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Pesca Profissional Artesanal: um tipo de pesca caracterizada principalmente pela mão de obra familiar, com embarcações de pequeno porte, como canoas ou jangadas, ou ainda sem embarcações, como na captura de moluscos perto da costa. Sua área de atuação está nas proximidades da costa, nos rios, reservatórios, lagos/lagoas, estuários e açudes. Lei Federal 11.959 de 29/06/2009.

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Escadaria do Sancho fica fechada a partir do dia 23 de junho. Visitação à Baía dos Porcos é suspensa nos
Rota para escoamento de cocaína, garimpo de ouro e extração ilegal de madeira movimentam a criminalidade e acirram conflitos na
Filha de ativista assassinado por defender a floresta, Angela Mendes diz que morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista
Grupo de pelo menos 30 pessoas impediu que Polícia Ambiental apreendesse o carregamento ilegal durante operação. Madeira teria sido retirada
Audiência serviu também para profissionais protestarem contra o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips na Amazônia.
Pereira está desaparecido na Amazônia desde o dia 5, junto com o jornalista inglês Dom Phillips. Esposa relatou que nenhuma
Laboratório aberto funciona na Praça Flamboyant. No local, garrafas PET, tampas e recipientes viram vasos, fruteiras, luminárias e lixeiras. Organizadores
Armadilhas fotográficas fizeram o registro raro de um gato-palheiro-do-pantanal (Leopardis braccatus) melânico. Outra novidade foi a presença da raposinha ou
Mulher de Dom Phillips diz que corpos dele e do indigenista Bruno Pereira foram encontrados na Amazônia. Mas autoridades não
AQUICULTURA E PESCA  Marinha do Brasil


Escadaria do Sancho fica fechada a partir do dia 23 de junho. Visitação à Baía dos Porcos é suspensa nos dias 25 e 26 de junho. Praia do Sancho faz parte do Parque Nacional Marinho
Ana Clara Marinho/TV Globo
O acesso pela escadaria à Praia do Sancho, em Fernando de Noronha, fica fechado a partir do dia 23 de junho. Além disso, a visitação à Baía dos Porcos não acontece nos dias 25 e 26 de junho, sendo permitido apenas o acesso ao mirante. Os dois locais vão passar por uma manutenção de segurança.
A informação foi divulgada pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), nesta sexta-feira (17). As duas praias fazem parte do Parque Nacional Marinho, reserva federal de responsabilidade do instituto.
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Apesar dessa manutenção, o Sancho fica liberado para visita por embarcações nos dias 23 e 24 de junho, mas as pessoas não podem ir até a praia. O ICMBio não informou qual é a previsão de conclusão do serviço na escadaria.
O g1 questionou ao instituto qual a data de reabertura da escadaria, mas não recebeu essa informação até a última atualização desta reportagem.
Riscos
Uma análise de segurança realizada em maio pelo geólogo Fábio Reis, na escadaria e na trilha da Praia do Sancho e da Baía dos Porcos, indicou um “risco alto” de desmoronamento nas duas áreas. Ele também é engenheiro civil e trabalhou na análise da área de Furnas, em Capitólio (MG), onde o desabamento de pedras em um cânion deixou dez mortos.
O profissional foi contratado para avaliação dos riscos e o ICMBio deu início, ainda em maio, ao trabalho de manutenção, quando a visitação ao Sancho foi fechada.
Eleita cinco vezes a melhor do mundo, a Praia do Sancho tem falésias que estavam sem análise geológica há 12 anos. Os paredões têm cerca de 60 metros de altura e aproximadamente 855 metros de comprimento.
No início do ano, em entrevista ao g1, a geóloga Ingrid Ferreira Lima, da Universidade de Tóquio, alertou para os riscos de acidente no Sancho e ressaltou que esse tipo de estudo deveria ser feito anualmente.
Segundo a direção do ICMBio em Fernando de Noronha, a manutenção preventiva vai ser realizada anualmente. O órgão também instalou novas placas de sinalização com informações dos riscos das áreas.
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Rota para escoamento de cocaína, garimpo de ouro e extração ilegal de madeira movimentam a criminalidade e acirram conflitos na Amazônia. Em 2019, o então superintendente da Polícia Federal no Amazonas disse que ao menos 90% da madeira exportada é ilegal
Reuters via BBC
Uma vasta diversidade de animais, rios e mata compõem um dos mais ricos e complexos biomas do mundo. A Floresta Amazônica é considerada um tesouro natural brasileiro, descrita por veículos de imprensa internacional como os pulmões do mundo. Mas tanta riqueza atrai os olhares e interesses de muitos criminosos.
Com base em informações recebidas por fontes como promotores, policiais, jornalistas e militares, a BBC News Brasil listou alguns dos principais grupos criminosos que atuam no maior Estado do país, o Amazonas. Entre eles, estão o garimpo e pesca ilegais, prostituição infantil, as facções criminosas e a desmatamento causado pelos madeireiros.
De acordo com levantamentos e fontes ouvidas pela reportagem, a maior parte do que é extraído da floresta é exportado para a América do Norte e países da Europa. Alguns especialistas que atuam na região ainda relatam laços entre traficantes, pescadores e caçadores.
Cartéis do tráfico de drogas
A Floresta Amazônica se tornou uma das mais conhecidas e disputadas rotas para o tráfico de cocaína.
O rio Amazonas serve de escoamento para a maior parte da cocaína refinada nos maiores produtores do mundo: Peru e Colômbia, que formam uma tríplice fronteira com o Brasil.
O comandante do Exército Colombiano disse em entrevista à BBC News Brasil em 2017 que, a cada 80 kg de cocaína, as mulas, como são chamados os homens que fazem a travessia dessa fronteira, ganhavam em torno de 2 milhões de pesos colombianos (ou R$ 2 mil).
Na outra ponta, principalmente na Europa, a mercadoria chega a ser vendida por preços 20 vezes maiores.
O rio Amazonas serve de escoamento para a maior parte da cocaína refinada nos maiores produtores do mundo: Peru e Colômbia
Felpe Souza/ BBC Brasil
Os incontáveis igarapés e braços do rio Amazonas facilitam bastante o trabalho dos traficantes de escoar a produção de cocaína na Amazônia. Ali é a origem da maior parte da cocaína exportada para a Europa, por meio de portos da região Norte, e também distribuída no Brasil. Com isso, a região se tornou um ponto vital para o tráfico e difícil de ser observada.
Em 2017, se todos os barcos do Exército fossem colocados na água ao mesmo tempo, cada um teria uma área de 45 km para vigiar.
Garimpo ilegal
Em busca de ouro e pedras preciosas, o garimpo ilegal se expande na Amazônia.
De acordo com o Ministério Público Federal no Amazonas, em pouco mais de dois anos (2018 – 2020), uma única indústria joalheira de Manaus recebeu 316 kg de ouro de origem ilícita, vindos de garimpos em Roraima, Rondônia e interior do Amazonas, para transformação em joias e barras de ouro.
Segundo o órgão, cada quilo de ouro extraído ilegalmente na Amazônia produz, pelo menos, R$1,7 milhão em danos ambientais.
Um balanço do projeto MapBiomas apontou que 94% da área com mineração artesanal e industrial no país está na Amazônia. O garimpo representa 101,1 mil hectares, o equivalente a 68% desse total.
Segundo o mesmo levantamento, entre 2010 e 2020, a área de garimpos em terras indígenas cresceu 495%.
Madeireiros ilegais
Um levantamento da Rede Simex, que engloba as organizações Imazon, Idesam, Imaflora e ICV, 71.091 hectares sofreram a ação de madeireiros no Amazonas. Ao menos 18.992 hectares, um quarto desse total, ocorreu em locais não permitidos, como terras indígenas e unidades de conservação de proteção integral.
Em 2019, o então superintendente da Polícia Federal no Amazonas disse que ao menos 90% da madeira exportada é ilegal.
Segundo o instituto Imazon, uma área quase três vezes maior do que a cidade de São Paulo teve exploração madeireira na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020.
Segundo a Imazon, uma área quase três vezes maior do que a cidade de São Paulo teve exploração madeireira na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020
EPA via BBC
Pesca e caça ilegal
Uma pesquisa realizada entre 2013 e 2014 pelo Center for International Forestry Research (Cifor), entidade baseada na Indonésia, estimou que 278 toneladas de carne de caça são vendidas por ano nas cidades de Benjamin Constant, Tabatinga, Letícia (Colômbia) e Caballococha (Peru), na Tríplice Fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
Pirarucu, tracajá, queixada e anta estão entre os animais mais procurados pelos caçadores, mas a lista de espécies consumidas é extensa e inclui espécies como onça pintada e sucuri, segundo o estudo.
Enquanto um tracajá custa ao menos R$ 100 na região, um pirarucu pode ser vendido por mais de R$ 1 mil, de acordo com uma reportagem publicada pela BBC em 2019. Pela lei brasileira, no entanto, só povos indígenas e populações tradicionais podem caçar animais silvestres, e a atividade deve se voltar à subsistência dos grupos.
Em abril de 2020, a Polícia Federal de Tabatinga prendeu dez homens que haviam caçado e pescado na Terra Indígena Vale do Javari peixes e animais que somavam cerca de 300 quilos, como veado, jacaré e macaco.
A extensão do território e a abundância de sua fauna na Amazônia são chamarizes para pescadores e caçadores. Nos últimos anos, houve vários ataques na região atribuídos a pescadores e caçadores ilegais. Os atos foram interpretados como represálias a tentativas de reprimir a ação dos grupos na terra indígena.
Entre 2018 e 2019, uma base da Funai que controla o acesso à Terra Indígena Vale do Javari foi alvejada em oito ocasiões distintas.
Também em 2019, o colaborador da Funai Maxciel dos Santos Pereira foi morto a tiros em Tabatinga, a maior cidade da região. Meses antes, ele havia participado de uma operação que apreendeu grande quantidade de pesca e caça ilegal.
Não houve prisões nem condenações pelo crime.
Guerra entre facções
Em meio à disputa pela rota da cocaína na Amazônia, facções travam uma sangrenta batalha. As principais siglas que atuam na região são a Família do Norte (FDN), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Amazonas, 56 pessoas morreram em um conflito entre membros de duas facções criminosas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, durante um motim que durou cerca de 17 horas. Segundo denúncia do MP do Amazonas, a matança teria sido cometida por integrantes da facção criminosa FDN porque seu comando “entendeu que devia exterminar a concorrência dentro do Compaj”.
Mas esses conflitos extrapolam os muros dos presídios. Nas ruas, os assassinatos cometidos para eliminar membros de facções rivais e tomar o controle da venda de drogas são constantes em diversos bairros de Manaus.
De acordo com pesquisadores, a criação da Família do Norte ocorreu em 2006 justamente para conter a tentativa do PCC de monopolizar o comércio de drogas no Norte do país.
Tráfico de pessoas e prostituição infantil
Mas a Tríplice Fronteira não é usada apenas pelos criminosos que exportam drogas. A região também é conhecida por ser um ponto de exploração humana. São diversos pontos onde adultos prostituem crianças e adolescentes, muitas vezes os próprios filhos, e traficam homens e mulheres para o exterior.
Em apenas uma ação policial em maio de 2021, a polícia resgatou 16 crianças e adolescentes em feiras, porto, rodoviária, embarcações, quitinetes e casas noturnas nas zonas sul, centro-sul e leste de Manaus.
Ao todo, 9 milhões de crianças vivem na Amazônia Legal, região formada por Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima e parte dos Estados de Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Os indicadores apontam que, de todas as regiões do país, é ali o pior lugar do Brasil para ser criança, destaca relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). São de lá os mais altos níveis nacionais de mortalidade infantil.
Nos nove Estados da Amazônia Legal, cerca de 43% das crianças e dos adolescentes vivem em domicílios com renda per capita insuficiente para adquirir uma cesta básica de bens, contra 34,3% da média nacional. Além disso, muitas meninas e muitos meninos amazônicos não têm atendidos seus direitos a educação, água, saneamento, moradia, informação e proteção contra o trabalho infantil.
Segundo informações de conselheiros tutelares que atuam em São Paulo, muitas dessas crianças são “alugadas” por caminhoneiros. Os motoristas viajam a outros Estados acompanhados pelas crianças enquanto cometem abusos durante todo o trajeto.


Filha de ativista assassinado por defender a floresta, Angela Mendes diz que morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips fortalecerá movimento pela proteção da Amazônia. A ambientalista Angela Mendes vê similaridades entre a trajetória de seu pai e as do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips
Reuters via BBC
Filha do seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 por se contrapor ao avanço destrutivo de grileiros e fazendeiros na Amazônia, a ambientalista Angela Mendes vê similaridades entre a trajetória de seu pai e as do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, mortos no início do mês no Amazonas.
“Eles têm o mesmo propósito, a mesma causa coletiva: a luta pela preservação do meio ambiente e das populações que estão nesse meio”, diz Ângela em entrevista à BBC News Brasil.
“Se você considera o cenário de extremos ataques a essas populações e territórios, que têm como pano de fundo a exploração mineral, a retirada de madeira, (a criação do) gado, no final das contas, a realidade do Chico é a mesma que enfrentavam o Bruno e o Dom”, ela afirma.
Bruno Pereira e Dom Phillips foram assassinados quando viajavam pelas proximidades da Terra Indígena Vale do Javari, no início do mês.
Dom, que estava escrevendo um livro sobre como salvar a Amazônia, visitava a região para conhecer o trabalho de Bruno junto a uma associação indígena local, que vinha se contrapondo a garimpeiros, madeireiros, pescadores e caçadores ilegais.
Segundo a polícia, Bruno havia sofrido ameaças por causa do trabalho — assim como também enfrentava ameaças o seringueiro Chico Mendes antes de ele ser morto em Xapuri, no Acre, em 1988.
Chico Mendes liderava um sindicato que criou a estratégia dos chamados “empates”, nos quais seringueiros desmontavam acampamentos de peões contratados por fazendeiros para derrubar as matas.
Por causa das ações, foi assassinado com um tiro de espingarda quando se preparava para tomar banho em sua própria casa.
Angélica e Ângela Mendes, neta e filha do seringueiro
André D’Elia via BBC
A filha do seringueiro, que tinha 19 anos quando o pai foi morto, conta que já imaginava que Dom e Bruno pudessem ter sido assassinados quando soube do desaparecimento da dupla, na última segunda-feira (06/05).
Ela lembra que o Brasil figura entre os primeiros colocados nos rankings de países onde mais ativistas ambientais são mortos.
“A gente sabe que, com o cenário que está posto, de intenso incentivo (a crimes contra ativistas ambientais) e impunidade, o fim não poderia ser outro”, afirma.
“Dom e Bruno se somam a muitas outras pessoas cuja morte não teve tanta divulgação, mas que também fazem parte dessa terrível lista”, diz.
Angela vê semelhanças entre as quadrilhas que atuam no Vale do Javari, onde Dom e Bruno morreram, e as que estão presentes na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, criada após a ação de seu pai.
A polícia diz suspeitar que um grupo de pescadores ilegais vinculado ao narcotráfico esteja por trás das mortes de Dom e Bruno.
Na reserva Chico Mendes, diz Angela, desmatadores também “estão agindo aliados ao narcotráfico”.
“É uma situação muito difícil para a gente, e quem está no território está sendo dominado, oprimido. Sabemos que pessoas nesses lugares estão sendo ameaçadas”, afirma.
Ela também vê similaridades, ainda que com variações, entre a relação que o governo federal mantém com a Amazônia hoje e a que mantinha nos tempos de seu pai.
Chico Mendes se tornou um ativista durante a ditadura militar, quando o governo encampava na Amazônia os lemas “integrar para não entregar” e “uma terra sem homens para homens sem terra”, estimulando a ocupação da floresta sob o pretexto de garantir a soberania nacional sobre o território.
Retrato de Chico Mendes na casa que ele viveu, em Xapuri (AC)
Yasuyoshi Chiba/AFP via Getty Images (via BBC)
No entanto, diz Angela, “ao chegarem aqui, os ‘proprietários’ se deparavam com uma floresta viva, cheia de gente, pessoas que vieram principalmente do Nordeste para o cultivo do látex, e começaram a expulsar e matar essas pessoas, que aqui já estavam há 30, 40, 50 anos”.
O governo atual, diz Angela, “é a interface do governo militar da ditadura”.
“Seja através de suas manifestações, seja através dos atos, ele (governo) estimula esse estado de violência. Ele usa um código que as pessoas ouvem e começam enlouquecidamente a fazer coisas”, diz a ativista.
Ela lembra o episódio conhecido como o Dia do Fogo, em 2019, quando fazendeiros no Pará se organizaram para queimar áreas de floresta no mesmo dia para dificultar a fiscalização.
Segundo ela, o grupo se sentiu encorajado por declarações do presidente Jair Bolsonaro críticas a órgãos de fiscalização. “Esse tipo de atitude incentiva e banaliza a violência”, afirma.
A BBC enviou as críticas de Angela à Presidência da República, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Proteção a ativistas
Angela afirmou que a morte de Dom e Bruno reforça a urgência da entrada em vigor, no Brasil, do Acordo de Escazú, um tratado internacional que cria proteções para defensores ambientais.
Assinado por 24 países caribenhos e latino-americanos, dos quais 12 já o ratificaram, o tratado busca garantir segurança a quem denuncie crimes ambientais e ampliar a participação social em órgãos de fiscalização, entre outros pontos.
O Brasil assinou o acordo em 2018, mas ainda não o ratificou.
A ratificação do acordo, diz Angela Mendes, pode inclusive ajudar a tornar mais transparentes as investigações do crime contra Dom e Bruno.
Apesar da comoção gerada pela morte da dupla, ela afirma que o caso tende a fortalecer o movimento pela proteção da floresta.
“Enquanto eles vão matando, a gente vai vivendo e levantando mais vozes”, diz.
Angela lembra a frase de um amigo de seu pai. “Ele dizia que aqueles que atiraram no Chico erraram o tiro. Pensaram que tinham matado, mas não mataram, porque as ideias dele estão aí, ele continua sendo falado. E, se ele continua sendo falado, é porque ainda está vivo”.
A morte de Bruno e de Dom — assim como a da freira americana Dorothy Stang, assassinada em 2005 por defender agricultores sem-terra em Anapu (PA) — terá efeito similar, diz ela.
“Hoje a gente tem muito mais Chicos, e com certeza teremos mais Doms, Brunos e Dorothies”, afirma.


Grupo de pelo menos 30 pessoas impediu que Polícia Ambiental apreendesse o carregamento ilegal durante operação. Madeira teria sido retirada de unidades de conservação de Rondônia. Madeira ilegal perdida é localizada e apreendida em RO
Polícia Militar/Divulgação
A Polícia Militar Ambiental confirmou, nesta quinta-feira (16), que o carregamento de madeira ilegal que tinha sido “levado” após um grupo de pessoas impedir a ação de policiais, durante uma operação, foi encontrado e apreendido em Cujubim (RO).
A barreira para impedir a execução da Operação Arigós aconteceu na terça-feira (14). Na ocasião, a Polícia Ambiental escoltava o carregamento até uma área segura, quando um grupo de cerca de 30 pessoas fechou a estrada com carros e impediu a passagem da viatura policial (veja no vídeo abaixo).
Vídeo mostra grupo impedindo ação de equipes de fiscalização ambiental em Rondônia
Com a distração, o motorista do caminhão com a madeira ilegal conseguiu fugir. Segundo a Polícia Militar (PM), os militares ambientais reagiram de forma pacífica na ação e deixaram que o condutor fosse embora, por segurança.
Porém, depois da ação criminosa, os policiais chamaram reforços e iniciaram investigação para localizar o carregamento da madeira.
Na quarta-feira (15), menos de 24 horas depois, as madeiras foram encontradas escondidas em uma serraria desativada no município de Cujubim (RO), a 220 km de Porto Velho.
O material foi levado até a sede do Batalhão de Polícia Ambiental em Candeias do Jamari (RO). O motorista não estava no local.
Segundo a PM, todos os envolvidos de participar da “barreira” de carros foram identificados. Alguns deles já foram localizados e ouvidos na delegacia e as investigações seguem para encontrar os outros suspeitos.
A Operação Arigós
Um grupo suspeito de praticar crimes ambientais na unidade de conservação Estação Ecológica Soldados da Borracha, em Porto Velho e Cujubim, é alvo da operação. Chamada de Arigós, a ação busca apurar e combater grandes desmatamentos na região e nesta etapa os agentes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em áreas urbana e rural.
Novas imagens de apreensão da operação ‘Arigó’ são divulgadas pela polícia ambiental
O grupo criminoso investigado já causou um dano ambiental de 9.684 hectares, o equivalente a quase 9 mil campos de futebol. O dano ambiental praticado pelo grupo já pode chegar aos R$ 345 milhões.
Os agentes de fiscalização buscam identificar quem são os mentores e beneficiários do desmatamento feito dentro da unidade de conservação ambiental.
A ação tem a participação do Ministério Público de Rondônia (MP-RO), Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente (DERCCMA), Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Núcleo de Operações Aéreas da Secretaria de Estado de Segurança, Defesa e Cidadania (NOA) e Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope).


Audiência serviu também para profissionais protestarem contra o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips na Amazônia. Mesa da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que recebeu jornalistas para audiência sobre violência sofrida por profissionais de imprensa
Pedro França/Agência Senado
Em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado nesta quarta-feira (15), jornalistas e associações relataram um aumento na escalada de ameaças e agressões a profissionais de imprensa em todo o país. Esse cenário, segundo os depoimentos, põe em risco a própria liberdade de imprensa, um dos pilares da democracia.
Jornalistas e associações também comentaram o caso do jornalista inglês Dom Phillips, do jornal The Guardian, e do indigenista Bruno Pereira, desaparecidos desde 5 de junho, após uma incursão no Vale do Javari, região da Amazônia. Para os profissionais da imprensa, uma eventual agressão não seria um caso isolado, dado o clima de constantes ameaças no país.
“Antes de mais nada, eu queria manifestar minha solidariedade às famílias do Bruno Pereira e do Dom Phillips. Eu também gostaria de manifestar a minha revolta pessoal e a minha indignação. É obrigação, sim, do Estado colocar todos os meios necessários para buscá-los, mas a busca é também pelos nossos direitos, e é isso que está em jogo nessas buscas”, afirmou o jornalista Jamil Chade.
A presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Natália Mazotte, cobrou “respostas institucionais” para o desaparecimento na Amazônia. Disse ainda que o caso é uma “amostra extrema” do ambiente de insegurança para jornalistas e defensores dos direitos humanos que se criou no país.
“Esse caso joga a luz ao ambiente de insegurança que se instaurou no país para comunicadores e defensores de direitos humanos. O caso de Dom Phillips é uma amostra extrema desse ambiente de insegurança que o Brasil passou a ter para jornalistas. Desaparecimentos e assassinatos são casos extremos, mas o cerceamento à liberdade de imprensa vai muito além disso”, disse Mazotte.
Polícia leva um dos suspeitos pelo desaparecimento de Bruno e Dom para local de buscas
Liberdade de imprensa e democracia
Na audiência, a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, afirmou que há uma correlação entre os ataques à liberdade de imprensa e os ataques à democracia. Para ela, quem não quer a democracia plena busca intimidar a imprensa.
“É preciso que todos nós saibamos que os jornalistas são agredidos pelo bom trabalho que fazem, e não por erros cometidos. É assim que nós somos vítimas de toda a ordem de agressões: pelo que fazemos para garantir o direito do cidadão e da cidadã à informação jornalística, que é uma informação apurada, verificada e, portanto, verdadeira. O jornalismo tem um papel fundamental e é por isso que nós o chamamos de pilar da democracia. E são exatamente grupos e pessoas que não querem a democracia participativa, a democracia verdadeira, que atacam jornalistas e atacam o jornalismo”, afirmou.
Associações relatam agressões
A presidente da Abraji ressaltou que entre janeiro e abril de 2022 foram registrados mais de 150 casos de agressões física e verbais ou outras formas de cerceamento ao trabalho jornalístico – número que representa um aumento de 27% em relação ao mesmo período no ano passado.
Mazotte acrescentou que, em 2021, foram mais de 450 ataques contra comunicadores e meios de comunicação, sendo que 69% deles foram provocados por autoridades públicas.
A presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) afirmou que a partir de 2019 houve um aumento de 56% da violência contra a imprensa e, em 2020, esse número saltou para 130%. Em 2021, disse Maria José Braga, chegou-se ao recorde de 432 agressões a jornalistas e a veículos de comunicação.
Risco à liberdade de imprensa
Coordenadora de Incidência da Repórteres sem Fronteiras (RSF) para América Latina, Bia Barbosa afirmou que o Brasil está “longe” de apresentar “dados razoáveis” de liberdade de imprensa.
“O ranking da Repórteres sem Fronteiras lançado este ano coloca o Brasil na posição 110, mas, quando a gente olha para o indicador de segurança, a gente está num quadro ainda pior, na posição 124 entre 181 países do mundo. Ao longo da última década, pelo menos 30 jornalistas foram assassinados no Brasil. Nós somos o segundo país mais letal da região nesse período para jornalistas, atrás somente do México”, afirmou.
Ela acrescentou que a instituição monitora na internet hostilidades contra jornalistas e comunicadores e que, em avaliação feita ao longo de três meses em 2021, foram coletadas mais de 500.000 publicações atacando a imprensa.
Durante a audiência, o jornalista Sylvio Costa, fundador do portal Congresso em Foco, relatou casos de profissionais que foram alvos de ameaças virtuais.
Um dos episódios mais recentes envolveu o jornalista Lucas Neiva, que denunciou no site que um fórum anônimo na internet estava sendo usado para discutir a produção de informações falsas para favorecer a eleição do presidente Jair Bolsonaro. A produção dessas informações seria paga com criptomoedas.
Após a publicação da denúncia de Neiva, uma série de ameaças foram dirigidas ao jornalista, e o site sofreu ataques virtuais, ficando fora do ar.
“É difícil dizer se essas pessoas estão apenas blefando. Na grande maioria dos casos, segundo os peritos no monitoramento desses ambientes digitais tóxicos, a ameaça não passa de blefe. Mas também houve casos, no Brasil e no mundo, em que fóruns anônimos foram origem de crimes bárbaros (…) Nossa opção não poderia ser outra: levamos as ameaças a sério, divulgamos as ameaças, procuramos a polícia, buscamos assistência jurídica, criamos o comitê de crise e estamos reforçando nossos mecanismos de segurança digital, pessoal e patrimonial”, disse Costa.


Pereira está desaparecido na Amazônia desde o dia 5, junto com o jornalista inglês Dom Phillips. Esposa relatou que nenhuma comunicação de fato oficial foi feita até agora pelo governo. Em audiência na Câmara nesta terça-feira (14), a mulher do indigenista Bruno Pereira, a antropóloga Beatriz Matos, cobrou respostas verdadeiras e concretas sobre o desaparecimento do marido na Amazônia. O relato foi feito para a imprensa, que não pôde gravar a sessão, pela deputada Vivi Reis (PSOL-PA).
Pereira está desaparecido na floresta desde o dia 5, junto com o jornalista inglês Dom Phillips.
Dom e Bruno: o que se sabe sobre o desaparecimento na Amazônia de jornalista britânico e indigenista
“A esposa do Bruno trouxe a sua indignação quanto ao descaso do que está acontecendo, e deixou muito negritado que o que os familiares e amigos querem são respostas concretas, porque muito se preocuparam com os últimos acontecimentos, as últimas notícias, com desencontro de informações”, contou a parlamentar.
Servidores da Funai protestam em Brasília, com faixa: “Onde estão Dom Phillips e Bruno Pereira?”
Reis também disse que, segundo Beatriz, as autoridades ainda não fizeram uma comunicação oficial para os familiares sobre o estágio das buscas.
“Não foi feita nenhuma informação de fato oficial. Isso preocupou muitos os familiares. A maior exigência hoje dos familiares, em especial da Beatriz Matos, é que se tenham informações verdadeiras, oficiais, efetivas, e que a Presidência da República, em conjunto com seus ministérios, possa tomar providências sobre isso”, disse a deputada.
Dom Phillips e Bruno Pereira

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, também criticou o que chamou de descaso do governo com as informações a respeito do desaparecimento de Bruno e Dom.
Nesta segunda (13), a mulher de Phillips, Alessandra Sampaio, relatou ter sido avisada pelo cunhado de que a embaixada brasileira em Londres informou que dois corpos haviam sido encontrados na floresta. Depois, ela recebeu uma ligação da Polícia Federal negando a informação. A embaixada pediu desculpa pela ligação com dados incorretos.
“Imagine a dor que a família vive de ter um parente desaparecido e um funcionário da embaixada do Reino Unido, um brasileiro, dar uma informação imprecisa, uma informação inconsistente. São pessoas que estão super tocadas”, disse Silva.
Indígenas nas buscas
O parlamentar defendeu a incorporação de indígenas do Vale do Javari, região por onde passavam Dom e Bruno, nas buscas pelo paradeiro dos dois desaparecidos.
O deputado disse que vai enviar ainda nesta terça-feira ao Ministério da Defesa e ao comando da Polícia Federal um ofício pedindo a adesão oficial dos moradores locais na operação.
“É urgente a incorporação dos povos indígenas dos povos do Javari nas buscas. Eles não estão incorporados plenamente no processo de buscas. Vamos procurar o ministro da Defesa, o comando da PF, que são os órgãos do governo federal que estão nucleando as buscas lá, para que eles incorporem lideranças indígenas, que conhecem como poucos aquela área”, disse Silva.
“A leniência do governo é muito grave. Por isso acreditamos que a defesa possa incorporar as lideranças do Vale do Javari, que são muito importantes nesse momento”, completou.


Laboratório aberto funciona na Praça Flamboyant. No local, garrafas PET, tampas e recipientes viram vasos, fruteiras, luminárias e lixeiras. Organizadores do projeto de economia criativa mostram materiais criados com o plástico transformado
Ana Clara Marinho/TV Globo
Fernando de Noronha ampliou o trabalho de reciclagem do lixo e um laboratório aberto passou a funcionar na Praça Flamboyant. É nesse local que ocorre a transformação do plástico de garrafas PET, tampas e recipientes em obras de arte e utensílios como vasos, fruteiras, luminárias e lixeiras.
O material produzido não é vendido. Os utensílios são doados para as instituições de ensino e repartições públicas de Fernando de Noronha.
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O projeto é realizado em parceria pela Administração da Ilha, Usina de Tratamento de Resíduos e uma cervejaria nacional.
Segundo o gerente da Unidade de Tratamento de Resíduos da ilha, Edgar Amaro Júnior, coordenador do projeto, nesse laboratório são reaproveitados cerca de 400 quilos de plástico por mês. É um material que seria enviado ao continente.
“Esse plástico é triado na usina de resíduos. São tampinhas e garrafas, que têm um poder de poluição grande. Com esse projeto, nós reciclamos esse plástico, evitamos o transporte para o continente e confeccionamos peça educativas”, informou Edgar Júnior.
Edgar Júnior é o coordenador do projeto
Ana Clara Marinho/TV Globo
O designer termoplástico Alexandre de Miranda Rosa é o responsável pela execução do projeto de reciclagem criativa. Ele recebe o plástico limpo, faz o corte, tritura e inicia a confecção das peças.
“A reciclagem criativa fomenta a economia circular e possibilita a produção desses materiais que podem ser utilizados no dia a dia. A educação ambiental é um dos pilares. O plástico pós-consumo é um grande problema no mundo”, falou Alexandre Rosa.
Alexandre Rosa é reponsável pela criação
Ana Clara Marinho/TV Globo
O trabalho pode ser visto por moradores e turistas. A professora Mirian Wolter , visitante de Sorocaba, interior de São Paulo, esteve no laboratório e acompanhou o trabalho.
“Achei muito interessante produzir utensílios com o material reciclado. O plástico é jogado no mar em muitos lugares. É importe a proteção da natureza”, falou Mirian.
Plástico é triturado para virar novos produtos
Ana Clara Marinho/TV Globo
O aposentado Jorge Wolter também aprovou a reciclagem. “É um passo fantástico. É uma tendência do mundo e isso vai gerar emprego, melhorar a economia. O ciclo da matéria-prima é mais bem aproveitado com a reciclagem. Reaproveitar é a solução”, disse o aposentado.
Produtos criados com o plático reciclado
Ana Clara Marinho/TV Globo
O aposentado José Atílio Pinheiro, turista de Nazaré Paulista (SP), também esteve no laboratório aberto.
“Fiquei surpreso com esse trabalho. É um ponto de pesquisa. O plástico que é descartado nesse local tem uma nova utilidade. Acho que esse é um exemplo que deveria ser copiado por muitas cidades no Brasil”, afirmou José Atílio.
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Armadilhas fotográficas fizeram o registro raro de um gato-palheiro-do-pantanal (Leopardis braccatus) melânico. Outra novidade foi a presença da raposinha ou raposa-do-campo (Lycalopex vetulus). Primeiro ano de pesquisa listou 40 espécies de mamíferos na Unidade de Conservação. Gato-palheiro-do-pantanal (Leopardis braccatus) melânico foi registrado por armadilhas fotográficas no Parque Estadual do Morro do Diabo
Fundação Florestal
Armadilhas fotográficas instaladas no Parque Estadual do Morro do Diabo fizeram registros de espécies inéditas de mamíferos na área, ou seja, que não constavam na lista oficial da Unidade de Conservação localizada em Teodoro Sampaio (SP).
Um desses “flagrantes” foi duplamente especial: um gato-palheiro-do-pantanal (Leopardis braccatus) melânico – o melanismo deixa a pelagem mais escura e é considerado raro.
A descoberta é resultado do primeiro ano de um projeto-piloto de monitoramento realizado por pesquisadores da Fundação Florestal. Quatro Unidades de Conservação foram selecionadas para receberem a ação, entre elas o Morro do Diabo.
Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP)
Fundação Florestal
Além do felino, a outra espécie que foi novidade para a Unidade de Conservação é a raposinha ou raposa-do-campo (Lycalopex vetulus). A espécie de canídeo foi registrada no parque pelas armadilhas fotográficas e também foi vista na área urbana de Teodoro Sampaio durante uma aula de um colégio, em uma praça.
“Eles filmaram e conseguimos confirmar o registro feito pelas armadilhas, de que ela realmente ocorre na região”, afirmou ao g1 a bióloga Andréa Pires Soares, que é pesquisadora e responsável pelo monitoramento de grandes mamíferos da Fundação Florestal.
Raposinha, ou raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), é novidade no Parque Estadual do Morro do Diabo
Fundação Florestal
Primeiro ano
Fruto de um workshop sobre a fauna ocorrido em 2019 pela Fundação Florestal, o projeto teve início em 2020 com a estruturação da equipe e a concepção do roteiro. As atividades de campo iniciaram-se em 2021.
Foram escolhidas quatro espécies-alvo, que são chamadas de “espécies guarda-chuvas”. “Pois, protegendo elas, abrimos um guarda-chuva de proteção para as outras espécies da comunidade ecológica, explicou a pesquisadora ao g1.
São elas:
Onça-pintada (Panthera onca)
Onça-parda (Puma concolor)
Anta (Tapirus terrestris)
Queixada (Tayassu pecari)
Das espécies-alvo do projeto, somente a queixada não foi registrada no Parque Estadual do Morro do Diabo, segundo contou Andréa ao g1.
A pesquisadora ainda destacou que o levantamento identificou e registrou sete onças-pintadas diferentes. A anta também é bastante frequente e pode ocupar até 93% da área do parque, conforme acrescentou a coordenadora do projeto.
Estudo identificou sete onças-pintadas (Panthera onca) diferentes no Morro do Diabo
Fundação Florestal
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Em um ano de levantamento, foram 10.827 imagens identificadas e um total de 40 espécies de mamíferos listadas, de pequeno a grande portes. Dessas, 32 são de médio e grande portes e quatro são exóticas, sendo elas o cachorro doméstico (Canis familiaris), o gato-doméstico (Felis catus), o boi (Bos taurus) e a lebre-europeia (Lepus europaeus).
“Os dados conseguidos serviram de base para se fazer mapas preditivos da ocupação das espécies-alvo de como elas usam e ocupam a área, permitindo que se planeje estratégias melhores para fiscalização e pesquisa”, explicou ao g1 Andréa Soares Pires.
Veja na tabela abaixo as espécies identificadas:
Mamíferos identificados no Parque Estadual do Morro do Diabo
LC – Pouco preocupante
NT – Quase ameaçada
VU – Vulnerável
EN – Em perigo
CR – Criticamente em perigo
EW – Extinta na natureza
EX – Extinta
DD – Dados insuficientes
NE – Não avaliada
** Animal do gênero citado, porém, de espécie ainda não identificada devido à falta de detalhes no registro provenientes de ângulo do registro, luminosidade, ou outras intercorrências.
Continuidade
O projeto deve continuar a longo prazo no Parque Estadual do Morro do Diabo. Na segunda quinzena de junho, novamente serão instaladas as armadilhas fotográficas em campo para o segundo ano de monitoramento.
“Todo ano as armadilhas ficam 120 dias em monitoramento. Depois, fazemos as análises dos dados e no próximo ano teremos resultados históricos de como está sendo a conservação das espécies nesse território protegido por lei”, explicou a pesquisadora ao g1.
Um protocolo avançado para as onças-pintadas na Unidade de Conservação que fica no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, também está sendo desenhado junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap).
Para a pesquisadora, o projeto é importante para “melhorar a efetividade da gestão do parque, atuando em ações estratégicas para a conservação do ambiente, aumentando a fiscalização em partes da área, fazendo tratativas com o DER [Departamento de Estradas de Rodagem] para minimizar o impacto dos atropelamentos, divulgando os resultados para conscientização sobre a fauna ameaçada”.
Armadilhas fotográficas foram instaladas para auxiliar no monitoramento de animais no Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), no extremo oeste do Estado de São Paulo
Fundação Florestal
Abrangência
Quatro áreas pilotos foram selecionadas pelos pesquisadores da Fundação Florestal para o desenvolvimento do projeto e para servirem de base para a elaboração do subprograma. São elas:
Estação Ecológica Jureia-Itatins, em Peruíbe (SP)
Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio
Núcleo Curucutu, no Parque Estadual da Serra do Mar, dividido entre os municípios de São Paulo (SP), Itanhaém (SP), Juquitiba (SP) e Mongaguá (SP)
Núcleo Itariru, no Parque Estadual da Serra do Mar, que compreende parte dos municípios de Itariri (SP), Juquitiba, Peruíbe, Miracatu (SP) e Pedro de Toledo (SP)
As armadilhas fotográficas são distribuídas pelas áreas, em diferentes tipos de vegetação, e a partir dos registros são feitas análises estatísticas para se obter as informações de como essas espécies se distribuem no território.
“Os resultados foram bastante promissores para este primeiro ano de monitoramento para podermos atuar na melhoria da fiscalização e gestão das áreas como um todo”, salientou a coordenadora do projeto.
Onça-parda ou suçuarana (Puma concolor) registrada por armadilhas fotográficas instaladas no Parque Estadual do Morro do Diabo
Fundação Florestal
Sobre as espécies inéditas no Morro do Diabo
Vulnerável à extinção, a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) é a única espécie de canídeo brasileiro endêmica do Cerrado, bioma sob alta pressão antrópica e com menos de 20% de sua área original ainda em estado primitivo.
Conforme informações da Fundação Florestal repassadas ao g1, considerando as estimativas mais conservadoras, o Cerrado sofreu um desmatamento de 50% de sua área nos últimos 40 anos e, destes, pode-se estimar uma perda de 20% de área em um período de 15 anos (três gerações), que deve refletir em uma perda populacional equivalente para a espécie.
Este declínio não cessou. Estima-se que a espécie terá uma perda de hábitat de, pelo menos, 10% nos próximos 15 anos.
Considerando que a espécie também sofreu e continua sofrendo perdas importantes não quantificadas decorrentes de atropelamento, predação por cães domésticos, doenças, retaliação à suposta predação de animais domésticos, e alta mortalidade de filhotes/juvenis, o declínio populacional deve, em uma estimativa conservadora, ter sido de pelo menos 30% nos últimos 15 anos e deve atingir o limite de 30% nos próximos 15 anos.
Estudo identificou sete onças-pintadas (Panthera onca) diferentes no Parque Estadual do Morro do Diabo
Fundação Florestal
Em relação ao gato-palheiro-do-pantanal (Leopardus braccatus), não há informações sobre o grau de ameaça para o Estado de São Paulo, pois não é área de ocorrência da espécie, “o que demanda muita atenção”.
A espécie ocorre das áreas andinas do Peru à porção temperada da América do Sul, incluindo Pantanal e Brasil central.
Ainda segundo a Fundação Florestal, é um animal pouco estudado, com poucas informações sobre sua ecologia. É usualmente associado a hábitats com vegetação aberta, mas também pode ser encontrado em ambientes florestados.
Pegada de felino de grande porte encontrada durante os trabalhos de monitoramento
Fundação Florestal
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Mulher de Dom Phillips diz que corpos dele e do indigenista Bruno Pereira foram encontrados na Amazônia. Mas autoridades não confirmam. Eles estão desaparecidos há mais de uma semana. O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (13) que “indícios levam a crer que fizeram alguma maldade” com o jornalista britânico Dom Phillips e com o indigenista brasileiro Bruno Pereira, desaparecidos há mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.
A mulher de Philips, Alessandra Sampaio, disse também nesta segunda que os corpos dele e de Pereira foram encontrados, informação que ainda não foi confirmada pelas autoridades brasileiras. A associação indígena que denunciou o desaparecimento dos dois também não confirmou a localização dos corpos.
Segundo Alessandra, ela recebeu uma ligação da Polícia Federal confirmando a localização de dois corpos, mas disse que eles ainda precisavam ser periciados para que a identificação pudesse ser feita.
Mulher de Dom Phillips afirma que corpos dele e Bruno Pereira foram encontrados
Bolsonaro comentou as operações de buscas durante entrevista à rádio CBN de Recife (PE), na qual foi questionado se acompanha o caso de perto.
“Os indícios levam a crer que fizeram alguma maldade com eles”, afirmou Bolsonaro. “Pelo prazo, pelo tempo, já temos hoje oito dias, indo para o nono dia que isso tudo aconteceu, vai ser muito difícil encontrá-los com vida. Eu peço a Deus que isso aconteça, que os encontremos com vida, mas os informes, os indícios levam para o contrário no momento”, disse o presidente.
Buscas
Segunda maior reserva indígena do Brasil, o Vale do Javari fica no Oeste da Amazônia, próximo à fronteira com o Peru. Bruno e Dom desapareceram fora da área da reserva, no trecho do Rio Itaquaí entre a comunidade de São Rafael e a sede do município de Atalaia do Norte.
Bombeiros do Amazonas encontraram, neste domingo (12), uma mochila com um notebook na região. A Polícia Federal informou que os pertences encontrados no Vale do Javari são mesmo dos dois desaparecidos. Segundo a Polícia Federal, foram encontrados ainda um cartão de saúde em nome de Bruno Pereira, uma calça preta, um chinelo preto, um par de botas também do indigenista, e um par de botas e uma mochila com roupas do jornalista britânico Dom Phillips.
Bruno chegou à região algumas semanas antes do encontro com Dom. Seu objetivo era fazer reuniões em cinco aldeias sobre a proteção do território. E depois ele encontraria Dom, fora da terra indígena.
O objetivo de Dom era fazer entrevistas com lideranças indígenas e ribeirinhos para um novo livro, chamado “Como Salvar a Amazônia?”.
Apenas no dia 1º de junho, quando Bruno já havia saído da terra indígena, ele e Dom se encontraram em Atalaia do Norte. Os dois então passaram a viajar juntos. O ponto mais distante a que eles chegaram foi o Lago do Jaburu.
Com a expedição praticamente concluída, Bruno e Dom começaram a subir o Rio Itaquaí no caminho de volta para Atalaia do Norte. Na manhã de domingo (5), eles pararam na comunidade de São Rafael. Bruno teria um encontro com o líder comunitário conhecido como “Churrasco”.
Bruno e Dom saíram de São Rafael às 6h30 de domingo (5). Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, eles estavam com uma lancha nova e combustível suficiente para o trajeto até Atalaia, que tem duração de cerca de duas horas. A demora fez a Univaja ligar o alerta e iniciar as buscas.
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