que permitem maior resiliência. Já a estrutura da vegetação das savanas é fortemente afetada pelo fogo, o que pode prejudicar alguns animais, indiretamente.
erva-de-passarinho (Psittacanthus biternatus), planta parasita que ocorre nas savanas e igapós e floresce o ano inteiro
Rodrigo Fadini/Arquivo pessoal
A pesquisa mostra também que ocorre uma “fragmentação natural” em fragmentos florestais na área estudada, que parece afetar alguns grupos de espécies (como árvores, aves e formigas), mas não outros (como morcegos e pequenos mamíferos não voadores).
Fadini explica que o desenvolvimento de pesquisas na região ajudou na criação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão em 2003, iniciativa com forte participação popular. No entanto, ela não foi suficiente para ordenar a ocupação do território pelos empreendimentos imobiliários na região.
“Nos últimos anos, diversas parcelas foram destruídas por loteamentos clandestinos, construções irregulares, construção de estradas e outros empreendimentos que não levam em conta a existência de uma Unidade de Conservação ali”, enfatiza Fadini.
Após quase 20 anos de criação, a APA Alter do Chão ainda não produziu seu plano de manejo, o que gera insegurança para a continuidade das pesquisas.
“Apresentamos os resultados desses estudos padronizados realizados nas savanas e fragmentos florestais próximos a Alter do Chão, mas também discutimos os prospectos futuros e ameaças ao sítio de estudo, ressaltando a importância de incorporar os moradores de Alter do Chão no planejamento de uso da terra daquela região”, concluiu.
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No último episódio de 2021, o Ilustríssima Conversa recebe Margareth Dalcolmo, médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, que acaba de lançar “Um Tempo para Não Esquecer“.
Na conversa com Eduardo Sombini, Dalcolmo faz uma avaliação da situação atual da pandemia e explica o que se sabe e o que esperar da nova variante ômicron. Para ela, é um absurdo o país não ter adotado o passaporte da vacina, o que faz com que o Brasil possa virar destino de quem se recusa a se imunizar.
A pesquisadora também fala de estudos que estão sendo realizados com antivirais e outros medicamentos contra a Covid-19 que podem dar origem a tratamentos precoces que realmente funcionem —ao contrário da cloroquina e de outros remédios comprovadamente ineficazes.
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Jéssica Amaral Guimarães Jucá e Carlos Eduardo Jucá de Oliveira trabalham com ozonioterapia e usam produtos 100% sustentáveis para tratar pacientes. No AC, casal de fisioterapeutas produz óleos sustentáveis e velas veganas para ajudar pacientes em tratamento
Arquivo pessoal
Pensando na sustentabilidade, e no bem estar dos pacientes, o casal de fisioterapeutas Jéssica Amaral Guimarães Jucá, de 29 anos, e Carlos Eduardo Jucá de Oliveira, de 36, resolveu focar no próprio negócio, mas, com um detalhe, usando produtos que não agridem o meio ambiente e que também não são testados em animais. Os produtos são vendidos on-line e também em uma loja colaborativa na capital acreana.
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A empresária Jéssica conta que tudo começou há cinco anos quando ela e o marido começaram a trabalhar com ozonioterapia. Depois de tratarem alguns clientes que tinham doenças na pele, acnes, manchas, psoríase, problemas de hemorroidas, queimaduras, manchas, entre outros tipos de problemas, eles resolveram investir e fabricar seus próprios óleos, mas a produção começou há dois anos.
“A gente trabalha com ozonioterapia e uma das técnicas da ozonioterapia é a ozonização de óleos. O óleo ozonizado que a gente combina é o óleo vegetal puro, um óleo de girassol, um óleo de rosa mosqueta, um óleo de coco com o gás de ozônio medicinal. Através do nosso aparelho de ozonioterapia esse óleo ganha propriedades terapêuticas do gás de ozônio, que é um tratamento medicinal alternativo, anti-inflamatório, analgésico, antioxidante e bactericida”, explica.
Fisioterapeuta conta que esse gás é utilizado desde a Segunda Guerra Mundial para cicatrização de feridas e outras doenças, então, a técnica utilizada por eles deixa o óleo com os poderes do ozônio
Arquivo pessoal
Ela conta que esse gás é utilizado desde a Segunda Guerra Mundial para cicatrização de feridas e outras doenças, então, a técnica utilizada por eles deixa o óleo com os poderes do ozônio. A fisioterapeuta afirma que os óleos que eles usam são puros e tem laudo técnico de pureza disponíveis.
“O óleo fica com todas essas propriedades e deixa esse óleo mais potente e, com isso, a gente começou ozonizando esses óleos para os nossos pacientes. A gente tinha um paciente com uma ferida diabética e ozonizou um óleo para ele e a ferida diabética que não cicatrizava há anos cicatrizou em 14 dias com o nosso óleo. Com isso a gente começou a vender para outras pessoas e foi aumentando a demanda.”
Depois disso Jéssica conta que ela e o marido resolveram incrementar os óleos essenciais para tentar ajudar outras pessoas.
“É um tratamento natural, que vem das plantas, que vai tratar a ansiedade, depressão, dores de cabeça, enfim, muitas coisas. Mas, não são todos os óleos que podem ser ozonizados, a gente ozoniza os óleos que têm artigo científico e comprovação que eles conseguem captar o produto final do ozônio, que são os ozonideos que têm essas propriedades anti-inflamatórias e bactericidas”, complementa.
Óleos custam de R$ 25 até R$ 50
Arquivo pessoal
Produção dos óleos
A fisioterapeuta diz que como as pessoas começaram a procurar outros tipos de óleos eles resolveram investir e fazer outros tipo com aromas diferentes.
“A gente trabalha hoje em dia com óleos ozonizados, que são os que a gente adquire a matéria-prima. Nós adquirimos o óleo vegetal, ozonizamos e envasamos aqui em Rio Branco. Também adquirimos o óleo vegetal puro sem ser ozonizado, compramos em grande quantidade e envasamos em potes menores e damos a nossa marca a eles. Com os óleos essenciais a mesma forma, a gente comprar de uma empresa de fora envasa e revende aqui com a nossa marca”, explica.
Jéssica fala que os potes de vidro onde os óleos são colocados,, se a pessoa devolver, ganha desconto. “Por causa, justamente, da questão da sustentabilidade e do meio ambiente, para as pessoas não descartarem os vidros de qualquer forma por aí.”
Velas são produzidas com produtos que não são testados em animais
Arquivo pessoal
Velas veganas
Já a ideia de produzir as velas veganas veio há seis meses. Jéssica conta que ela e o marido estão investindo mais no negócio próprio por não terem, neste momento, tempo livre para trabalhar fora, pois são acadêmicos do 3º ano do curso de medicina. Sempre pensando na sustentabilidade, ela disse que prefere produzir as velas com produtos naturais e, principalmente, que não sejam testados em animais.
“As velas são fabricadas também por mim, e meu esposo. Utilizamos gordura vegetal, cera de palma e de soja, óleo vegetal e óleo essencial. São chamadas de velas veganas pois usamos nelas a cera vegana de palma, proveniente da palmeira, e de soja. Para aromatizá-las usamos óleos essenciais proveniente das plantas, flores, caule, folha. Os copos das velas são reutilizáveis.”
A produção também é feita no mesmo espaço onde os óleos são produzidos. “Às vezes, para colorir essa vela, a gente coloca um óleo vegetal de rosa mosqueta para dar cor, por exemplo. Não utilizamos corantes, parabenos e nenhum desses produtos são testados em animais, garante”.
Velas são colocadas em recipientes sustentáveis
Arquivo pessoal
Preço dos produtos
Jéssica diz que uma das coisas que ela e o marido preza é manter os produtos com um preço acessível. Os óleos custam de R$ 25 até R$ 50, já as velas de R$ 40 a R$ 60.
“Nosso objetivo maior além, de nos manter, é divulgar esses óleos e levar os nossos produtos para muitas casas, porque através desses óleos a gente consegue ajudar muitas outras pessoas, eles servem para tratar diversas coisas. Queremos levar nossos produtos para várias pessoas que precisam de um tratamento natural e de qualidade”, finaliza.
Jéssica e o marido e sócio, Carlos Eduardo, em uma das feiras livres que participaram para expor seus produtos
Arquivo pessoal
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Concurso visa fomentar um desenvolvimento sustentável da floresta, juntamente com a produção de café. Campeão do concurso neste ano foi Jair Suruí. Ganhadores do projeto Tribos foram anunciados neste sábado (4)
Youtube/Reprodução
Uma live realizada na manhã deste sábado (4) anunciou os nomes dos cafeicultores indígenas que produziram os melhores cafés robustas amazônicos em 2021, através do projeto Tribos, que chega em sua terceira edição.
O campeão do concurso neste ano foi Jair Suruí, que produziu um robusta amazônico com 90,42 pontos. Ele vai receber o prêmio de R$ 25 mil e mais R$ 3 mil por saca comercializada com a maior indústria de torrefação do Brasil.
Jair Surui levou melhor nota de café robusta amazônico em 2021
Youtube/Reprodução
Neste ano, 65 amostras de café robusta amazônico foram inscritas no concurso. Desse total, 86% tiveram notas acima de 80 pontos, o que classificam como cafés especiais, mas os dez melhores produtores foram premiados.
Do 5° ao 10° lugar, os premiados vão receber R$ 5 mil reais por saca de café robusta amazônico.
Abaixo, confira os nomes dos 10 ganhadores de qualidade do café na edição 2021 do Tribos:
Jair Suruí: 90,42 pontos
Yabilor Suruí: 90 pontos
Alessandra Makurap: 89,75 pontos
Hermes Surui: 89,67 pontos
Melissa GoBpoto Surui: 89,21 pontos
Darlan Oykoy Surui: 88,42 pontos
Joel Oyyeter Surui: 88,38 pontos
Valcenir Canoé: 88,25 pontos
Robson Surui: 87,75 pontos
Valdir Ferreira Aruá: 87,25 pontos
O que é o projeto Tribos?
Segundo os organizadores, o Grupo 3 Corações, o Projeto Tribos está baseado em três focos: protagonismo indígena, produção de cafés com qualidade e sustentabilidade. Ou seja, Tribos foi desenvolvido para fomentar um desenvolvimento sustentável da floresta.
Ao todo, 132 famílias produtoras de café nas Terras Indígenas Sete de Setembro, em Cacoal, e Rio Branco, em Alta Floresta do Oeste participam do projeto Tribos.
A produção de café Robusta Amazônico Especial, premiado pelo projeto, agora vai chegar a todos os brasileiros.
Embrapa Rondônia, Funai, Emater-RO, Secretaria de Agricultura de Alta Floresta D’Oeste e Câmara Setorial do Café são parceiros do projeto.
Entenda a diferença dos cafés robustas amazônicos naturais e fermentados
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O Ilustríssima Conversa recebe Marcelo Semer, doutor em criminologia pela USP e desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.
No livro “Os Paradoxos da Justiça“, o autor esmiúça algumas contradições do sistema de Justiça do país, retratado por ele como uma estrutura conservadora que não acompanhou a democratização da sociedade brasileira desde o fim da ditadura militar.
Na conversa com Eduardo Sombini, Semer explica por que acredita que o protagonismo político de magistrados leva ao enfraquecimento do Judiciário e por que é uma ilusão acreditar que o STF pode resolver os impasses políticos do país, como as ameaças do presidente Jair Bolsonaro à democracia.
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