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Antes de desaparecer no Vale do Javari, jornalista preparava livro sobre soluções para a floresta, pela qual se encantou após se mudar para o Brasil em 2007. Após produzir dezenas de reportagens sobre a destruição da Amazônia, Dom Phillips se dedicava a um livro no qual pretendia expor soluções para manter a floresta em pé
Arquivo pessoal via BBC
“Amazônia, sua linda” — essa foi a última frase que o jornalista britânico Dom Phillips escreveu em suas redes sociais, cinco dias antes de desaparecer no Vale do Javari, no Amazonas, quando viajava com o indigenista Bruno Pereira, no último domingo (5).
As palavras — acompanhadas por um vídeo no qual um barco viaja lentamente por um rio amazônico, com uma mata exuberante no fundo — expõem a paixão que o britânico desenvolveu pela floresta após se mudar para o Brasil, em 2007.
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Num momento de crescente interesse internacional pela Amazônia, o jornalista produziu dezenas de reportagens sobre o bioma para o jornal britânico The Guardian e se tornou uma das principais vozes na imprensa estrangeira a documentar o avanço do desmatamento durante o governo Jair Bolsonaro.
O interesse dele pela Amazônia era tamanho que, em 2021, Dom começou a escrever um livro sobre soluções para manter a floresta em pé. Seu desaparecimento ocorreu durante uma das viagens de pesquisa para a obra.
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Papel dos indígenas
Segundo o sociólogo Felipe Milanez, Dom “tinha uma dedicação muito profunda em entender o Brasil”. Os dois ficaram amigos após Dom se mudar no início do ano para Salvador, terra natal da esposa do britânico, Alessandra Sampaio. O casal antes morava no Rio de Janeiro.
Segundo Milanez, Dom “se apaixonou” pela capital baiana. O sociólogo afirma que ambos costumavam praticar stand-up paddle em Salvador. Nas horas vagas, Dom dava aulas de inglês numa favela como voluntário.
“Era uma pessoa que rapidinho construía confiança, transparente, muito ético e discreto”, diz o amigo.
Dom Phillips pretendia contar em seu livro como povos indígenas fazem para preservar a floresta e se defender de invasores.
BBC
Milanez conta que Dom resolveu escrever o livro sobre a Amazônia porque queria se aprofundar no tema, algo que seu trabalho diário como repórter não lhe permitia.
Criado nos arredores de Liverpool, cidade industrial no noroeste da Inglaterra, o repórter “tinha uma formação de classe operária militante”, diz o amigo.
“Ele reportava uma situação familiar muito dura (na Inglaterra) e se identificava com as pessoas que sofrem aqui”, afirma Milanez.
“Era muito atento na escuta, muito verdadeiro, e queria ouvir o que as diferentes vozes do Brasil tinham a dizer sobre a Amazônia: cientistas, pesquisadores, gente que se importa.”
Amigos do britânico dizem que ele se interessou pelo Brasil inicialmente por causa da música, tema que ele enfocava no começo de sua carreira jornalística.
Em suas redes sociais, Dom exalta com frequência músicos brasileiros. Em 30 de abril, foi a um show de Gilberto Gil em Salvador e o definiu como “um gigante que representa muito do que é maravilhoso e poderoso na cultura brasileira”.
Em janeiro, após a morte da cantora Elza Soares, chamou-a de “grandiosa, única, brilhante”. Também costumava publicar fotos de frutas e pratos típicos brasileiros.
Dom Phillips cresceu nos arredores de Liverpool e tinha ‘formação de classe operária militante’, diz amigo
Arquivo pessoal via BBC
‘Passou a ser família’
Ultimamente, no entanto, a Amazônia e os povos indígenas eram os principais focos do interesse de Dom pelo Brasil.
Poucas semanas antes de viajar para o Vale do Javari, o britânico visitou aldeias do povo indígena Ashaninka, no Acre. O grupo é considerado um exemplo de sucesso na preservação ambiental e na conciliação de tradições com práticas modernas.
O líder Ashaninka Francisco Piyãko, que foi entrevistado por Dom na visita, lamentou à BBC o desaparecimento do britânico.
“É como se tivessem mexido diretamente com a gente, porque ele estava representando a nossa causa, a nossa história. Ele passou a ser família”, diz Piyãko.
Em vídeo gravado durante a visita, publicado no perfil no Twitter da Associação Ashaninka do Rio Amônia, Dom diz que as “terras indígenas são os lugares mais protegidos da Amazônia”, e que uma parte importante de seu livro seria sobre a “participação e protagonismo dos povos indígenas” na preservação da floresta.
Afirmou ainda que estava ali para “aprender um pouco com vocês: como é sua cultura, como vocês veem a floresta, como vivem dentro dela, como lidam com ameaças que vêm de invasores, garimpeiros e tudo mais”.
Cerimônia do povo indígena Yawanawá, um dos grupos que Dom Phillips pretendia visitar para a produção de seu livro
Sérgio Vale/Secom-AC
Biraci Nixiwaka, um dos líderes do povo Yawanawá, também do Acre, diz à BBC que Dom planejava visitar o território do grupo.
“Senti uma coisa muito boa dele, de querer fazer o bem, de querer abordar a questão da proteção da natureza, da floresta, da história dos povos indígenas”, afirma Nixiwaka, que diz ter conversado várias vezes com o britânico pelo telefone.
A preocupação com a floresta rendeu a Dom um dos momentos mais conturbados de sua estadia no Brasil.
Em 2019, numa coletiva de imprensa com o presidente Jair Bolsonaro (PL), Dom disse ao mandatário que “os números de desmatamento estão mostrando um crescimento assustador, o Ibama está dando menos multas, (fazendo) menos operações, os sinais que o governo está dando para a Europa não são positivos no sentido de proteção do ambiente”.
O britânico perguntou então como Bolsonaro pretendia “mostrar para o mundo que realmente o governo tem preocupação séria com a preservação da Amazônia”.
O presidente respondeu: “Primeiro, você tem que entender que a Amazônia é do Brasil, não é de vocês”.
O diálogo, compartilhado por Bolsonaro no Twitter, fez com que Dom fosse duramente criticado por apoiadores do mandatário. Mesmo assim, o britânico não deixou o assunto de lado.
O indigenista Bruno Araújo Pereira (ao centro), servidor da Funai que acompanhava Dom Phillips na viagem ao Vale do Javari
Divulgação/Funai
Expedição
O interesse de Dom pelo Vale do Javari, uma das áreas mais preservadas da Amazônia, o aproximou do indigenista Bruno Pereira, com quem ele viajava quando ambos desapareceram.
Em 2018, Dom acompanhou Bruno numa expedição de 17 dias à Terra Indígena Vale do Javari, que abriga uma das maiores concentrações de povos indígenas isolados do mundo.
Bruno — que na época coordenava o departamento da Funai (Fundação Nacional do Índio) responsável por indígenas isolados e recém-contatados — buscava monitorar os deslocamentos de um desses grupos para evitar conflitos com comunidades vizinhas.
Na reportagem em que narra a expedição, Dom descreve uma cena na qual Bruno “abre o crânio de um macaco cozido com uma colher e come seu cérebro de café da manhã”.
O animal fora caçado por indígenas que também participavam da viagem.
A naturalidade com que Bruno se portava na floresta e sua relação próxima com os indígenas chamaram a atenção do britânico, que passou a consultá-lo em várias reportagens.
Defesa contra invasores
Quando Dom regressou ao Vale do Javari no início deste mês, Bruno já não estava mais na Funai: ele havia se licenciado do órgão e agora assessorava diretamente a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), principal organização indígena local.
Segundo Leonardo Lennin, indigenista do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, o britânico queria ver na viagem como a Unijava estava usando tecnologia, como drones e imagens de satélite, para documentar invasões e denunciá-las às autoridades.
Lennin afirma que o trabalho dos indígenas “deveria ser complementar à fiscalização do Estado”. No entanto, segundo o indigenista, os órgãos públicos não têm feito a sua parte, o que forçou os indígenas a ampliar suas ações.
Por causa desses trabalhos de vigilância, Pereira e indígenas envolvidos vinham sofrendo ameaças, segundo a Unijava.
Olhar sofisticado
Quando desapareceu, Dom já havia completado cerca de dois terços da apuração para o livro, diz à BBC Margaret Engel, diretora-executiva da Alicia Patterson Foundation.
A fundação americana deu a Dom uma bolsa para que ele se dedicasse integralmente à obra, que seria entregue até o fim deste ano, segundo Engel.
O projeto teve início em 2021, quando a pandemia de Covid-19 se espalhava pelo Brasil e ainda não havia vacinas no país. Na época, havia grande temor quanto à possibilidade de que pessoas infectadas em cidades levassem a Covid-19 a aldeias indígenas.
Engel diz que Dom então viajou ao Reino Unido, que já aplicava vacinas em sua população, para se imunizar e poder viajar até as comunidades.
Dom Phillips pretendia entrevistar fazendeiros e garimpeiros em seu livro sobre a Amazônia, diz a esposa do britânico
Arquivo pessoal via BBC
Ela afirma que a fundação resolveu apoiar o britânico por considerar seu projeto relevante e original sobre a Amazônia.
“Muitos jornalistas soam alarmes quanto à degradação, mas Dom tem um olhar mais sofisticado, ele busca as soluções possíveis”, diz Engel.
Ela diz que Dom estava entusiasmado com o livro e queria mostrar que, apesar do pessimismo com a destruição da floresta, há “caminhos para impedir o desastre”. O britânico pretendia expor maneiras de preservar a floresta e, ao mesmo tempo, garantir o bem-estar de suas populações, afirma Engel.
“O projeto dele traz esperança em vez de desespero”, ela diz.
Amor pelos humanos e pela natureza
Em entrevista à escritora Ruth de Aquino, do jornal O Globo, a mulher de Dom, Alessandra Sampaio, disse que o marido “amava o ser humano”.
“Amava tanto que queria escutar a todos, dar voz a todos. Fazendeiros, garimpeiros. Não falava em vilões. Não queria demonizar ninguém. Sua missão era esclarecer as complexidades da Amazônia”, disse Sampaio, em texto publicado na última quinta-feira (9).
Em outra entrevista, para a TV Globo, na quarta-feira, Sampaio falou de outro amor de Dom, o amor pela natureza.
Mulher de Dom Phillips diz que viagem para Amazônia foi muito planejada
Segundo ela, para o marido, “Deus é natureza, ele encontrava Deus na natureza”.
“O que eu acho que o Dom gostaria é que as pessoas conhecessem a Amazônia que ele conheceu, que ele amava tanto. Afinal, a gente só cuida do que conhece, do que ama — então a proteção viria como consequência”, disse Sampaio para a BBC News Brasil.
Enquanto muitos estrangeiros e até mesmo brasileiros tratam a Amazônia como um espaço hostil e impenetrável, ele se admirava com a relação de indígenas com o bioma e o via como um lugar de beleza e fartura.
O deslumbramento do britânico com a floresta transborda na longa reportagem de 2018, quando Dom participou da expedição com Bruno Pereira para monitorar um grupo de indígenas isolados no Vale do Javari.
A missão, escreve o jornalista, ocorreu num momento em que os indígenas enfrentavam as maiores ameaças em décadas, “com dragas de garimpo de ouro altamente poluentes entrando nos rios a leste, pecuaristas se aproximando dos limites ao sul, e gangues de pescadores comerciais se aventurando no centro” de seu território.
Apesar das tensões, o texto tem momentos de puro deleite e encantamento, como quando Dom menciona a visão de “uma enorme, rara árvore de mogno, se espalhando majestosamente por um trecho de floresta espaçoso, manchado de sol”.
Ou quando descreve meninos indígenas que haviam batido “em uma colmeia para afugentar as abelhas” e depois compartilhavam “seu favo de mel vermelho-ferrugem, pingando mel doce e selvagem”.
“Para eles, esta não é uma selva proibida, mas um vasto supermercado orgânico cujas mercadorias estão escondidas para os não iniciados”, escreveu o britânico.
Onde muitos veem mato, Dom aprendeu a ver mata.

Segundo pesquisadores, bicho apresenta leucismo. Por causa de pouco pigmento, tem essa coloração.Animal foi encontrado na Praia do Leão. Filhote de tartaruga sem coloração é encontrado em Noronha
Um filhote branco de tartaruga marinha foi filmado no mar na Praia do Leão, em Fernando de Noronha. Segundo os pesquisadores da Fundação do Projeto Tamar esse é um animal raro e apresenta leucismo. Por causa de pouco pigmento, tem essa coloração (veja vídeo acima).
“O leucismo é uma anomalia genética que causa a falta parcial da pigmentação. É diferente do albinismo, que é a ausência total de pigmentação. Ambas as condições são raras em tartarugas marinhas”, explicou a coordenadora da Fundação Projeto Tamar, Rafaely Ventura.
Ventura disse, ainda, que essa anomalia deixa as tartarugas mais expostas aos predadores. Por isso, elas têm menos chances de sobrevivência na natureza.
“De cada mil filhotes, um ou dois chegam até a idade adulta. A dificuldade de um indivíduo nessa condição chegar a idade adulta é muito maior”, avaliou Rafaely Ventura.
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Filhote raro foi encontrado na Praia do Leão
Fundação Projeto Tamar/Divulgação
A tartaruguinha foi encontrada na quarta-feira (8). O filhote é da espécie Chelonia mydas , que é conhecimento popularmente como tartaruga-verde. A última vez que foram registradas tartarugas nessa coloração na ilha foi em 2015.
Os dois animais encontrados há sete anos foram encaminhados para as sedes do Projeto Tamar na Praia do Forte, na Bahia, e Aracaju, em Sergipe.
As duas tartarugas são criadas em aquários e ainda estão vivas. A direção do Tamar resolveu liberar no mar de Noronha o animal encontrado esta semana.
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Os animais encontrados há sete ansforam encaminhados para as sedes do
De acordo com a Apib, uso de aeronaves tem sido lento e não foram disponibilizadas embarcações suficientes. Jornalista Dom Philips e indigenista Bruno Pereira estão desaparecidos desde domingo (5). A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o governo não está fazendo o suficiente nas buscas pelo jornalista inglês Dom Philips e pelo indigenista Bruno Pereira, desaparecidos na Amazônia desde o domingo (5).
Na petição, a entidade diz que “ocorre que, apesar de veicular publicamente que está trabalhando neste sentido, o governo federal não está, de fato, empreendendo os esforços necessários” .
Manifestantes e familiares de Dom Philips protestam em Londres após desaparecimento
O documento foi enviado ao ministro Luís Roberto Barroso, relator de uma ação sobre o tema no Supremo.
A entidade apontou que:
as aeronaves disponíveis não foram utilizadas com celeridade e eficiência (o que é imprescindível para complementar as ações fluviais e terrestres, dadas as condições geográficas da região)
o número de embarcações e de agentes públicos atuando nas buscas é reduzido, o que torna o trabalho demorado, incompleto e insuficiente
A petição afirma ainda que o “aparato e as ações das instituições de Estado são fundamentais para o sucesso das buscas e apuração do ocorrido”.
“É indispensável que todas as autoridades públicas competentes permaneçam mobilizadas para uma efetiva busca e salvamento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, coordenando uma ação organizada das forças de segurança pública em cooperação com as organizações indígenas locais, que têm assumido, desde o primeiro momento, a iniciativa pelas buscas e apuração dos fatos, uma vez percebido o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips”, diz o documento enviado ao Supremo.
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Ação, que aconteceu na Praia do Porto de Santo Antônio, fez parte da programação da Semana do Meio Ambiente. Captura científica de tartarugas faz parte de atividades da Semana do Meio Ambiente em Noronha
O Projeto Tamar realizou, nesta quinta (9), a captura científica de tartarugas, em Fernando de Noronha. A atividade foi promovida na Praia do Porto de Santo Antônio e fez parte da programação da Semana de Meio Ambiente (veja vídeo acima).
Os pesquisadores chegaram logo cedo e fizeram o mergulho na região. Em menos de uma hora, eles retornaram com duas tartarugas verdes, espécie que tem o nome científico Chelonia mydas.
As tartarugas foram medidas e pesadas. Em uma delas, capturada pela primeira vez pelos estudiosos, foi feito o recolhimento de uma amostra da pele para análise de DNA.
O pessoal do Tamar explicou ao público o que estava sendo feito. A manicure Kathleen Luana, turista da cidade de Toledo (PR), acompanhou a captura.
“Nunca tinha visto uma tartaruga tão perto. Eu já acompanhava o trabalho do Tamar de longe. Adoro tartaruga, acho a coisa mais linda. É bom ver esses animais serem cuidados”, afirmou Katlheen.
Pesquisadores do Tamar fizeram a captura científica
Ana Clara Marinho/TV Globo
A assessora de investimentos Bruna Mergulhão, visitante de São Paulo, ficou encantada. “Achei lindo, muito fofo. São importantes as ações de cuidar, preservar e monitorar. Nós, turistas, devemos participar e ajudar. Fiquei bem feliz”, declarou Bruna.
Especialista em seguros, Renan Rodrigues, que também é turista de São Paulo, exaltou o trabalho de preservação do Projeto Tamar.
“O trabalho de Tamar é maravilhoso. Em toda costa do Brasil, eles cuidam das tartarugas e do meio ambiente. Isso nos enche de orgulho. É coincidência estar na ilha esta semana e muito gratificante”, disse Renan.
A coordenadora do Tamar, Refaely Ventura, contou que a captura científica com a presença do público ajuda a preservar as tartarugas.
“Nós conseguimos passar a mensagem de sensibilização e educação ambiental para, no futuro, ter um retorno”, declarou a coordenadora do Projeto Tamar.
Além do Tamar, a programação da Semana do Meio Ambiente tem a participação do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Administração da Ilha, Projeto Golfinho Rotador e empresas privadas e segue até sábado (11).
Programação:
Sexta-feira (10)
9h às 11h – Visita monitorada ao espaço Neoenergia e Visita monitorada na Compesa
14h às 16h – Visita monitorada no espaço Neoenergia e Visita monitorada na Compesa
19h30 – Palestra Projeto Tamar, no auditório Projeto Tamar, com show musical
Sábado (11)
8h – Trilha do Atalaia para alunos da Alma Solar de surfe e skate Noronha
9h – “Vem passarinhar”, com pesquisadores do Projeto Aves de Noronha, na Trilha do Sancho
14h – Visita monitorada ao contêiner da Praça Flamboyant
18h – Leitura de contos ambientais com Gustavo Bezerra, no auditório do Projeto Tamar
19h30 – Cineclube Ambiental, no auditório do Projeto Tamar.
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Indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips desapareceram durante viagem de barco na Amazônia, no domingo (5). Polícia Federal apura caso e buscas são feitas na região. O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (7) que espera que o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia desde o domingo (5), sejam encontrados “brevemente”.
Os dois sumiram no domingo (5), na região do Vale do Javari, no estado do Amazonas. Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) eles desapareceram no trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte
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De acordo com Bolsonaro, duas pessoas foram detidas pela Polícia Federal e são investigadas. O presidente disse que a região onde ocorreu o desaparecimento é “completamente selvagem” e “onde tudo pode acontecer”.
Ele afirmou ainda que viagem que os dois faziam no Amazonas “é uma aventura que não é recomendável.”
“O que nós sabemos até o momento? Que no meio do caminho teriam se encontrado com duas pessoas, que já estão detidas pela Polícia Federal, estão sendo investigadas. E, realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que eles tenham sido executados. Tudo pode acontecer. A gente espera e pede a Deus para que sejam encontrados brevemente. As Forças Armadas estão trabalhando com muito afinco na região”, afirmou Bolsonaro.
O indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira (esquerda) e o jornalista inglês Dom Phillips
TV Globo/Reprodução
Arthur Lira
Nesta terça (7), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu “todo o apoio logístico de segurança nacional” para se esclarecer o desaparecimento do indigenista e do jornalista.
“Acho que todos os esforços estão sendo feitos. A Câmara e qualquer deputado e qualquer cidadão e todo mundo é a favor de ter máxima transparência, rigor em apurações e de todo o esforço para que se encontrem pessoas, que se imputem o desaparecimento e muito mais na forma que foi”, disse o deputado.
O presidente da Câmara disse, ainda, que “todas as autoridades brasileiras devem estar focadas” nesta investigação. “Polícia Federal, Ministério da Justiça, enfim, todo apoio logístico de segurança nacional para esclarecer esse caso”, afirmou.
Ameaças
De acordo com a Univaja, o indigenista Bruno Araújo Pereira, que foi coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Atalaia do Norte, recebia constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores.
Os dois estavam na região para visitar a equipe de Vigilância Indígena que se encontra próxima à localidade chamada Lago do Jaburu (próxima da Base de Vigilância da Funai no rio Ituí), para que o jornalista visitasse o local e fizesse algumas entrevistas com os indígenas.
Segundo o jornal inglês “The Guardian”, para o qual Phillips colabora, o jornalista está trabalhando em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson.
Ele mora em Salvador e também faz reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para outros veículos como “Washington Post”, “New York Times” e “Financial Times”.
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Para Antenor Vaz, que chefiou a Funai no Vale do Javari, sumiço da dupla ‘expõe o total abandono que servidores e indígenas’ experimentam na região no governo Bolsonaro Grupo da etnia korubo contatado em 2014: Terra Indígena Vale do Javari tem maior concentração de povos isolados do mundo, segundo a Funai
Funai
O desaparecimento do servidor da Funai Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips enquanto viajavam pelo Vale do Javari, no Amazonas, “expõe o total abandono que servidores e indígenas” experimentam na região, diz à BBC o ex-servidor da Funai Antenor Vaz, que já foi o chefe do órgão no Vale do Javari.
Pereira e Phillips desapareceram quando se deslocavam de barco pelo rio Itaquaí após uma visita aos limites da Terra Indígena Vale do Javari.
O território, segundo Vaz, tem sofrido com invasões crescentes de caçadores, pescadores, madeireiros e garimpeiros.
Ultimamente, diz o ex-servidor da Funai, também tem crescido a ação de narcotraficantes na terra indígena, que fica na fronteira com o Peru e a Colômbia.
“O tráfico de cocaína, especialmente vinda do lado peruano, é muito grande”, diz Vaz, hoje consultor internacional de políticas para povos indígenas isolados.
Pereira estava de licença da Funai após ser exonerado da chefia da Coordenação geral de Índios Isolados e Recém Contatados, em 2019.
Ele foi retirado do cargo após coordenar uma operação que expulsou centenas de garimpeiros da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Na ocasião, agentes destruíram equipamentos dos garimpeiros e apreenderam um helicóptero.
Segundo Vaz, após sair de licença, Pereira vinha trabalhando como assessor da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), principal organização do território indígena.
Vaz diz que o servidor acompanhava Phillips na viagem para ajudá-lo na realização de uma reportagem sobre as invasões à Terra Indígena Vale do Javari.
“(Pereira) É indiscutivelmente uma pessoa aliada, comprometida com a defesa dos direitos dos povos indígenas”, diz o ex-servidor da Funai.
Após o desaparecimento da dupla, a própria Funai afirmou que Pereira “não estava na região em missão institucional, dado que se encontra de licença para tratar de interesses particulares”.
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Funai
Colegas afirmam que Pereira, um dos mais destacados indigenistas de sua geração, pediu licença da Funai para que pudesse continuar agindo em prol de indígenas num momento em que a fundação restringia drasticamente sua atuação em defesa das populações.
No governo Jair Bolsonaro, a Funai sofreu grandes cortes no orçamento e passou a endossar propostas do presidente que sofrem grande oposição entre indígenas, como a liberação do garimpo nesses territórios e a agricultura mecanizada em larga escala.
Segundo Antenor Vaz, a “omissão da Funai” no Vale do Javari nos últimos anos fez com que os indígenas assumissem a defesa do território e se expusessem ao risco de confrontos com invasores.
“Não tem qualquer cobertura da instituição”, afirma.
Vaz cobrou as autoridades federais a iniciar buscas na região o quanto antes e a convidar indígenas para integrá-las, pois esses são os maiores conhecedores dos rios locais.
O ex-servidor diz que é pouco provável que o barco da dupla tenha naufragado. Isso porque, segundo ele, havia na embarcação vários galões vazios, que teriam flutuado com o naufrágio e, ao descer o rio, seriam visualizados pelas comunidades vizinhas.
A BBC expôs as críticas de Vaz à Funai.
Em resposta, em nota na qual não cita suas operações no Vale do Javari, a Funai afirma que seu investimento em ações de proteção a indígenas isolados e de recente contato chegou a R$ 51,4 milhões entre 2019 e 2021. “Os valores superam em 335% o total investido entre os anos de 2016 e 2018”, diz a Funai, que afirma ter usado os recursos “principalmente em ações de fiscalização territorial e combate à covid-19 em áreas habitadas por essas populações”.
“A Funai promove ações permanentes de vigilância, fiscalização e monitoramento de áreas onde vivem indígenas isolados e de recente contato por meio de suas 11 Frentes de Proteção Etnoambiental (FPE), descentralizadas em 29 Bases de Proteção Etnoambiental (Bapes), que são estruturas localizadas estrategicamente em Terras Indígenas da região da Amazônia Legal”, diz o órgão.
“As Bapes funcionam em escala ininterrupta e são responsáveis por diversos trabalhos que ocorrem de forma contínua, como controle de ingresso nas áreas indígenas; ações de localização e monitoramento de grupos isolados e de recente contato; e atividades de fiscalização e vigilância territorial junto a órgãos ambientais e de segurança pública competentes”, prossegue a nota da Funai.
Crescimento da violência
A Terra Indígena Vale do Javari tem vivenciado um crescimento da violência desde 2019.
Em 2019, o colaborador da Funai Maxciel dos Santos Pereira foi assassinado em Tabatinga após participar de uma operação que apreendeu grande quantidade de caça e pesca ilegal no território.
Também naquele ano, uma base da Funai que controla um dos acessos à terra indígena foi alvo de vários ataques a tiros atribuídos a caçadores e pescadores ilegais.
Na época, uma reportagem da BBC relatou que servidores e colaboradores haviam ameaçado parar de trabalhar por conta da falta de segurança.

Conhecidas como PANCs, espécies conseguem se desenvolver no quintal de casa e no meio de florestas, mas oferta ainda é irregular e sazonal por não possuírem cadeias produtivas estruturadas. Biólogo diz que ao menos 10% da biodiversidade do planeta é comestível. PANC como celósia é encontrada na Amazônia
Mayara Subtil/Rede Amazônica
Jambu, cuxá, ora-pro-nóbis e os espinafres indianos, d’água e amazônico. Tem também inhame, celósia, caapeba-amazônica e cipó kupá. Esses são alguns exemplos de plantas alimentícias não convencionais (PANCs) encontradas na Amazônia, seja em feirinhas locais da região ou no meio da mata.
Segundo pesquisadores, um prato típico da dieta do brasileiro pode se tornar mais nutritivo com a inserção de PANCs, pois há uma enorme variedade de espécies passíveis de consumo. Porém, são pouco conhecidas.
“[PANCs] são todos aqueles alimentos que não são comuns, que não são corriqueiros, que não são do dia a dia, que não têm cadeia produtiva estabelecida, estruturada pelo menos. Aqueles alimentos que a gente encontra no supermercado de 1º de janeiro a 31 de dezembro, esses são os alimentos convencionais. Tudo o que não for dessa linha convencional é PANC”, explicou o pesquisador Nuno Madeira, da Embrapa Hortaliças.
Algumas dessas plantas alimentícias não convencionais se desenvolvem em ambientes como o bioma amazônico. Também se adaptam bem ao cultivo no quintal de casa. Contam com uma, duas ou mais partes aptas a complementarem o cardápio diário e são utilizadas por indígenas, quilombolas e pequenos agricultores.
Espécie como cará-moela pode ajudar a diversificar e deixar mais nutritiva a dieta diária
Mayara Subtil/Rede Amazônica
Para a engenheira agrônoma Julceia Camillo, “quanto mais diversificada for a alimentação em PANCs, mais diversificadas serão as fontes de nutrientes, de proteínas, de sais minerais, de todos os nutrientes essenciais que a gente precisa no nosso dia a dia”.
Mas a oferta dessas espécies ainda é irregular e sazonal por lapsos na cadeia produtiva. Ainda não dividem espaço com outros vegetais nas gôndolas dos supermercados, nem mesmo se somam às refeições do dia a dia, compostas basicamente por arroz, feijão, tomate e alface. O pesquisador Nuno Madeira acredita que a mudança no padrão de vida das pessoas pode ter influenciado na falta de conhecimento dessas espécies.
“Veio esse mercado trazendo facilmente algumas espécies que desenvolveram cadeias produtivas muito fortes, muito estruturadas, trazendo facilidade de acesso. Então a gente acha que foi essa mudança no padrão de vida do brasileiro. Uma população isolada tem que se virar. Ela tem que produzir seu arroz, seu feijão”, complementou o pesquisador.
Espécie de cipó kupá, tradicional alimento dos indígenas
Mayara Subtil/Rede Amazônica
Nascida na tese de doutorado do pesquisador e biológo Valdely Kinupp, a expressão PANC começou a ser adotada há 12 anos. Mas Kinupp lembra que, por mais que uma determinada espécie vegetal seja tradicional em uma localidade, “o tradicional está anos luz do convencional”, já que são plantas disponíveis em qualquer lugar.
“Trabalhamos para que os chefes de cozinha, os nutricionistas, as cozinheiras, os cozinheiros, os comensais, como todo ser humano heterotrófico tem que comer, passarem a conhecer esses recursos alimentícios diferenciados para mudar seus hábitos alimentares”, reforçou.
“A ideia das PANCs não é deixar de comer arroz, trigo, maçã, banana, alface. Só acho muito repetitivo e que causa um impacto econômico, ambiental e social muito grande a restrição a esses impérios agroalimentares e a ditadura das monoculturas e dos grandes supermercados que nos impõe esses alimentos tanto frescos e, principalmente, processados e ultraprocessados baseados nas mesmas plantas”, explicou Valdely Kinupp.
Preservação e tendência de mercado
Parte 1: Saiba mais sobre as plantas alimentícias não convencionais
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) detalha que ao menos 400 mil plantas já foram identificadas em todo mundo. Dessas, 30 mil estão aptas a comporem o cardápio diário. Mas cerca de 6 mil apenas foram cultivadas para produzir alimentos e, atualmente, se usa por volta de 170 em escala comercial significativa. Valdely Kinupp estima que, no mínimo, 10% da biodiversidade do planeta seja comestível.
“Essas plantas precisam ser garimpadas. Precisam ser pesquisadas. Muitas delas já têm algum estudo, outras não têm nada, outras não são nem descritas pela ciência botânica e já são comestíveis. Biodiversidade que gera emprego, biodiversidade que tem liquidez é biodiversidade que entra pela boca, no caso das alimentícias”, complementou Valdely Kinupp.
A agrônoma Thelma Pontes viveu 10 anos na Amazônia trabalhando com hortaliças não convencionais, legumes e verduras que fazem parte de um subgrupo das PANCs. Segundo ela, esse garimpo, mencionado por Kinupp, de pesquisas e informações sobre as PANCs ainda é escasso, principalmente no que diz respeito aos vegetais nativos. Cita também que expandir o conhecimento sobre essas plantas alimentícias é sinônimo de preservação.
A oferta dessas espécies ainda é irregular e sazonal por lapsos na cadeia produtiva, dizem pesquisadores
Mayara Subtil/Rede Amazônica
“Esse interesse em cultivar essas plantas, em estudar essas plantas, as suas propriedades nutricionais, valorizar a culinária, está diretamente ligada a preservação dos biomas. A preservação da Amazônia, a preservação da cultura dos povos tradicionais, mas também a preservação da Mata Atlântica, do Cerrado, da Caatinga, de todos os biomas que a gente tem no Brasil porque essas plantas são locais, apresentam uma rusticidade”, explicou a pesquisadora.
No Amazonas, a Rede Maniva de Agroecologia (Rema) tenta suprir a falta de conhecimento e expandir essas espécies vegetais em feiras e mercadinhos do estado há 15 anos por meio de parcerias entre agricultores, ribeirinhos e cerca de 30 organizações. Para Renata Peixe-Boi, membro do movimento social, as plantas alimentícias não convencionais têm potencial para se tornarem tendência no mercado.
“Na Amazônia existem condições que são extremamente específicas e, para isso, a gente precisa também de uma agricultura que seja específica, voltada pra essa região para que haja um desenvolvimento socioeconômico. Com isso, as plantas alimentícias não convencionais são um recurso bem estratégico que, muitas vezes, já fazem parte do consumo tradicional das comunidades”, concluiu Renata.

O g1 listou algumas polêmicas envolvendo meio ambiente no estado. Relembre cada uma delas.
Dia do Meio Ambiente: relembre os principais projetos e polêmicas da área no Acre
Arquivo/BP-AC
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste domingo (5), o g1 AC fez um apanhado de algumas polêmicas que envolvem a área no estado. Listando assim alguns projetos que dividem opiniões no estado e também alguns outros sobre o meio ambiente. Vamos relembrar?
Localizado na ponta do Brasil, o Acre é um dos estados com maior diversidade de fauna e flora do país e tem quase 50% do seu território composto por terras protegidas por lei ambiental. De acordo com dados da Divisão de Áreas Naturais Protegidas e Biodiversidade (DapBio), o Acre possui um território com 16.422.136 de hectares, sendo que deste total 7.774.440 de hectares, ou seja, 47,3% é composto por unidades de conservação (federais, estaduais e municipais).
Já na categoria de proteção integral e uso sustentável e terra indígenas, são 2.390.112 de hectares, ou seja, 14,55 %, criadas para proteção e uso sustentável do bioma amazônico.
Florestas públicas
E logo de início falando de áreas protegidas, o primeiro projeto que vamos relembrar, que ainda é debatido no âmbito do estado, é a concessão das florestas públicas.
Em 2021, o governo chegou a debater um projeto de lei que regulariza a exploração de florestas públicas por empresas privadas no Acre. Isso porque, segundo o governo, o controle dessas terras acaba sendo um desafio para o estado que acaba tendo que lidar com invasões e crimes ambientais nessas áreas. ]
A gestão alega que essa medida implicaria em maior controle e preservação dessas áreas. Na época do debate, ambientalistas chegaram a dizer que o projeto era “aterrorizante”. Atualmente, o projeto está parado.
Entenda o impasse
Projeto quer retirar proteção integral do Parque Nacional da Serra do Divisor
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Estrada na Serra do Divisor
Outro projeto que tem dado o que falar é um apresentado pela pela deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC), que tira a proteção integral da Serra do Divisor no Vale do Juruá, no interior do Acre e altera os limites da Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex).
Atualmente o projeto tramita na Câmara dos Deputados e está guardando parecer do relator na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra.). Mas, ja foi alvo de críticas de ambientalistas, estudioso,associações de moradores de reservas extrativistas e indígenas.
Há ainda pelo menos duas petições on-line contra o projeto. Já do lado dos parlamentares, a alegação é que essa mudança levaria progresso à região.
Entenda o projeto
Estrada entre Acre e Peru
Aliada a essa mudança na conservação da Serra do Divisor, está a construção de uma estrada entre Acre e Peru. O estudo de viabilidade econômica do projeto rodoviário Pucallpa – Cruzeiro do Sul apontou que o projeto não é economicamente viável, sendo que a construção geraria mais custos do que benefícios aos usuários.
O projeto, segundo a análise, também afetaria negativamente as comunidades indígenas, incluindo indígenas em isolamento voluntário, e áreas importantes em termos de significância ecológica, como o Parque Nacional da Serra do Divisor.
As comunidades indígenas do estado estão representadas por 15 povos, distribuídos em três famílias linguísticas (Pano, Arawak e Arawa). São 17.070 indígenas vivendo em 197 aldeias, distribuídos em 36 terras, situados em 11 municípios do estado do Acre. Destaca-se ainda 3 povos isolados, segundo o relatório.
Entenda o projeto
Geração de créditos de carbono em terra indígena
No ano passado, um estudo apontou que seria possível tornar as terras dos puyanawas em uma grande potência geradora de carbono e, além da preservação ambiental, conseguir gerar renda a esses povos. A terra indígena possui área de mais de 24, 4 mil hectares e apenas 5,8% desse território foi alterado.
Confira o estudo
Imagens mostram avanço do desmatamento na fronteira do Acre e Peru
Arquivo pessoal
Invasão de terras protegidas
Também no ano passado, um dossiê apresentado pelas entidades indígenas do Acre e do Peru alerta para o avanço do desmatamento na fronteira e que ameaça as comunidades indígenas e moradores da Reserva Extrativista do Alto Juruá, no interior do Acre.
O documento intitulado: “Uma grande ameaça para os povos indígenas do Yurua, Alto Tamaya e Alto Juruá” foi assinado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa); Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre) e Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), além de mais oito entidades indígenas peruanas.
Nas denúncias, os indígenas falam sobre abertura ilegal do trecho da estrada UC-105 que vai de Nueva Italia a Puerto Breu, no Peru, por empresas madeireiras e outros grupos. O dossiê também expõe uma série de documentos oficiais, mapas e falas das lideranças, que mostram o risco que este empreendimento representa para os povos indígenas e comunidades tradicionais da região.
Eles alertam para o possível crescimento do narcotráfico na região, além da ameaça ao meio ambiente e aos povos originários.
Relembre o caso
Reveja os telejornais do Acre
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